Por sobrevivência, Bolsonaro pode tentar uma saída honrosa

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta quarta/24:

O Palácio do Planalto, endereço funcional do presidente da República / DIVULGAÇÃO


Principal variável, até aqui, dos próximos dois processos eleitorais – 2022 e 2024, pelo menos -, a pandemia de covid-19 pode obrigar o governo Bolsonaro a mudar o rumo. Não por convicção, mas por instinto de sobrevivência e oportunismo. As pressões política e jurídica internas só tendem a aumentar e a comunidade internacional, através da Organização Mundial da Saúde (OMS), já deu o recado. Some-se a isso a forte narrativa da opinião pública nacional, que fixa no presidente parte da responsabilidade pelo “genocídio” em curso. Nada disso é suficiente? É cedo para dizer. O fato é que, por várias vezes, Bolsonaro já tentou mudar o discurso

Aqui e ali, o presidente dá sinais, mesmo que tímidos, de que procura uma saída honrosa para a péssima aposta que fez, quando começou a minimizar a crise sanitária, na metade do primeiro semestre do ano passado. Ninguém seria capaz de imaginar a extensão da tragédia. De lá para cá, quanto mais a pandemia escala números, mais Bolsonaro radicaliza, sempre sinalizando para seu núcleo duro. A questão é que, atualmente, segundo as últimas pesquisas, o apoio consolidado do presidente não passa de 25% do eleitorado. Na outra ponta, 54% apontam a gestão federal como ruim e péssima. Ele vem dobrando a aposta. Mas, nem sempre a mesa ganha.

Polarização Bolsonaro-Lula cada vez mais perto
A votação da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou parcial a atuação do ex-juiz federal e ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, nos processos da Lava Jato contra o ex-presidente Lula, coloca mais pressão sobre a chamada terceira via da corrida presidencial de 2022. Isso porque o petista, o grande vencedor do impasse jurídico, ficará cada vez mais perto da absolvição ou prescrição dos delitos que supostamente cometera. Com a decisão, na prática, a polarização Bolsonaro-Lula ficou mais próxima.

Chance de terceira via está no desgaste dos polos
A terceira via, como o conceito já define, não estará nos polos do espectro político de 2022. O desafio será construir uma ampla plataforma que atraia ou puxe de volta parte do eleitorado que, por inércia ou ausência de força gravitacional, esteve com o bolsonarismo ou o lulopetismo em 2018. Dado o desgaste de Bolsonaro e Lula, não é missão impossível.

O centrão como fiel da balança e a pandemia
O centrão, hoje no comando do Congresso Nacional, será, cada vez mais, o fiel da balança do governo Bolsonaro. Instalação da CPI da Covid, abertura de processo de impeachment ou mesmo isolamento político do presidente podem abrir crises no Planalto, ao ponto de mudar o cenário e inviabilizar a reeleição. Vai depender do trato com a pandemia.

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