Aberta a temporada de orçamentos

Da coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta sexta/3:

Peça legal compreende todas as receitas e despesas das gestões públicas / Reprodução

Mesmo aqui e ali apelidados de “peças de ficção”, orçamentos públicos costumam moldar gestões. Afinal de contas (sem trocadilho) é lá onde começa e termina toda a esteira contábil e financeira de governos – receitas, despesas, revisões, cortes, remanejamentos, suplementações etc – que moldarão a cara e o ritmo de administrações. Neste segundo semestre, todas as casas legislativas – câmaras, assembleias e congresso – estão debruçadas sobre montanhas de números, cifras e siglas. O suado contribuinte, que banca tudo, deveria acompanhar muito mais de perto. Fica a dica.

Promessas não cumpridas
A propósito de orçamentos públicos, não são raros acordos políticos irem por água abaixo, na hora da entrega de resultados. Ou melhor, de promessas que não se cumprirão. Ávidos por mais recursos, prefeitos municipais estão no seu legítimo papel de sempre buscar e cobrar mais verbas para suas respectivas cidades. Pior são os que não correm atrás de quem pode ajudar.

Resultado aparece nas urnas
O problema das promessas de mais recursos orçamentários é a alta expectativa, tanto de quem ficou de entregar quanto de quem ficou de receber. Deputados, de maneira geral, têm muita dificuldade de dizer “não” a prefeitos. Já há parlamentares preocupados com a frustração dos gestores locais. Todos sabem que a resposta costuma vir de forma impiedosa, na eleição seguinte.

Das crises nascem as oportunidades

Da coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta sexta/3:

Deputado Danilo Forte (PSDB-CE) foi relator da MP 1049/21 / Alex Ferreira/Agência Câmara

Por uma série de gargalos, o Brasil atravessa uma crise energética, com consequências ainda não totalmente planilhadas. A solução, multifatorial, envolverá desde planejamento mais assertivo e acertado dos governos a cenários meteorológicos, passando por inserção de novas matrizes. Inclusive, ampliando o olhar sobre outros pontos nevrálgicos do setor, que poderão ser convertidos em alternativas. Uma dessas opções pode estar na Medida Provisória 1049/21, que cria uma autarquia para monitorar, regular e fiscalizar as atividades que usam tecnologia nuclear no Brasil. A MP foi relatada pelo deputado federal Danilo Forte (PSDB-CE).

Tudo o que puder garantir a ampliação e o controle da geração de energia tem que ser regulamentado para acompanhar essas ações”, comentou Danilo, sobre a janela de oportunidade aberta pela MP. Danilo está certo. Com a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), o setor ficará mais seguro, já que as atividades serão exercidas por uma entidade diferente da que promove seu uso. E a energia nuclear – esse é o ponto de aderência com a crise -, pode ser um dos grandes segmentos do futuro, somando-se às demais opções, desde que manejada com segurança para a população e o meio ambiente. No mais, é registrar a atuação do parlamentar cearense.

Ele é a cara, o coração e o cérebro de Maracanaú

Do jornal O Otimista, desta segunda/30:

Um dos políticos mais experientes em atividade no Estado do Ceará, o ex-deputado e também ex-prefeito segue empolgado, à frente da terceira gestão. Ancorado num perfil industrial consistente, Maracanaú, segundo o tucano, vislumbra diversificação econômica, com foco no comércio, lazer e turismo, além de investimentos em saúde, educação e geração de emprego

Roberto Pessoa é um dos mais experientes políticos e empresários em atividade no Ceará / Divulgação

Erivaldo Carvalho
erivaldocarvalho@ootimista.com.br

Roberto Pessoa (PSDB) está no terceiro mandato de prefeito de Maracanaú, um dos municípios mais importantes da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Foi deputado federal por quatro mandatos e deputado estadual.

Nesta conversa com O Otimista, o experiente político e empresário aponta os novos caminhos – e desafios –, da Cidade que ajudou a desenvolver e aposta na diversificação dos segmentos econômicos.

Líder do grupo que há 16 anos comanda a política local, Roberto Pessoa também avalia o governo Camilo e comenta suas escolhas para a disputa eleitoral de 2022. A seguir, os melhores trechos:

O Otimista – Como o senhor recebeu o município de Maracanaú, em janeiro deste ano?
Roberto Pessoa – O município é bem estruturado. Há 16 anos é comandado pelo mesmo grupo político. Depois de Fortaleza, é o maior orçamento do Ceará, chegando a quase R$1 bilhão. Maracanaú arrecada bem por conta de seu pólo industrial, pólo de serviços e de comércio.

O Otimista – O que poderia ser destacado, nessa travessia da pandemia?
Roberto – Maracanaú não tinha nenhuma UTI e hoje temos 30. Já conseguimos aplicar a primeira dose da vacina em quase 80% da população acima de 18 anos de idade e em torno de 30% já receberam a segunda dose. Estamos cadastrando pessoas com menos de 18 anos. Fomos pioneiros, no País, em criar a clínica pós-covid, que pode amenizar o sofrimento das sequelas.

O Otimista – Em termos econômicos, qual o impacto da pandemia no Município?
Roberto – Maracanaú ganhou. Todos os decretos governamentais deixaram o distrito de fora. Não sofreu nada. O comércio parou, os serviços pararam, mas Maracanaú sofreu menos. A prova é que nossa arrecadação estava numa sequência de subida. Tanto na captação de ICMS, quanto de ISS e até de IPTU e ITBI. Não posso me queixar da questão industrial.

O Otimista – Numa linha do tempo, desde o início da pandemia até agora, qual foi o trajeto da economia em Maracanaú?
Roberto – Eu me baseio na arrecadação. Acredito ser o melhor termômetro. Estive, recentemente, com o secretário de Finanças e fiquei muito animado com os números que ele me passou. Depois que começamos a nos recuperar da segunda onda da pandemia e com o avanço da vacinação, o cenário ficou ainda mais otimista.

O Otimista – Já podemos falar de investimentos?
Roberto – Em sete meses de gestão, eu já trouxe mais de 50 novas indústrias. Nos últimos dias, assinei cinco protocolos de intenção, para trazer cinco novos empreendimentos – e não só de indústrias.

O Otimista – Como está o espaço físico do Distrito Industrial, para a instalação de novas indústrias?
Roberto – Isso é sério, porque o território é muito pequeno. Estamos requalificando o Distrito Industrial. Também estamos investindo num centro cultural, em homenagem a Virgílio Távora, o maior estadista que o Ceará já teve.

O Otimista – Como estão os índices de criminalidade em Maracanaú?
Roberto – Segurança pública é um assunto de responsabilidade do Governo do Estado. Entretanto, a Prefeitura também tem que participar. Na minha gestão passada, criamos a Guarda Municipal, com 200 membros. Temos a Ronda Escolar, para garantir a segurança dos alunos. Temos uma média de seis assassinatos por mês, um índice alto, se comparado a parâmetros internacionais e nacionais. Mas, se comparado a Fortaleza, é a cidade menos violenta da Região Metropolitana.

O Otimista – Como reverter?
Roberto – É preciso investir em educação. Durante a campanha política, propus creche para todos em tempo integral e quero executar este projeto até o fim dessa gestão. Estamos formando seis escolas cívico-militares; uma em parceria com o Exército, e outras cinco municipais, que passarão a ser cívico-militares.

O Otimista – Escolas cívico-miltares são polêmicas, politicamente…
Roberto – Eu quero dar qualidade. Essa questão de ordem ideológica não tem nada a ver com nosso programa. Não acredito que seja errado ensinar amor à pátria, obediência a superiores e disciplina.

O Otimista – Como está a relação de Maracanaú, administrado por um prefeito do PSDB, com a gestão Camilo Santana, do PT?
Roberto – Essa relação é formal. Tenho uma amizade grande, de muito tempo, com o pai do governador, e também me dou bem com Camilo. Já me reuni com ele uma vez, entreguei as demandas do município, elenquei as prioridades. Agora, o que Maracanaú colabora com o ICMS do Estado é dez vezes mais do o Estado devolve. Se a gente comparar com o que é feito em Sobral, não dá nem para conversar.

O Otimista – Essa relação precisa melhorar?
Roberto – Para você ter ideia, a minha filha, que é deputada estadual, Fernanda Pessoa, tem direito às emendas parlamentares de R$ 1 milhão por ano. Até agora, já são dois anos sem liberar nada pra ela. Será que os deputados da base aliada não recebem nada? Eu falei isso com o governador, em audiência, há cerca de um mês e meio. Mas, até agora, nada.

O Otimista – Maracanaú tem crescido no setor comercial. Como está esse segmento?
Roberto – A Zenir vai abrir um Centro de Distribuição (CD) em Maracanaú. Já temos outros. Hoje, a indústria não é nem 20% da arrecadação e empregos. Quem dá emprego é o comércio, os serviços e grandes eventos, como o São João, um dos maiores do Nordeste. Vamos trazer um restaurante de alta gastronomia, o Coco Bambu, e uma faculdade de medicina, além de um Campus avançado da Unilab.

O Otimista – A meta é mudar o perfil do Município, por muito tempo visto como cidade dormitório?
Roberto – Nada contra cidade dormitório, mas é ruim, porque o consumo não é feito lá. Também estamos trabalhando mais a questão do lazer. Temos sete lagoas e vamos fazer um polo de lazer nelas.

O Otimista – Maracanaú está, então, em um novo momento, nos setores de serviços, comércio, lazer e turismo?
Roberto – Sim. As pessoas estão procurando Maracanaú. As lagoas foram a solução, já que não temos praias. E vamos construir um CTN – Centro de Tradições Nordestinas, em um terreno na estrada de Maranguape, que uma família americana de empresários, apaixonada pelo Ceará, doou para a UFC. Está acontecendo, de fato, a valorização de mais setores, neste momento. E focados na criança, no estudante.

O Otimista – Como está o debate em torno da Região Metropolitana de Fortaleza?
Roberto – A RMF só existe na palavra, não no papel. Não há uma política pública. Pacatuba, Maranguape, Caucaia e Maracanaú são municípios vizinhos. Aí fica cada um no seu quadrado, gastando feito besta, podendo fazer parceria.

O Otimista – Como está a gestão Camilo?
Roberto – O governador tem mostrado bom desempenho. As pesquisas apontam isso. É pré-candidato a senador. Vamos ver o que o povo acha. Agora, para Governo do Estado, eu tenho meu candidato, que é o Capitão Wagner. Nós temos uma oposição competitiva.

O Otimista – Mas o senador Tasso Jereissati, líder do PSDB no Ceará, está próximo do grupo Ferreira Gomes. Como vai ser essa conversa?
Roberto – Durante o pleito municipal, nós apresentarmos um manifesto ao Tasso, com apoio ao Capitão Wagner. Ele não aceitou. Eu respeitei e continuo respeitando. Mas meu apoio para o Governo do Estado vai para o Wagner.

Apelidos, narrativas e juízo de valor

Com dois deputados pedetistas e um petista no comando, a chamada “CPI do Motim” foi instalada na Assembleia do Ceará / Paulo Rocha/Ascom/AL-CE

Jornalistas têm uma espécie de fetiche por números redondos e apelidos. É verdade que os dois artifícios facilitam a vida de quem tem de espremer sínteses de conteúdos em pequenos espaços, com o máximo de entendimento e o mínimo de ruído ou ambiguidade na mensagem que pretendem passar adiante. Mas, em alguns casos, a alcunha vira, em si, uma narrativa. Portanto, transforma-se em juízo de valor sobre o que se pretende informar ao respeitado público. São vários os casos, entre os quais se destacam desde os “Anões do Orçamento”, na década dos anos 1990, aos três baluartes do noticiário dos últimos tempos: “Operação Lava Jato”, “Mensalão” e “CPI da Covid”.

Em terras alencarinas, o jornalismo pregou, para sempre, o rótulo “Dólares na Cueca” ao episódio em que um assessor parlamentar foi flagrado, num aeroporto de São Paulo, com células da moeda americana em vestes íntimas. Mais de uma década e meia depois, eis que o fenômeno está de volta. Meio que um veículo de imprensa seguindo o outro, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada na Assembleia Legislativa do Ceará, com o objetivo de investigar repasses financeiros para entidades ligadas a forças de segurança, mais do que de repente foi batizada de “CPI do Motim”. Trata-se de uma pecha que se não é de caso pensado, ingênua também não é.

Sobre perfis parlamentares
Sob o ângulo do desenvolvimento, gestão pública e iniciativa privada são peças da mesma engrenagem. O Estado tem, entre outras funções, além da arrecadação pura e simples, a distribuição de bens e serviços. Em qualquer época ou lugar, governos constituídos são o principal indutor dos avanços econômicos e sociais, independentemente de outras variáveis e atribuições, a exemplo do poder de polícia e representação etc. Aqui nasce o grande problema de nossas representações parlamentares. A maioria tem visão excludente, pouco dialogada ou mesmo amadurecida diante dessa dinâmica.

CPI será judicializada
Não restam dúvidas de que a CPI da Covid será judicializada. Não somente porque será o desfecho de um rito que começou com a própria instalação do colegiado. Mas, principalmente, porque os bolsonaristas, além de terem jogado a toalha no ambiente da comissão, propriamente, estão vendo na briga – mais uma -, nos tribunais uma trincheira extra para alimentar os seguidores.

Uma CPI, dois relatórios
Na esteira da judicialização da CPI da Covid, também está dado que teremos o relatório final oficial, assinado pelo relator Renan Calheiros (MDB-AL), e o relatório paralelo, que vem sendo preparado por palacianos. Tanto um quanto o outro não deve surpreender. Cada lado no seu palanque, oferecerá sua visão e versão sobre os fatos – para além da verdade factual.

Economia é parceria

Deputado federal pelo PDT, licenciado do mandato, Mauro Filho é titular do Planejamento e Gestão do Ceará

Em recente evento “Trends Experience” para empresários, realizado em Fortaleza, Mauro Benevides Filho, secretário estadual de Planejamento e Gestão, destacou a parceria com o setor privado para o desenvolvimento regional. “Geramos mais empregos quando nos desenvolvemos economicamente com a gestão do governo. É consequência, na verdade. Isso, o Ceará tem, além de outros pontos, inspirado no resto da nação”, ressaltou.

MP 1017/20: os impactos econômicos e os dividendos políticos

Deputado Danilo Forte (d, PSDB-CE) colhe os bônus da relatoria da MP/Najara Araújo/Câmara dos Deputados

Da coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta segunda/9:

O enredo do financiamento transformou-se, vários capítulos de crises depois, em inadimplência. O Ceará não fugiu ao trágico roteiro. Assim nasceu a novela do Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor) e do Fundo de Investimentos da Amazônia (Finam). Felizmente, o drama caminha para um final feliz. Graças à Medida Provisória 1017/20, relatada pelo deputado federal Danilo Forte (PSDB-CE) – e já desdobrada em portaria, com resultados práticos -, as empresas quitarão os débitos com até 80% de desconto ou negociarão as pendências com redução de 75%. A portaria exclui bônus, multas, juros de mora e encargos por inadimplência.

Pleito antigo do setor industrial, a medida vai beneficiar cerca de 300 empreendimentos no Ceará, ajudando a manter ou criando em torno de 5 mil empregos. Mais: além de resolver o estoque de gargalos financeiros, a MP relatada por Danilo olha para frente, já que abre espaço para que outras 1.700 empresas também se beneficiem com a medida, já em vigor. E não poderia ter chegado em melhor hora, justamente quando o País se reorganiza para retomar – ou acelerar – várias atividades econômicas, rumo à recuperação. Em tempo: com os resultados esperados, não será surpresa se parte do PIB do Estado quiser Danilo de volta à Câmara, a partir de 2023.

Copa América, Yamaguchi, Luana, pronunciamento e Pazuello

A médica, que depôs no último dia 2, foi um dos pontos altos da semana / LEOPOLDO SILVA/AGÊNCIA SENADO

A semana, embora com feriado, de curta não teve nada. Principalmente, na política, onde vai chegando ao fim com fortes emoções. Já no primeiro dia útil, ainda sob o calor dos protestos do final de semana contra o governo do presidente Bolsonaro, o país da covid foi balançado com a notícia de que sediaria a Copa América de Futebol. Por questões óbvias, “inacreditável” foi um dos termos mais lidos e ouvidos. Não pelo esporte mais popular do mundo e do Brasil, mas por uma gritante questão de saúde pública, colocada em segundo plano. Veio terça-feira e, com ela, a bolsonarista Nise Yamaguchi, na CPI da Covid. Dispensa comentários.

Na quarta-feira, Luana Araújo, na mesma CPI, jantou o obscurantismo bolsonariano. Educada, mas firme, de forma técnica e didática, ao mesmo tempo, a mineira desmontou o lego governista, peça por peça. Com lucidez e objetividade sem precedentes na comissão, só faltou desenhar para os senadores e os milhões de brasileiros que acompanharam o depoimento-palestra. Na noite da mesma quarta ainda teríamos o pronunciamento do presidente, numa mistura de desfaçatez e reação à batata assada. Pula para esta quinta-feira (3), em que o Exército, sob pressão do presidente da República, decide não punir Eduardo Pazuello por ato político no Rio.

Para não jogar no campo do adversário
O alto comando do condomínio governista que dá as cartas na política do Ceará só deverá começar a se movimentar, efetivamente, no segundo trimestre do ano que vem. A não ser que o alinhamento partidário nacional precipite a montagem de palanques locais. Mas, não é esse o cronograma oficial esperado. Quem está no poder sempre tentará, de preferência, impor o próprio calendário. O contrário é, literalmente, entrar no jogo jogando no campo do adversário – um começo reativo complicador. Meu governo, minhas regras, no meu tempo. Simples assim.

Os rumos da sucessão de Camilo Santana
Pela lógica do revezamento, o PDT, maior partido dentro do grupo cirista, deverá lançar o sucessor do governador petista Camilo Santana. Ao atual chefe do Executivo caberá a vaga de senador. A tese é defendida pelo presidente pedetista no Ceará, deputado federal André Figueiredo. O desenho deixa de fora o senador em reta final de mandato, Tasso Jereissati (PSDB).

Sobre apoio de prefeitos a deputados
Prefeitos de municípios de médio porte para cima deveriam ser mais criteriosos para com seus candidatos a deputado estadual e federal. Assediados, costumam fazer palanque para mais de um postulante. No final das contas, pulverizam o apoio eleitoral, fragilizando-se, politicamente, diante de seus representantes nos parlamentos. A gestão sofre e ele não pode reclamar.

CPI e Bolsonaro: saldo negativo e sinais preocupantes

Renan já teria elementos para relatório contundente / LEOPOLDO SILVA/AGÊNCIA SENADO

A CPI da Covid está programada para durar 90 dias – quase 13 semanas, das quais somente duas se passaram até agora. Ainda há pela frente, portanto, muitos depoimentos, bate-bocas e baixarias, assim como colheitas de evidências – ou não – de eventuais responsabilidades políticas e judiciais do governo Bolsonaro no manejo da pandemia. Mas, tomando-se como base o que já foi ouvido e visto até aqui, os trabalhos começaram muito bem para a oposição e muito mal para o governo. Assessoramento paralelo no Palácio do Planalto, tentativa de fraudar bula da cloroquina e a comprometedora carta da Pfizer às autoridades brasileiras são somente parte do problema.

Para além destes elementos concretos, os sinais menos tangíveis, emitidos pelos aliados, são ainda mais preocupantes. A começar pelo posicionamento pouco aguerrido na CPI. Em menor número, a defesa do governo tem dificuldade em se contrapor à narrativa que está sendo construída, segundo a qual, de duas, uma: ou Bolsonaro foi omisso por incompetência ou não atuou de caso pensado, dentro de uma estratégia traçada, para se alcançar a tal imunidade de rebanho. Isso, às custas de centenas de milhares de vidas humanas brasileiras. Some-se a isso a verborragia de baixo calão do presidente e companhia contra a CPI e a rota de fuga do ex-ministro Eduardo Pazuello.

Tem cearense no Conselho da ABI
O Ceará tem, desde esta quinta-feira (13), assento no Conselho Deliberativo da centenária Associação Brasileira de Imprensa (ABI), com a posse do jornalista Salomão de Castro, presidente da entidade em nível de Estado. É uma conquista, haja vista ser a ABI, historicamente, dominada por profissionais do Rio de Janeiro. No Nordeste, somente dois estados – o outro é Pernambuco -, conseguiram o feito. Em tempo: a ABI mantém inflamado discurso pela liberdade de expressão. Apoiado. Mas deveria dar o bom exemplo e se permitir democratizar, com vozes de todo o Brasil.

E assim se passou um quarto de século
Os 25 anos da urna eletrônica, comemorados esta semana, é um marco na linha do tempo democrático do País. Velho conhecido de pelo menos duas gerações de eleitores brasileiros, o sistema segue firme, forte, seguro e auditável. Nosso modelo de votação e apuração é reconhecido mundialmente. À exceção dos obtusos plantonistas do atraso.

As paredes como testemunhas
O edifício Deputado Adauto Bezerra, sede do Poder Legislativo no Ceará, fez 44 anos nesta quinta-feira (13). Como bem metaforizou o presidente da Casa, Evandro Leitão (PDT), o prédio “é testemunha de uma história recente do Ceará”. Sem dúvidas. Não foram poucos os embates, acordos, votações, alegrias e surpresas ali vividos, frutos dessa coisa chamada democracia.

CPI da Covid no Senado vai dividir atenção com licenciamento ambiental na Câmara

Novo marco será votado na próxima semana / MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL

Com todos os holofotes nacionais – e até internacionais -, direcionados para a CPI da Covid no Senado Federal, a Câmara dos Deputados vem sendo ofuscada no noticiário, uma vez que saiu do centro do debate político nacional. Mas isso deve mudar esta semana. Segundo consta na pauta definida pelo presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), deverá ser votado o novo licenciamento ambiental do País. A ideia é estabelecer normas gerais para empreendimentos ou atividades que use recursos ambientais e possa, efetiva ou potencialmente, sob quaisquer formas, poluir ou causar degradação do meio ambiente. Eis o tamanho da polêmica e potencial de embates.

Por outro lado, embora também importantes, os depoimentos marcados para esta semana na CPI passam longe do peso de ex-ministros e do atual titular da pasta da Saúde, sobre mandos e desmandos no manejo da pandemia de covid-19 que colaboraram para a mortandade humana que se verifica. A não ser que o também ex-chefe da área, o general Eduardo Pazuello, a cereja do bolo, sente-se diante dos senadores nos próximos dias. A possibilidade é remota, embora seja forte a vontade de alguns parlamentares, considerando-se a desfaçatez com que o estrelado verde-oliva justificou o adiamento do depoimento. Mas tudo indica que o “Dia D” seja mesmo 19 próximo.

O reality show da vida real
Com todas as data maxima venia, CPIs funcionam no modelo reality show: no início atraem muita audiência, para a divulgação da lista de participantes, definição de regras – algumas novas -, e primeiras atrações. Nesse período, há, inclusive, muitas transmissões ao vivo pelos canais de televisão. A atenção se mantém por mais uma ou duas semanas. Depois, passa a sustentar-se nos pontos altos, que podem ser brigas e intrigas entre os próprios participantes, quem vai ou não para o sacrifício e, principalmente, quem será o grande vitorioso ou derrotado.

Próximos capítulos
Estão na prancheta da CPI da Covid para os próximos dias Fábio Wajngarten (ex-Comunicação), Ernesto Araújo (ex-Itamaraty) e os atuais Antonio Barra Torres (Anvisa) e Mayra Pinheiro (Gestão do ministério). Esta última, ex-filiada ao PSDB-CE e atualmente próxima do senador Eduardo Girão (Podemos), terá muito o que explicar no polêmico uso da cloroquina.

O pecado do pregador
É preceito bíblico: a quem muito foi dado, muito será pedido. Foi assim com o então ex-juiz Sérgio Moro, que tomou partido nas decisões judiciais, e o governador cassado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, ímprobo. Bem vindo à lista Marcelo Queiroga, que antes de ser ministro da Saúde, é médico, sob cujo juramento comprometeu-se a defender a vida, de forma ética.

Semana na CPI da Covid pode ser decisiva para Bolsonaro

Os médicos Teich e Mandetta foram ministros da Saúde do governo Bolsonaro/AGÊNCIA BRASIL

Esta semana será uma das mais longas e complicadas – provavelmente, também decisivas -, do governo Bolsonaro. Nesta terça-feira (4), sentarão no banco das testemunhas da CPI da Covid no Senado os ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich. O primeiro, principalmente, por ser profundo conhecedor dos bastidores da dramática crise sanitária nacional e, político de carreira, ter explícitos interesses eleitorais em 2022. O segundo, que teve passagem relâmpago pela pasta, deverá somente cumprir a tabela dos depoimentos – afora o fato de ter desenvolvido uma espécie de fetiche por testes anticovid-19 – era o monotema do então ministro.

A atração principal, entretanto, se dará na quarta-feira (5) quando, diante dos senadores, deverá estar o general da reserva Eduardo Pazuello que, por ter juízo, obedeceu a quem podia mandar, como o próprio chegou a afirmar publicamente. Será um dia de CPI inteiramente reservado ao especialista em logística do Exército Brasileiro. Pode até nem ser o suficiente. Terá muito o que explicar um chefe de ministério que recebeu o posto (16/maio/2020) com 233 mil casos e 15.633 óbitos e o entregou (15/março/2021) com 11,5 milhões de infectados e quase 280 mil mortes. Desde então, o Brasil passou a ocupar o 2º lugar em letalidade e fatalidade na pandemia.

A galinha, a pata e as gestões públicas
É conhecida no mercado de comunicação a “lição de marketing”, segundo a qual ovo de galinha não é tão nutritivo quanto o de pata, além de ser menor. Mesmo assim, é muito mais consumido e está em todo supermercado, e não somente na feirinha de rua. A explicação estaria no cacarejo da primeira e no silêncio da segunda, quando cada uma produz o respectivo ovo. Nos governos em geral acontece muito isso. Nos bastidores, não é raro se ouvir lamentações de ações exitosas, mas de pouca ou nenhuma visibilidade. Sempre há uma ou outra galinha rodeada de patas.

Política e religião 1
Líderes de centro-esquerda nacionais articulam ofensivas com foco em um nicho estratégico para Bolsonaro: o público evangélico, que garante em torno de um terço do eleitorado ao presidente. Nas mensagens, em vários formatos e plataformas, deverá estar a defesa da vida – um ponto central de todos os credos -, em meio à trágica pandemia, minimizada pelo Planalto.

Política e religião 2
Bolsonaro e os seus não pretendem esperar o desgaste chegar. Numa espécie de antecipação à estratégia dos adversários, já planeja uma aproximação ainda maior com este público, onde é franco favorito à reeleição, com visitas a grandes templos de todo o País. Mas muito vai depender, claro, do andamento da CPI, que pode, no pior dos mundos, afastar o fiel eleitorado.