Presença, ausência e outros fatores que definem uma candidatura

Assim como tudo na vida, a política está cada vez mais acelerada. Consumido, avidamente, o noticiário especializado, misturado a redes e bolhas, forma a base para a formação da opinião pública. Juntos, constroem e destroem carreiras e reputações, em questão de dias ou horas. O fenômeno dos tempos atuais é uma faca de dois gumes. Tanto pode fazer brotar o candidato imbatível da próxima disputa eleitoral, como pode tirar força e recall de nomes outrora consolidados no páreo. O que tudo isso quer dizer? Simples. A expressão “quem não é visto não é lembrado” subiu de patamar – nos mundos on e off line.

A não ser que haja controle efetivo dos principais processos – desde a eleição do próprio sucessor à máquina partidária, sempre haverá terreno fértil para o florescimento de grupos paralelos ou mesmo rivais, internamente, que não tardarão nem hesitarão disputar um lugar ao sol. Vejamos o caso do Lula. O petista sempre foi a liderança máxima do PT, mas nem por isso incontestável. Em 2002, foi levado às prévias por Eduardo Suplicy. Eleito e reeleito, deixou no lugar alguém sem tato, força ou talento para medir força. Tanto que oito anos depois, o ex-presidente lidera as intenções de voto para 2022. A lição vale para qualquer disputa – inclusive estaduais.

De reality show a aulão online
No início – aqui foi registrado -, a CPI da Covid mais parecia programa-gincana de televisão. Difamação, língua solta, conchavos, imunidade e votação, entre outros itens roteirizados, tudo ao vivo, para todo o Brasil. Já teve até paredão, com eliminação sumária. Nos últimos dias, porém, transformou-se em aulão online e via satélite. Para fidelizar a audiência, senadores médicos e advogados, principalmente, das várias cores políticas, invocam ares professorais e passam a desfiar prescrições, bulas e posologias, assim como leis, códigos e ritos jurídicos.

Nada substitui o presencial
Os parlamentos estão indo para o terceiro recesso em meio à pandemia de covid-19. Desde o início da crise sanitária, já houve eleições municipais – prefeitos e vereadores – e renovação da direção de todas as casas legislativas. Reinventando-se, seus integrantes e dirigentes fazem o que está ao alcance para seguirem exercendo os mandatos. Mas todos sabem que nada substitui o presencial.

Deputados e a lâmina do distritão
Deputados que pensam em mais um mandato estão numa encruzilhada. Muitos torcem para não haver tempo hábil para a Câmara deliberar sobre o distritão – eleição dos mais votados por estado/partidos. Na dúvida, muitos estão de malas afiveladas, para mudar de partido, na tentativa de escapar da lâmina que os espera. Na cotação do dia, a votação deve acontecer em agosto.

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