Sobre covardia, fraqueza e burrice na política

Queiroga alinha-se a Bolsonaro para se manter no governo / Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Dia desses falamos aqui da separação do pragmatismo político de sentimentos, digamos, mais nobres, cultivados por pessoas, medianamente, civilizadas, a exemplo de gratidão. Este predicativo não existe na realpolitik. E, no jogo do poder, há muitas outras situações em que o suposto rebaixamento moral, como covardia, fraqueza e burrice, também se fazem presentes. Vejamos o caso de Jair Bolsonaro, diante do atual estágio de negacionismo no combate à pandemia. Enquanto a comunidade científica global e a elite política do planeta discutem as melhores formas de reduzir a faixa etária para imunização contra covid-19, o presidente segue isolado e afundando.

A Anvisa aprovou a vacina para crianças, o que provocou forte reação. A pressão que o Planalto e os seus vêm fazendo sobre a agência é covardia. Principalmente, no tom relatado de ameaças e incitação à violência. Esse é o primeiro ponto. O segundo é a fraqueza do bolsonarismo, que diante das evidências, em qualquer parâmetro razoável, continua remando contra a maré, num discurso que convence cada vez menos seguidores. Agarrar-se a antigas convicções também é burrice. Argumento básico: todas as vacinas que chegaram ao braço do brasileiro foram bancadas pelo governo federal, que até agora capitalizou zero em cima dos bilhões que desembolsou.

Queiroga vai se dar muito bem ou muito mal
A dissecação das relações de poder também expõe o quão a bajulação é profícua. Em algumas situações, não escolhe currículo nem qualificação. No contexto do governo Bolsonaro, ninguém veste melhor este figurino do que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Ele é o check list do que se deve fazer e dizer para se manter no poder e no emprego. Isso, a qualquer custo – mesmo que isso implique em vidas humanas. Nos últimos dias, em vida de crianças. Mas, esse filme é conhecido: casos como o do Queiroga costumam, para o tipo dele, dar muito certo ou muito errado.

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