Copa América, Yamaguchi, Luana, pronunciamento e Pazuello

A médica, que depôs no último dia 2, foi um dos pontos altos da semana / LEOPOLDO SILVA/AGÊNCIA SENADO

A semana, embora com feriado, de curta não teve nada. Principalmente, na política, onde vai chegando ao fim com fortes emoções. Já no primeiro dia útil, ainda sob o calor dos protestos do final de semana contra o governo do presidente Bolsonaro, o país da covid foi balançado com a notícia de que sediaria a Copa América de Futebol. Por questões óbvias, “inacreditável” foi um dos termos mais lidos e ouvidos. Não pelo esporte mais popular do mundo e do Brasil, mas por uma gritante questão de saúde pública, colocada em segundo plano. Veio terça-feira e, com ela, a bolsonarista Nise Yamaguchi, na CPI da Covid. Dispensa comentários.

Na quarta-feira, Luana Araújo, na mesma CPI, jantou o obscurantismo bolsonariano. Educada, mas firme, de forma técnica e didática, ao mesmo tempo, a mineira desmontou o lego governista, peça por peça. Com lucidez e objetividade sem precedentes na comissão, só faltou desenhar para os senadores e os milhões de brasileiros que acompanharam o depoimento-palestra. Na noite da mesma quarta ainda teríamos o pronunciamento do presidente, numa mistura de desfaçatez e reação à batata assada. Pula para esta quinta-feira (3), em que o Exército, sob pressão do presidente da República, decide não punir Eduardo Pazuello por ato político no Rio.

Para não jogar no campo do adversário
O alto comando do condomínio governista que dá as cartas na política do Ceará só deverá começar a se movimentar, efetivamente, no segundo trimestre do ano que vem. A não ser que o alinhamento partidário nacional precipite a montagem de palanques locais. Mas, não é esse o cronograma oficial esperado. Quem está no poder sempre tentará, de preferência, impor o próprio calendário. O contrário é, literalmente, entrar no jogo jogando no campo do adversário – um começo reativo complicador. Meu governo, minhas regras, no meu tempo. Simples assim.

Os rumos da sucessão de Camilo Santana
Pela lógica do revezamento, o PDT, maior partido dentro do grupo cirista, deverá lançar o sucessor do governador petista Camilo Santana. Ao atual chefe do Executivo caberá a vaga de senador. A tese é defendida pelo presidente pedetista no Ceará, deputado federal André Figueiredo. O desenho deixa de fora o senador em reta final de mandato, Tasso Jereissati (PSDB).

Sobre apoio de prefeitos a deputados
Prefeitos de municípios de médio porte para cima deveriam ser mais criteriosos para com seus candidatos a deputado estadual e federal. Assediados, costumam fazer palanque para mais de um postulante. No final das contas, pulverizam o apoio eleitoral, fragilizando-se, politicamente, diante de seus representantes nos parlamentos. A gestão sofre e ele não pode reclamar.

Semana na CPI da Covid pode ser decisiva para Bolsonaro

Os médicos Teich e Mandetta foram ministros da Saúde do governo Bolsonaro/AGÊNCIA BRASIL

Esta semana será uma das mais longas e complicadas – provavelmente, também decisivas -, do governo Bolsonaro. Nesta terça-feira (4), sentarão no banco das testemunhas da CPI da Covid no Senado os ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich. O primeiro, principalmente, por ser profundo conhecedor dos bastidores da dramática crise sanitária nacional e, político de carreira, ter explícitos interesses eleitorais em 2022. O segundo, que teve passagem relâmpago pela pasta, deverá somente cumprir a tabela dos depoimentos – afora o fato de ter desenvolvido uma espécie de fetiche por testes anticovid-19 – era o monotema do então ministro.

A atração principal, entretanto, se dará na quarta-feira (5) quando, diante dos senadores, deverá estar o general da reserva Eduardo Pazuello que, por ter juízo, obedeceu a quem podia mandar, como o próprio chegou a afirmar publicamente. Será um dia de CPI inteiramente reservado ao especialista em logística do Exército Brasileiro. Pode até nem ser o suficiente. Terá muito o que explicar um chefe de ministério que recebeu o posto (16/maio/2020) com 233 mil casos e 15.633 óbitos e o entregou (15/março/2021) com 11,5 milhões de infectados e quase 280 mil mortes. Desde então, o Brasil passou a ocupar o 2º lugar em letalidade e fatalidade na pandemia.

A galinha, a pata e as gestões públicas
É conhecida no mercado de comunicação a “lição de marketing”, segundo a qual ovo de galinha não é tão nutritivo quanto o de pata, além de ser menor. Mesmo assim, é muito mais consumido e está em todo supermercado, e não somente na feirinha de rua. A explicação estaria no cacarejo da primeira e no silêncio da segunda, quando cada uma produz o respectivo ovo. Nos governos em geral acontece muito isso. Nos bastidores, não é raro se ouvir lamentações de ações exitosas, mas de pouca ou nenhuma visibilidade. Sempre há uma ou outra galinha rodeada de patas.

Política e religião 1
Líderes de centro-esquerda nacionais articulam ofensivas com foco em um nicho estratégico para Bolsonaro: o público evangélico, que garante em torno de um terço do eleitorado ao presidente. Nas mensagens, em vários formatos e plataformas, deverá estar a defesa da vida – um ponto central de todos os credos -, em meio à trágica pandemia, minimizada pelo Planalto.

Política e religião 2
Bolsonaro e os seus não pretendem esperar o desgaste chegar. Numa espécie de antecipação à estratégia dos adversários, já planeja uma aproximação ainda maior com este público, onde é franco favorito à reeleição, com visitas a grandes templos de todo o País. Mas muito vai depender, claro, do andamento da CPI, que pode, no pior dos mundos, afastar o fiel eleitorado. 

STF, Senado, CPI e Anvisa: argumentos e incoerências

A sede da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, em Brasília

Nunca tivemos, no Brasil, ambiente político tão judicializado nem decisões judiciais tão politizadas. A preocupante troca de sinais demonstra que, no jogo do poder, o interesse público foi deixado de lado, assim como a boa técnica perdeu espaço para o subjetivismo. Tudo isso, com força para arrastar quase toda a sociedade brasileira para a reducionista triagem, que separa “os contra” dos “a favor”. A partir deste princípio, os arautos do “nós contra eles” tentam organizar o restante, não importando quanta incoerência ou visão distorcida isso possa representar. Vejamos quatro exemplos recentes, no âmbito do STF e da Anvisa, que atestam a cegueira ideológica por que passa o País.

Muitos aplaudiram quando o ministro Luiz Roberto Barroso (STF) determinou a instalação da CPI da Covid pelo Senado. Mas foram contra quando um governista foi ao mesmo Supremo impedir que um dos membros da comissão ocupasse um dos postos mais relevantes do colegiado. Argumento: invasão de questões Interna Corporis. Em janeiro, quando a Agência de Vigilância acatou o pedido do Butantan e autorizou a produção e aplicação no Brasil da chinesa CoronaVac, o aspecto técnico foi enaltecido. O discurso em defesa da agência, entretanto, mudou, quando a mesma agência, também citando aspectos técnicos, negou aval à russa Sputnik V.

A reforma tributária, by Ciro Gomes
A 3ª edição do “Ciclo de Estudos sobre a Reforma Tributária – CERT” abordará as propostas em tramitação no Congresso Nacional. No centro das atenções, o ex-ministro e pré-presidenciável Ciro Gomes (PDT) abordará “Reforma Tributária na perspectiva do Ministério da Economia”. Professor de Direito Tributário e Constitucional, o pedetista elencará vantagens e desvantagens, para o comércio e sociedade em geral, da proposta em curso. A promoção é da CDL-Fortaleza e Faculdade CDL. Nesta quinta-feira (29), às 18h, no canal da CDL no Youtube.

Quando novembro chegar
Segundo dados da OAB-CE, a ESA, braço educacional da instituição, fez bonito de janeiro até aqui, com milhares de alunos inscritos em vários cursos. Mas isso é o de menos. Importante é a política de descontos na anuidade, paridade de gênero e participação feminina, temas que deverão ser explorados pela oposição, na campanha eleitoral de novembro.

Sobre palavras e exemplos
Numa corrente do bem e contra a covid-19, a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, Regional Ceará (Sbot-CE) associou-se à Associação Médica Cearense (AMC) na doação de capacetes Elmos a instituições públicas do Estado. Na pandemia, a sociedade vem mostrando o que tem de melhor. Palavras convencem, exemplos arrastam.