Os méritos, desafios e contradições da oposição no Ceará

Primeiramente, as boas referências. Pode-se dizer, tranquilamente, que o grupo político que faz oposição ao conglomerado partidário hegemônico no Ceará já tem uma história a ser contada. Antes irrisória e dispersa, a força vem crescendo, na última década e meia, eleição pós eleição. Já é possível se fazer uma linha do tempo, ascendente e de conquistas cada vez mais ousadas. Hoje, os oposicionistas estão à frente de relevantes gestões municipais – destaques para as regiões metropolitanas de Fortaleza e Cariri. Mas, o maior mérito, é sua origem, como agrupamento independente, sem ter saído da costela de quem estava no poder.

A estrada da oposição no Estado ainda é longa. Muito longa. Mas há potencial à vista. A começar pelas janelas abertas com as vitórias obtidas nas eleições municipais de 2020. Desde então, tais gestores estão desafiados a mostrar que conseguem dar vazão ao discurso, colocando em prática parte do que cobram dos governos. Esse é o primeiro ponto. Ou seja, mostrar capacidade de gerir a coisa pública, com entrega de resultados consistentes e convincentes. O segundo é fazer disso uma vitrine, a partir do qual o grande público poderá ser seduzido a permitir, através do voto, a ampliação de tais experiências exitosas, numa escala bem maior.

Governar nunca foi fácil
Não é tarefa fácil para a oposição mostrar que tem competência de gestão. Nunca foi. A metamorfose carrega muitas dificuldades, limitações e riscos de incoerência, antessalas para o descrédito político. Ainda mais numa safra de governos locais impactada pela pandemia, num cenário que já vinha desafiador. Nem os prefeitos mais experimentados têm respostas e soluções fáceis para gargalos do dia a dia. Imaginemos chefes de Executivo que levaram meses, numa onerosa curva de aprendizagem, com perda de tempo, quando não de oportunidades.

O ovo e o omelete
Na linha de que não existe omelete sem ovo quebrado, a oposição no Ceará vem, aos poucos, permitindo-se algumas concessões, sem as quais é difícil imaginar que esteja rumo ao poder. Uma delas é a formação de grupo, mais ou menos coeso, com líderes e liderados e, principalmente, de partidos, onde claramente, há o dono controlador, de fato e de direito.

Pecado do pregador
Há outros comportamentos, que a oposição cearense vem incorporando, que são mais delicados e difíceis de explicar ao grande público. Isso porque sempre foi um ponto de crítica aos adversários: família. É compreensível, sob alguns pontos de análise, que um ente entre na disputa por voto. Mas cai por terra o argumento de que somente o adversário tem vocação para oligarca.

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