Bolsonaro: recuo ou trégua momentânea?

Presidente agiu por convencimento, não por convicção / Marcos Corrêa/PR

No balanço da semana que chega ao fim, parece que entre mortos e feridos, todos escaparam. Parece. O presidente Bolsonaro tem histórico ruim de equilíbrio emocional e político. Muito suscetível a plateias circunstanciais, age de forma intempestiva, ao sabor do momento. Portanto, é preciso aguardar para ver até onde vai o chamado recuo. Daqui para frente haverá um novo parâmetro de relacionamento entre os Poderes, baseado na Constituição, ou se trata de somente uma trégua estratégica, enquanto recupera fôlego para retomar o plano antidemocrático? De todo modo, o teor da carta publicada, na qual o mandatário balança a bandeira branca, não deixa de ser um alívio.

O mundo político ainda vai levar dias ou semanas para ruminar melhor tudo o que aconteceu na já histórica Semana da Pátria de 2021. Um dos pontos mais pacificados entre observadores é de que Bolsonaro errou a mão. Empolgado pela bolha e dependente da matilha ultraconservadora que o cerca, subiu o tom para muito além do que deveria. Isolado, politicamente, viu-se acuado pelas fortes reações dos demais presidentes de poderes – com exceção da pálida fala do chefe da Câmara dos Deputados. O presidente deu um passo atrás por convencimento de terceiros. Não por convicção. Agora, a bola quica para o campo dos adversários bolsonaristas. Vamos aguardar.

A carta de Bolsonaro e os atos do dia 12
Independentemente da carta de Bolsonaro, vários espectros políticos nacionais – da extrema esquerda ao centro-direita -, seguem na crescente convocatória para os atos marcados para este domingo, 12. Já se projeta a força com que a democracia brasileira será defendida, em tapetes de gente em várias cidades do País. Neste último aspecto, é uma disputa particularmente sem sentido, para não dizer irresponsável. Afinal, não é razoável uma peleja política para se saber qual lado vai conseguir aglomerar mais pessoas em plena pandemia que o País atravessa.

O manjado jogo do morde-e-sopra
Entre trancos e barrancos, Bolsonaro segue conseguindo desviar o foco. Ontem, ao longo do dia, mais do que de repente o Brasil soltou a respiração e saiu das declarações contundentes do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, para a luz no fim do túnel. Mas, manjado, o jogo do morde-e-sopra do mandatário engana cada vez menos.

CPI da Covid? Que CPI?
Encharcado pela crise envolvendo o presidente da República, o noticiário político nacional praticamente não sentiu falta da CPI da Covid, que esta semana não funcionou. Até membros da cúpula do colegiado deixaram de lado as investigações das ações e omissões do governo na pandemia e passaram a repercutir o estremecimento entre o Palácio do Planalto e a cúpula do Judiciário. 

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