Os reflexos da CPI da Covid no jogo político de 2022

Senado Federal estará pelas próximas semanas no centro das atenções /DIVULGAÇÃO

Comissões Parlamentares de Inquérito são um instrumento de repercussões jurídicas, com desdobramentos penais, inclusive, e de consequências políticas, com impactos eleitorais. A história é cheia de exemplos de quem nasceu ou morreu para a vida pública, a partir dos holofotes plugados em depoimentos e denúncias fulminantes ou larga exposição midiática de seus membros. Sem mencionar que o fato de funcionar em um parlamento a torna, essencialmente, multifacetada. Portanto, chega a ser redundante dizer que a CPI da Covid impactará nas eleições de 2022. A rigor, já está refletindo, como mostra o clima pesado em Brasília, de um jogo que ainda nem começou.

Antes mesmo da ordem do STF para o Senado criar a CPI, o pedido de investigação já tinha mexido nas relações do Planalto com o centrão no Congresso Nacional, subindo o cachê do consórcio liderado por Arthur Lira (PP, Câmara) e Rodrigo Pacheco (DEM, Senado). A operação para a comissão alcançar governadores e prefeitos foi outra nota promissória. Agora, acotovelam-se, a fim de conquistar um lugar à mesa do colegiado. É provável que haja alguma sinceridade de quem declare querer investigar atos e procedimentos no manejo da covid-19. Mas, na realpolitik, a maioria vai fazer o que lhe impõe o instinto: acusar adversários e defender aliados.

Moléstia ofuscada pela pandemia
Com as atenções quase que totalmente voltadas para o combate ao novo coronavírus, o mundo vai estocando gargalos na área da saúde. Vejamos o caso da doença de chagas, que mata mais de 4 mil brasileiros por ano e cujo Dia Mundial de Combate, na última quarta-feira (14), passou quase despercebido. Conforme destaca o médico cardiologista Kleiber Marciano, a moléstia infecciosa tropical acomete sobremaneira o coração, podendo evoluir para graves alterações cardiovasculares, como arritmias, miocardite e insuficiência cardíaca. Fica o alerta.

Impacto social e retorno fiscal
Obras públicas fazem a diferença entre uma gestão exitosa ou não, desde que embasadas em bom planejamento e com propósitos para além de mais um projeto finalizado. Esse equilíbrio parece ter sido encontrado pela gestão José Sarto (PDT). Nesse sentido, Samuel Dias (Seinf) faz dois tipos de entrega: na periferia, busca impacto social. Na área nobre, fareja retorno fiscal.

Empresários e aplicativos de delivery
Em tempos disruptivos, o desafio de dar sobrevida ao negócio subiu de patamar. Que o digam empresários do setor de comida, bebida e assemelhados. À crise pandêmica soma-se a relação draconiana com os aplicativos de delivery, com taxas que comem generosas fatias do faturamento. Isso, para sustentar altos executivos, que nunca acederam uma boca de fogão.

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