Polarização: um lado que repetir o que deu certo; o outro quer se vingar

Bolsonaro e Lula: retroalimentação de interesses para reeditar 2018/Montagem sobre reprodução de Internet

Primeiramente, as obviedades. Em 2002, Lula chegou ao poder depois de um facelift político, a “Carta aos Brasileiros” e o banho de marketing, que fez nascer o “Lulinha paz a amor”. Mas, uma vez no poder, o petista voltou a fazer ecoar o “nós contra eles”. Ou ninguém lembra do PT “rasga lata” antes do poder nem do “Fla x Flu” com o PSDB, ao longo de três décadas? Corta para 2021. O lulopetismo volta a praticar o que melhor aprendeu na dicotomia ABC versus Avenida Paulista. Só que agora, pelo menos por enquanto, não mais contra o tucanato, uma das melhores escolas de gestão pública do País. Será contra o bolsonarismo, nos autos da CPI da Covid.

Na outra ponta da corda, já tensionada, Bolsonaro alimenta e é alimentado pela polarização. Em 2018, chegou ao poder, impulsionado pelo antipetismo. Com gosto de sangue na boca, o PT diz acreditar que o sentimento contra o presidente da República e o que ele representa, atualmente, supera a revolta silenciosa contra o petismo, de três anos atrás. Tudo somado e considerado, o cenário da corrida presidencial do ano que vem, se não houver uma mudança brusca, será a disputa entre um lado que quer reeditar o jogo que deu certo para ele, contra o outro grupo, que tentará, de todas as formas, vingar-se político e eleitoralmente. Isso, se não mudar até lá.

Semelhança, eliminação e prorrogação
Uma pergunta boba: por que os aparentes e supostos opostos se atraem? É elementar meu, caro Watson. No caso específico da seara política – concretamente, bolsonarismo e lulopetismo -, porque ambos têm, no fundo, o mesmo modus operandi da exclusão – quando não, da eliminação. E é, exatamente, do que o Brasil não está precisando. Esgarçado, o País necessita, grave e urgentemente, de um projeto de nação, com base no equilíbrio, união nacional e estabilidade. O resto é prorrogação até 2026, se aguentarmos até lá, do jogo que estamos assistindo, atualmente.

Duas histórias, um único objetivo
Com Lula de volta ao jogo, pelo menos duas alas do PT do Ceará movimentam-se, de olho na candidatura própria ao Palácio da Abolição. A ex-prefeita Luizianne Lins faz valer o histórico de adversidades com os Ferreira Gomes. Também tentando se viabilizar, José Airton Cirilo quer reeditar 2002, quando por pouco não chegou lá. Se é para valer, somente o tempo dirá.

O jogo duplo e a anormalidade
A corrida política de 2022 virou uma grande incógnita. Em circunstâncias normais de coerência e com o acirramento em alta, não deveria haver o jogo duplo entre Brasília e o Ceará, entre quem é governo ou oposição aqui e no Planalto Central. Mas isso, em circunstâncias normais, regra que não se aplica ao Brasil – muito menos agora, em que tudo parece fora da normalidade.

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