Queiroga na Saúde: mais um lance na paz armada entre Bolsonaro e centrão

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta quarta/17:

Atual ministro, Marcelo Queiroga, e o antecessor, Eduardo Pazuello: substituição tensa / FÁBIO RODRIGUES POZZEBOM/AGÊNCIA BRASIL


Política é feita de formalidades, liturgias, acordos e interesses. E cada histórico nestes dois últimos quesitos vai montando o perfil dos personagens em questão. Vejamos o presidente Bolsonaro e membros do centrão. Velhos conhecidos um do outro. Tanto que, naturalmente, fizeram um arranjo de conveniência mútua. E, como aqui já registrado, trata-se de casamento que apresenta fissuras. A mais recente foi a nomeação do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Ao perceber que a turma do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), movimentava-se para emplacar o substituto de Eduardo Pazuello, o Planalto apressou o processo.

No Senado, houve situação semelhante, só que com muito mais potencial de estrago. O presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) fez chegar ao Planalto a pressão que vinha sofrendo para segurar o pedido de CPI da Pandemia, cujo alvo era o então ministro da Saúde, com respingos – na realidade, o alvo principal -, o presidente Bolsonaro. O pedido tem 33 assinaturas, mais do que o suficiente. A substituição de Pazuello por Queiroga, portanto, foi providencial, uma vez que o pedido de CPI, se não perdeu o objeto, fez, no mínimo, a pressão baixar vários graus. Tudo somado e considerado, a nomeação do cardiologista abortou duas operações de pressão de líderes do centrão sobre Bolsonaro. Só não se sabe até onde a estratégia vai funcionar.

2022: os pólos e a larga faixa do centro
Os principais observadores políticos fazem os cálculos e avaliam que, grosso modo, um pouco mais de 1/5 do eleitorado nacional pertence, atualmente, ao núcleo duro bolsonarista. Dependendo do cenário e da simulação de palanque, uma faixa semelhante ou rapidamente acima estaria no outro polo. Isso significa que 3/5 de aptos a votar estão soltos e flutuantes, entre possíveis nomes de centro e a tendência a se abster, anular o voto ou deixar em branco. São índices que, potencialmente, colocam um candidato competitivo no segundo turno. Potencialmente.

No lugar da resistência, solidariedade
Por mais que haja discordância pontual ou pedido de ajuste, não temos grandes líderes da economia local frontalmente contrários ao distanciamento social rígido. Menos ou mais, a maioria está perdendo – ou deixando de ganhar. Por outro lado, há uma grande corrente do bem, a exemplo do esforço que ajudou o Governo do Estado a montar uma ala inteira, com 30 leitos de UTI, voltada à covid-19.

ACMP: avançar com independência
A partir de abril, a Associação Cearense do Ministério Público (ACMP) estará de diretoria nova. Sai da presidência Aureliano Rebouças, entra Herbet Santos. Eleito no último dia 5, com 61% dos votos, o promotor de Justiça assume com a responsabilidade de dar sequência ao aprovado trabalho do antecessor, cujo legado inspirou o batismo da chapa vitoriosa: “Avançar com Independência”. 

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