O bolsonarismo como esfinge


A cada pesquisa de intenção de voto para o Planalto, no ano que vem, lá está o presidente Jair Bolsonaro garantido num projetado segundo turno da disputa. O cenário é admitido até pelos adversários mais radicais. O que quase não se debate, publicamente, é por quê. O incômodo é disfarçado pelo argumento de que o mandatário tem a caneta do poder. Mas a esferográfica institucional não existia até janeiro de 2019. Como o então deputado federal – já qualificado nos autos – chegou ao poder? Por que o presidente passou de um homem substantivo a mito, com meia dúzia de advérbios e adjetivos como extensão? Por óbvio, a resposta não é curta nem simples.

Há muitas teorias, teses e explicações. Na média geral, o bolsonarismo é um sinal dos tempos. É um modelo a la brasileira da sociedade líquida, do que tanto se fala nos papos cabeça mundo afora. É fruto ou sintoma da pós-verdade, com suas explicações subjetivas da realidade alternativa. Mas não é um universo paralelo qualquer. Esse conjunto de crendices tem método. Não é uma pajelança tribal que se desfaz com a próxima hashtag que viralizar. Desvendar essa alquimia é o desafio da centro-esquerda. É a grande esfinge do momento. Vejamos os bolsonaristas na CPI da Covid, com seus ideólogos ou replicadores. A propósito: quem disse que a ciência é desprovida de ideologia?

AL-CE: retorno esperado e mais do que justo
A Assembleia Legislativa do Ceará foi a primeira do Brasil a montar o sistema de funcionamento de sessões e votações remotas, quando veio o agravamento da primeira onda da pandemia de covid-19. No auge da crise sanitária, tudo foi suspenso. Agora, aos poucos, os serviços ofertados pela Casa voltarão ao normal. O anúncio, feito pela direção do Poder, à frente, o presidente Evandro Leitão (PDT), acontece quando o Estado alcança o primeiro lugar no Nordeste em percentual de população vacinada com duas doses. Além de justo, é digno de comemoração.

Desde os tempos de Brizola
Quando o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, sugeriu que as urnas eletrônicas deveriam ter comprovante impresso, leu-se que seria uma sinalização para beneficiar o pré-candidato Ciro Gomes. O presidente do partido no Ceará, deputado federal André Figueiredo, lembra que o método de segurança é defendido pela legenda desde a época de Leonel Brizola.

Um movimento, dois efeitos
O autolançamento do deputado federal Capitão Wagner(Pros) à sucessão de Camilo Santana  (PT) é a ocupação de um vácuo deixado pelo senador Eduardo Girão (Podemos), que vem rendendo abaixo do esperado na CPI da Covid. O movimento de Wagner também pode ser visto como um antídoto às aspirações de Mayra Pinheiro, em viés de alta no bolsonarismo.

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