E assim se formou o resultado do 2º turno em Fortaleza

Sarto e Capitão: estratégias, erros e acertos na corrida pela Prefeitura de Fortaleza

Capitão Wagner: da liderança à desconstrução
O candidato do Pros começou a campanha com astral lá em cima, para segurar a liderança nas pesquisas. Ele sabia que viriam as pesadas tentativas de desconstrução – como vieram. No meio do processo, começou a acusar o golpe, até que, sem outra opção, partiu para a tardia defensiva. Por fim, foi ao contra-ataque, já sem forças e tempo para reverter o cenário desfavorável.

José Sarto: três etapas e duas metas a cumprir
O candidato do PDT seguiu o script que qualquer candidato na condição dele seguiria: apresentação ao grande público, no início; associação aos bem avaliados Roberto Cláudio e Camilo Santana no meio do processo e, por fim, ser propositivo. Além disso, tinha diante de si duas metas claras: passar Luizianne Lins (PT) no primeiro turno e derrotar o Capitão no segundo.

Dois políticos, com méritos semelhantes e visões diferentes sobre o mesmo cenário

Eduardo Girão e André Figueiredo: visões diferentes, méritos parecidos

O senador Eduardo Girão (Podemos) é um missionário da política. Imagina-se à frente de um projeto cujos frutos vão além dos colhidos nos pragmáticos jogos do poder. Abraça causas ligadas aos valores sociais, da família e da vida. É conservador. Convicto do que pensa e defende, empunha a bandeira da renovação na política, por acreditar que a alternância oxigena a democracia. Neste 2020 eleitoral, Girão coordena a campanha do candidato do Pros à Prefeitura de Fortaleza, Capitão Wagner.

O deputado federal André Figueiredo (PDT) é um trabalhista raiz, da linhagem direta do velho e inspirador Leonel Brizola. Profundo conhecedor dos meandros brasilienses, é um dos “cabeças” da Câmara dos Deputados e já despachou na Esplanada dos Ministérios. Admirado por aliados e respeitado por adversários, abraça o revolucionário projeto educacional encabeçado pelos Ferreira Gomes no Ceará. André preside o partido que pretende dar continuidade, com o candidato a prefeito, José Sarto, ao projeto vitorioso em Fortaleza – a mais importante cidade administrada pelo PDT.

Mesmo com estradas, visões, histórias de vida e times de futebol diferentes, Girão e André são dois homens da boa política. Nos últimos dias, ambos dividiram um pouco de sua experiência de vida pública com os telespectadores da TV Otimista, no programa Eleições 2020, apresentado por este colunista. Em edições diferentes, cada um defendeu, com estatura, seu candidato, mostrando que é possível fazer política com “P” maiúsculo.

Quiseram as circunstâncias que o senador e o deputado federal estivessem, nesta acirrada campanha, atuando em campos diferentes – não em campos certo ou errado. São dois políticos parecidos nos méritos, mas com visões diferentes sobre o cenário eleitoral. Provavelmente, até mesmo desejando avanços semelhantes para a Cidade de Fortaleza.

Eleições municipais, padrinhos políticos e institucionalidade

Impessoalidade é um dos princípios legais da gestão pública


Neste pleito eleitoral, em todo o Brasil – particularmente em Fortaleza -, muito se tem ouvido, falado e comentado sobre apadrinhamentos e alianças políticas. Os defensores e o próprio candidato José Sarto (PDT) não perdem a oportunidade para se associarem a Camilo Santana, o principal cabo eleitoral da Capital. Ao mesmo tempo, defenestram o candidato Capitão Wagner (Pros), por este ser identificado com o desgastado Jair Bolsonaro. O candidato do Pros, por sua vez, tenta minimizar a ligação direta que teria com o presidente da República, afirmando ter relações pessoais com o governador e que, prefeito de Fortaleza, buscaria parcerias com o Abolição.

Como se percebe, trata-se, em ambos os lados, de uma mistura gelatinosa de discurso político, ambientado numa campanha eleitoral disputada, com distorção dos papéis institucionais de Município, Estado e União. Da forma como os argumentos são colocados pelos candidatos, parece que as relações políticas de afinidade, simpatia e trato pessoal entre os dirigentes estão acima dos organismos de Estado. Que este pode ser manipulado em nome dos interesses daqueles. Claro que não é para ser assim. Prefeito de qualquer município – especialmente de uma capital -, deve ser tratado de forma isonômica, independentemente da coloração ideológica de seu grupo político.

Pelos princípios legais da administração pública
Prefeito municipal, governador de Estado e presidente da República são figuras regidas pela legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência – os velhos e bons princípios constitucionais que norteiam a administração pública. Outra questão: a legislação prevê repasses financeiros regulares entre os entes – do maior para o menor – nas mais diversas áreas de atuação das gestões. Assim foi feito, justamente, para que, entre outros pontos, processos eleitorais não ameaçassem a estabilidade e o funcionamento dos governos.

Sucessão de RC: circunstâncias que podem explicar o resultado deste domingo

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta sexta/13:

Capitão Wagner (Pros), José Sarto (PDT) e Luizianne Lins (PT): um dos três sucederá o atual prefeito de Fortaleza / Divulgação

Antes de mais nada, algumas questões já postas, que muito remotamente serão contrariadas no próximo domingo (15): a sucessão do prefeito Roberto Cláudio (PDT) será em dois turnos. Os candidatos Capitão Wagner (Pros), José Sarto (PDT) e Luizianne Lins (PT) disputam as duas vagas para a segunda votação no próximo dia 29. Na cotação do dia, Capitão e Sarto irão à segunda rodada de votação. Ou isso ou todos os principais institutos de pesquisa do País, sem exceção, serão desavergonhadamente desmoralizados. Passados três meses, entre os primeiros movimentos concretos de candidaturas e o fim da atual campanha para o primeiro turno, temos a seguinte configuração: dos três prefeituráveis acima, Capitão e Luizianne acertaram muito, mas também cometeram graves erros na pré e na campanha, enquanto Sarto, mesmo com equívocos pontuais, somou muitos bônus em torno de si. Peguemos o elemento candidato a vice-prefeito, por exemplo.

Capitão: indecisão e outras barreiras cobram a fatura
Ao candidato do Pros faltou poder de decisão – foram cotados Mayra Pinheiro, Geraldo Luciano, Heitor Freire etc  -, e sobrou empáfia – desfecho que poderá, inclusive, repercutir na ausência de apoio desses personagens e seus grupos ao Capitão, na hipótese de o deputado federal ir ao segundo round. No auge da campanha, vieram as estocadas do governador Camilo Santana na suposta liderança do motim de parte das tropas da Polícia Militar e outras clássicas tentativas de desconstrução do personagem. Mesmo assim, o Capitão segurou-se, praticamente, no mesmo patamar de onde começou nas intenções de voto.

Luizianne: sem estômago e um pesado fardo para carregar
A Luizianne e seus seguidores faltaram estômago e paciência com potenciais aliados, que poderiam ter lhe rendido preciosos minutos no rádio e TV, além de mais estrutura de campanha. Para complicar um pouco mais, a petista teve de carregar, durante toda a campanha, o fardo da rejeição  – a candidata é líder no amargo quesito – em parte explicada pela natural fadiga de material, por ser ex-prefeita. Aqui há um ponto de incursão: os ataques cirúrgicos desferidos pelos governistas, o que ajuda a explicar a sangria de Luizianne nas intenções de voto fora da margem de erro.

Sarto: as convergências que fizeram o pedetista decolar
E Sarto, o que fez em relação ao candidato a vice? Simples. Seus líderes maiores acoplaram à chapa encabeçada pelo PDT o PSB de Eudoro Santana, pai de Camilo – que indicou Élcio Batista. A isso se somaram a massiva associação do nome do presidente da Assembleia Legislativa – que em si já não é pouca coisa -, a exitosa gestão Roberto Cláudio, a maior coligação partidária – com quase seis centenas de candidatos a vereador -; um latifúndio de tempo no rádio e TV e uma gigantesca estrutura de comunicação e assessoria jurídica. Muito dificilmente poderia resultar em outro desempenho, se não o que as pesquisas mostraram até aqui. Isso, apesar da valsa dançada à beira do abismo pelo grupo de Sarto, quando levou ao limite do tempo a indicação do candidato a prefeito. O pedetista poderia estar melhor posicionado.

O resultado do 1º turno eleitoral e o drama de quem quase chegou lá

Capitão (Pros), Sarto (PDT) e Luizianne (PT): um dos três ficará de fora do segundo turno

De hoje a exatamente uma semana, na próxima segunda-feira (16), Fortaleza amanhecerá com somente dois candidatos, que disputarão entre si, diretamente, a sucessão do prefeito Roberto Cláudio (PDT). Outros nove concorrentes terão ficado para trás. Por um motivo simples: não terão voto suficiente para seguir. Para a maioria dos degolados pelas urnas nem surpresa será. Eles mesmos sabem muito bem que, palavrório de expectativas sobre si mesmos à parte, nunca tiveram chances reais. O dramático mesmo será para o terceiro lugar, competitivo, como mostram todas as pesquisas, que semanas atrás apostava que iria para a segunda etapa da disputa.

A primeira observação relevante sobre os dois candidatos que subirão de nível neste game democrático é que disputa direta, tête-à-tête, não significa, necessariamente, igualdade de condições. Tirando-se a divisão, meio a meio, do tempo de propaganda política, todas as demais variáveis que atuaram até aqui permanecerão no tabuleiro. E até com alguns agravantes. Exemplos: dada a expectativa de poder – e político vive disso -, quem vencer no primeiro turno é, em tese, mais atrativo para apoios dos ex-candidatos majoritários, além do magote de vereadores eleitos e reeleitos. Assim como na natureza, na política, a água costuma correr para o mar.

A restrição da campanha no rádio e televisão
Com senões pontuais, a média das pesquisas de intenção de voto vem mostrando regularidade e consistência na evolução dos postulantes a prefeito de Fortaleza. Do início de outubro até aqui, José Sarto (PDT) subiu, Capitão Wagner (Pros) oscilou para baixo na margem de erro e Luizianne Lins (PT) perdeu fôlego. Por conta da pandemia, a Justiça Eleitoral no Ceará proibiu atos de campanha que aglomere pessoas. Ou seja, tudo ficou, praticamente, restrito ao rádio, TV e internet. Não deixa de ser desfavorável a quem cresce fazendo política na rua.

Com quadro indefinido, Fortaleza vive sob apreensão das pesquisas

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta segunda/26

Pesquisas da semana poderão apontar tendências e movimentos decisivos da disputa / divulgação

A menos de três semanas do resultado do primeiro turno eleitoral, não dá para dizer que entramos no momento decisivo da campanha eleitoral. Com raríssimas exceções, o período crítico é, sempre, o trecho depois da última curva, na cabeceira da reta final. Ou seja, a poucos dias da votação. Particularmente, em Fortaleza, onde o quadro, na cotação do dia, sugere que o próximo prefeito sairá do trio que vem pontuando em dois dígitos nas pesquisas de intenção de voto desde o início: Capitão Wagner (Pros), Luizianne Lins (PT) e José Sarto (PDT). E só. Nem a dupla que irá ao segundo turno dá para cravar.

São três grupos experientes, estruturados, com talentos políticos em cada um deles muito acima da média, com líderes nacionais consolidados e conhecedores do tabuleiro do jogo. Além de – não menos importante -, se conhecerem de verões passados. Mesmo isso considerado, porém, esta semana vem com a expectativa de apreensão, por conta de mais uma rodada de pesquisas. No caso, Datafolha e Instituto Paraná. Estaremos diante de um divisor de águas, porque para muito além da “fotografia do momento”, será possível comparar índices com a mesma metodologia, com tendências e movimentos. Tremei.

Teste de Sarto é recado a candidatos, aviso a eleitores e cobrança à Justiça Eleitoral

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta quarta/7:

Em quarentena, candidato do PDT está atuando na campanha remotamente, pela internet

O teste positivo do candidato José Sarto (PDT) para covid-19 mexeu com a sucessão eleitoral em Fortaleza. Não bastasse o pedetista liderar uma coligação com vistosa musculatura, o presidente da Assembleia Legislativa representa, na disputa, o grupo dos Ferreira Gomes, hegemônico no Ceará – estado reduto de Ciro, na lista dos políticos mais relevantes do País. Com o diagnóstico, aspectos foram redesenhados. Internamente, com redirecionamento de focos e revalidação de agendas, etapas e prioridades. Externamente, com mais atenção aos protocolos sanitários e ao esforço de parecer que tudo segue normal.

O resultado do exame de Sarto também foi sentido entre os demais concorrentes à cadeira de Roberto Cláudio. Não somente pelo momento fair play, em que quase todos os candidatos se solidarizaram com o deputado, publicamente, desejando-lhe plena e rápida recuperação. Os próprios concorrentes deverão, a partir de agora, ser mais cuidadosos. Afinal, todos, sem exceção, estavam tão sujeitos à contaminação quanto o pedetista. Principalmente, os candidatos que vão às ruas com o chamado volume de campanha – aquelas dezenas de pessoas no entorno, vestidos a caráter e com material de divulgação.

Dá para participar sem entrar nas estatísticas
Para os imprudentes que no dia a dia se aglomeram – em torno de candidatos ou não -, sem as precauções mínimas, fica o alerta de que a pandemia ainda não foi embora e qualquer vacilo pode ser fatal. Particularmente, em bairros populares, onde o vírus circula de forma muito mais presente do que nos quadriláteros nobres da apartada Fortaleza. Com a abundância de plataformas online, dá para acompanhar, debater e se comunicar com candidatos, sem precisar entrar para as estatísticas – de infectados ou algo pior.

Banho de água fria nos protocolos
O caso mais relevante até aqui de contágio pelo coronavírus na disputa da Capital foi um banho de água fria nas expectativas da Justiça Eleitoral, quanto à obediência aos protocolos sanitários. O aviso foi dado. Ou as autoridades que organizam e fiscalizam o pleito agem agora ou, no limite, poderemos ter o recrudescimento da situação.

Sem regras seguras, abstenção será recorde
Daqui a seis semanas e meia teremos o 1º turno das eleições. Não será surpresa se depois de uma campanha insegura do ponto de vista sanitário, os índices de abstenção ultrapassarem as últimas médias. A Justiça Eleitoral, que faz campanha pela presença maciça de eleitores às urnas, precisa ajustar as regras de anticovid-19.

Como o batismo das coligações ajuda a definir as estratégias eleitorais

Da coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta quarta/23:

Os dois palanques mais competitivos: “Uma Fortaleza de Todos” versus “Fortaleza Cada Vez Melhor”

No Brasil, planos de governo dos candidatos a cargos majoritários (prefeito, governador e presidente) têm dois objetivos: cumprir a exigência cartorial da Justiça Eleitoral e servir como peça de marketing para a campanha. São, no máximo, intenções protocolares. Tanto que nenhum gestor até hoje foi punido por não cumprir o que prometeu em papel carimbado. Voltaremos a este rico ponto em outra edição. Por ora, vale a deixa de que é no registro das plataformas administrativas que se conhece o batismo da coligação. Uma espécie de ideia-síntese, de onde sairão as estratégias de comunicação com o grande público.

Candidato da situação, José Sarto (PDT) lidera a coligação “Fortaleza Cada Vez Melhor”. A mensagem política é muito clara: com o pedetista no Paço Municipal, a partir de janeiro de 2021, o conjunto de parâmetros e avanços da atual gestão, vistos por seus defensores, será ampliado. Para o principal nome da oposição, Capitão Wagner (Pros), não é bem assim. Encabeçando a coligação “Uma Fortaleza de Todos”, o candidato do Pros terá como linha mestra da plataforma o combate à desigualdade socioeconômica da Capital que, na avaliação de seus aliados, será a prioridade numa eventual gestão Wagner.

Da “Ordem” de Freire à “Luta” de Roseno

Correndo em raias diametralmente opostas, as coligações puxadas por Heitor Freire (PSL-PRTB) e Renato Roseno (Psol-PCB) reforçam a ideia de que o batismo da coligação diz muito dos motes que as candidaturas pretendem explorar durante a campanha. À direita, o candidato do PSL, da “Coligação Fortaleza Livre”, aposta no tripé “Ordem, Amor e Progresso”. Já o combativo esquerdista do Psol, da aliança “Organizar a Luta e a Esperança” vai do debate sobre política à ressignificação dos espaços da Cidade.

Eleições em Fortaleza: como estão distribuídos os principais cabos eleitorais

Prefeito Roberto Cláudio (C) será um dos principais transferidores de voto para chapa José Sarto – Élcio Batista

Da coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta segunda/21:

Assunto tão velho quanto a política, a influência do líder local, regional ou nacional, sempre será debatida em disputas eleitorais. Também conhecidos como transferidores de voto, são figuras centrais, às quais candidatos, expressivos ou não, buscam se associar. Do outro lado, os apoiadores de luxo acabam fazendo testes de prestígio e poder, perante a opinião pública e as urnas, como uma espécie de ensaio geral das próprias pretensões futuras. Nas eleições municipais em Fortaleza, é visível o conjunto de forças políticas que se associaram aos principais candidatos ao Paço Municipal.

O prefeito Roberto Cláudio lançou José Sarto à própria sucessão. No palanque estarão Ciro e Cid Gomes – este senador, assim como Tasso Jereissati, e ao menos dez dos 22 deputados federais. Sarto terá a ajuda, indireta, do governador Camilo Santana. Capitão Wagner terá o apoio do senador Eduardo Girão e alguns parlamentares, de quantidade incerta, devido a desencontros partidários. Já a candidata Luizianne Lins terá o apoio de parlamentares do partido e do ex-presidente Lula. Heitor Freire deve se atrelar ao presidente Bolsonaro e Eunício Oliveira vai de Heitor Férrer.

Experiência e confiança política fizeram a diferença a favor de Sarto

Íntegra da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta sexta/11:

Fiel discípulo de Ciro Gomes, atual presidente da Assembleia já foi líder do governo Cid e vice-líder na gestão Camilo / Dário Gabriel-ALCE

“Líder de líderes”, como costuma se referir Ciro Gomes a presidentes de legislativo, José Sarto Nogueira (PDT), natural de Acopiara, médico, poliglota, 61 anos – 30 dos quais de vida pública -, é a aposta do grupo político hoje hegemônico no Ceará para suceder o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT). No sétimo mandato de deputado estadual e discípulo fiel dos Ferreira Gomes, foi líder do governo Cid e vice-líder da gestão Camilo Santana. Em outras palavras, experiência e confiança política pesaram a favor de Sarto, assim como o bom desempenho em pesquisas internas sobre potencial eleitoral.

Desde o início do processo, o presidente da Assembleia esteve entre os mais cotados – justamente por suas ligações com Ciro. Isso quer dizer que o irmão mais velho dos Ferreira Gomes segue no grupo com inabalável poder de decisão. Significa, também, que o anticirismo em Fortaleza foi colocado em segundo plano. Para os adversários, os FGs dobraram a aposta. Mas isso é o de menos. Como disse o prefeito na live de apresentação da chapa majoritária, não será somente uma eleição. Será uma disputa por ideias, projetos, prioridades e o futuro da Capital. Isso, a dupla Sarto-Élcio tem para mostrar.

Vice consolida união do Estado e Prefeitura

Ex-colaborador das gestões Roberto Cláudio e Camilo Santana, o paranaense de Cascavel Élcio Batista, sociólogo, 46 anos, é mais do que uma solução política, num até então nebuloso cenário governista. O ex-chefe da Casa Civil do Estado representa, na aliança PDT-PSB, a simbólica fusão entre duas administrações bem avaliadas. No dia a dia dos dois governos, isso já é uma realidade. Agora, o “Juntos por Fortaleza” da futura chapa Sarto-Élcio passa a ser um mantra a ser explorado pelos estrategistas eleitorais.

Padrinhos políticos e os ecos de 2022

Ciro teve peso diferenciado na definição por Sarto. Já Camilo foi contemplado com a vice para Élcio e a linha sucessória na presidência da Assembleia. E qual parte deste latifúndio coube a Roberto Cláudio? Resposta: a chapa de 2020, sem Samuel Dias – preferido do prefeito -, deixa RC no crédito para a sucessão estadual, em 2022.

Primeira divisão está definida

Estão definidos os corredores de elite da maratona eleitoral em Fortaleza. A preço de hoje, Capitão Wagner (Pros), Luizianne Lins (PT) e Sarto Nogueira (PDT) formam a primeira divisão. Cada um tem o desafio de estar no segundo turno – se a disputa for mesmo em dois tempos. Mas isso, somente as urnas de 15 de novembro dirão.