Na essência, bolsonarismo e lulismo não são tão polos assim

2022 já começou. A rigor, 2018 nunca terminou. O projeto dos bolsonaristas é transformar o Brasil em uma peça de engrenagem da nova ordem internacional – seja lá o que isso signifique. Na cabeça deles – remanescente em algumas -, a subida da rampa foi somente o início de um longo período. Nessa perspectiva, o próximo processo eleitoral seria um mero rito de passagem, para revalidar o presidente. Por aí se entende a verbalização de Bolsonaro, precocemente, lá atrás, sobre mais quatro anos no Palácio do Planalto, a série de ataques a instituições que organizam e fiscalizam a disputa política no País e a reação autoritária quando tudo isso é colocado à prova.

Há dois tipos de grupos políticos: os que chegam ao poder e dizem que não querem continuar e os que dizem que querem. Mas, ambos agem com o mesmo objetivo: manutenção ou ampliação dos tentáculos. Assim, cada força constrói seu modus operandi, suas estratégias e narrativas, para justificar a si mesma. O PT não subscreveu a Constituição Federal de 1988; Lula já disse que no Congresso há 300 picaretas; atacou o sistema político-eleitoral; ouviu-se do então presidente, centenas de vezes, o “nunca na história desse país”. Os mais afoitos falavam em “refundar a República”. A rigor, bolsonarismo e lulismo não são tão diferentes assim.

Democracia à brasileira
Perspectiva de poder é um dos principais motores da política. A possibilidade de participar do banquete abre portas e bolsos. Tudo tem um preço. Acordos vêm e vão. Concessões são feitas. Afagos e traições são cometidos com a mesma desenvoltura. Em meio a tudo e a todos, um ou outro homem ou mulher de espírito público. É assim, que bem ou mal, vem funcionando a democracia brasileira. Às vezes nos enchendo de orgulho, com fair play democrático. Às vezes nos constrangendo diante do mundo civilizado. É o que temos para hoje.

O que é bom para o mundo é bom para os EUA
Nenhum lugar do planeta estará seguro com o vírus circulando. Por isso o debate sobre a quebra de patentes, defendida por Joe Biden. Quem controlar o antídoto que controla o vírus que pôs o mundo de joelhos sentará à cabeceira da mesa. Não há convicção humanitária do bom velhinho democrata. É só política – pedra que a mãe Rússia cantou há meses, com a Sputnik V.

O que eles defendem na CPI da Covid no Senado
Até agora, dois ex-ministros e o atual chefe da pasta prestaram depoimento à CPI da Covid, no Senado. O primeiro, Mandetta, falou olhando para a carreira política; o sucessor, Teich, protegeu a própria reputação, no mercado privado. Nesta quinta-feira (6), Queiroga defendeu o emprego de ministro. Dia 19 teremos Pazuello. Vai querer continuar solto.

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