Para onde vai o PSDB

Todo período político – desde os de pequena escala aos que dividem eras na história – existe em função de ciclos, que se abrem, avançam e se ampliam, alcançando o mais alto grau, para depois desvanecer em decadência e, por fim, se fecharem. Com partidos políticos não é diferente. Mas há alguns que, por erros estratégicos, falta de oxigenação ou pura inanição, parecem abreviar o crepúsculo da relevância e existência. Tomemos como base o PSDB – em suas instâncias local, estadual e nacional. Antes, uma observação: aqui já foram reconhecidos muitos feitos, individuais e coletivos, do grupo político, o que nos deixa à vontade para também apontar deméritos.

Depois de um largo e profícuo período, ao longo da década dos anos 1990, o PSDB de Fernando Henrique Cardoso na Presidência da República, de ícones da política nacional no Congresso Nacional, de Tasso Jereissati no Governo do Ceará e de vários outros talentos em gestões estaduais e municipais, o partido nunca mais foi o mesmo. Não se reinventou, não conseguiu transformar as exitosas experiências em escolas e referências nem nutrir uma nova geração de líderes. Resultado: o tucanato vem colecionando derrotas, em todos os níveis, assim como vê, cada vez mais minguados, seus quadros de filiados e defensores do projeto, que um dia orgulhou muitos brasileiros.

Sucessivas derrotas e cooptação
Já na década de 90, o PSDB em Fortaleza ficaria marcado pelos sucessivos tombos eleitorais. A sina ampliou-se para as disputas estaduais, com resultados mais vexatórios do que o outro. Tanto que muitos candidatos que malograram nas urnas ou foram para a aposentadoria ou estão, atualmente, em outras legendas. Como ciclo vicioso, resultados ruins no ninho, ao longo das últimas duas décadas, desfiguraram lideranças, afastaram filiados e distanciaram eleitores. Assim, o partido misturou-se aos demais, virando presa fácil na cooptação de quem está no poder.

Das prévias para a órbita
O que esperar das eleições do PSDB nas eleições do ano que vem? Pouco ou quase nada. Em nível nacional, as prévias mais sem emoção de que se tem notícia devem gerar um candidato a candidato que, na cotação do dia, dificilmente pertencerá ao menos a um segundo pelotão de disputa presidencial. Isso se antes não for atraído para a órbita de uma candidatura consistente.

Performance e fim de ciclo
Em nível de Ceará, o PSDB vai numa linha até mesmo pior do que a nacional. Sem postura firme, clara e convincente em relação aos governos estadual e locais – se é situação ou oposição -, o partido sofrerá para repetir a já pífia performance de disputas anteriores, para a Assembleia Legislativa e o Congresso. Como outros, o tucanato caminha para fechar seu ciclo.

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