Os rumos de Camilo e o possível revezamento PT-PDT no Ceará


A aliança dos Ferreira Gomes com o PT no Governo do Ceará é uma das mais longevas e frutíferas, em termos político eleitorais e de resultados de gestão entregues. Foram dois mandatos de Cid Gomes (2007-2013), seguidos de dois de Camilo Santana (2015-2022). Nestes 16 anos, muitos personagens e avanços foram agregados ao condomínio partidário. Mas isso, aos poucos, vai ficando para trás. O poder sempre olha para frente, para as próximas disputas e administrações, com suas fortes expectativas. Eis o ponto, de onde, atualmente, começa a sair a pergunta-chave do pleito de 2022 no Ceará: o candidato à sucessão de Camilo sairá do PDT ou PT?

Na cúpula pedetista cearense corre pacífica e pública a tese de que o nome sairá do PDT. Entre os argumentos está o princípio do revezamento PDT-PT-PDT. A bola vai, portanto, quicar para o PDT. Já a boca miúda, a justificativa é mais pragmática: em 2014, o PDT convidou o então deputado Camilo para disputar o Abolição. Oito anos depois, as fichas voltarão para quem dá as cartas à mesa do jogo. Mas não é tão simples assim. Entre as variáveis está desde a decisão do atual chefe do Executivo ficar ou não até o final do mandato, concorrer ou não ao Senado e, dependendo da decisão, ter mais ou menos peso na escolha de seu sucessor, independentemente do partido.

PDT hegemônico versus PT fominha
Há um senão no raciocínio pedetista para indicar, livremente, o candidato à sucessão de Camilo. É o que petistas estão rotulando de hegemonismo político – no caso prático, seria o PDT ocupar os quatro principais postos da política do Ceará: a Prefeitura de Fortaleza e a presidência da Câmara Municipal, a presidência da Assembleia Legislativa e o Governo do Estado, a partir de 2023. É curioso o argumento partir justamente do PT, grupo historicamente fominha. Em todo o caso, isso pode significar negociações que passem pela sucessão de Evandro Leitão, atual chefe da AL-CE.

Dois palanques governistas mudam desenho
Alguns níveis acima da disputa pelo Governo do Ceará, o PDT nacional segue focando no Planalto, via Ciro Gomes. Aqui também será um divisor. Se houver dois palanques – um para o ex-ministro e outro para o ex-presidente Lula, a decisão impactará, diretamente, tanto nos palanques dos hoje aliados quanto nas candidaturas da oposição – que estará mais forte do que há quatro anos.

Interesses de candidatos a deputado
Pelas regras atuais, na corrida legislativa de 2022 não haverá coligação partidária. Haverá, obviamente, as pequenas surpresas. Mas o grosso das listas de eleitos será vinculado a candidaturas ao Executivo competitivas e com reais chances de vitória. Grosso modo, é o que vai levar muitos parlamentares ou pretendentes, pensando na própria pele, a defender nome A ou B a governador.

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