Eleições municipais, padrinhos políticos e institucionalidade

Impessoalidade é um dos princípios legais da gestão pública


Neste pleito eleitoral, em todo o Brasil – particularmente em Fortaleza -, muito se tem ouvido, falado e comentado sobre apadrinhamentos e alianças políticas. Os defensores e o próprio candidato José Sarto (PDT) não perdem a oportunidade para se associarem a Camilo Santana, o principal cabo eleitoral da Capital. Ao mesmo tempo, defenestram o candidato Capitão Wagner (Pros), por este ser identificado com o desgastado Jair Bolsonaro. O candidato do Pros, por sua vez, tenta minimizar a ligação direta que teria com o presidente da República, afirmando ter relações pessoais com o governador e que, prefeito de Fortaleza, buscaria parcerias com o Abolição.

Como se percebe, trata-se, em ambos os lados, de uma mistura gelatinosa de discurso político, ambientado numa campanha eleitoral disputada, com distorção dos papéis institucionais de Município, Estado e União. Da forma como os argumentos são colocados pelos candidatos, parece que as relações políticas de afinidade, simpatia e trato pessoal entre os dirigentes estão acima dos organismos de Estado. Que este pode ser manipulado em nome dos interesses daqueles. Claro que não é para ser assim. Prefeito de qualquer município – especialmente de uma capital -, deve ser tratado de forma isonômica, independentemente da coloração ideológica de seu grupo político.

Pelos princípios legais da administração pública
Prefeito municipal, governador de Estado e presidente da República são figuras regidas pela legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência – os velhos e bons princípios constitucionais que norteiam a administração pública. Outra questão: a legislação prevê repasses financeiros regulares entre os entes – do maior para o menor – nas mais diversas áreas de atuação das gestões. Assim foi feito, justamente, para que, entre outros pontos, processos eleitorais não ameaçassem a estabilidade e o funcionamento dos governos.

Sucessão de RC: circunstâncias que podem explicar o resultado deste domingo

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta sexta/13:

Capitão Wagner (Pros), José Sarto (PDT) e Luizianne Lins (PT): um dos três sucederá o atual prefeito de Fortaleza / Divulgação

Antes de mais nada, algumas questões já postas, que muito remotamente serão contrariadas no próximo domingo (15): a sucessão do prefeito Roberto Cláudio (PDT) será em dois turnos. Os candidatos Capitão Wagner (Pros), José Sarto (PDT) e Luizianne Lins (PT) disputam as duas vagas para a segunda votação no próximo dia 29. Na cotação do dia, Capitão e Sarto irão à segunda rodada de votação. Ou isso ou todos os principais institutos de pesquisa do País, sem exceção, serão desavergonhadamente desmoralizados. Passados três meses, entre os primeiros movimentos concretos de candidaturas e o fim da atual campanha para o primeiro turno, temos a seguinte configuração: dos três prefeituráveis acima, Capitão e Luizianne acertaram muito, mas também cometeram graves erros na pré e na campanha, enquanto Sarto, mesmo com equívocos pontuais, somou muitos bônus em torno de si. Peguemos o elemento candidato a vice-prefeito, por exemplo.

Capitão: indecisão e outras barreiras cobram a fatura
Ao candidato do Pros faltou poder de decisão – foram cotados Mayra Pinheiro, Geraldo Luciano, Heitor Freire etc  -, e sobrou empáfia – desfecho que poderá, inclusive, repercutir na ausência de apoio desses personagens e seus grupos ao Capitão, na hipótese de o deputado federal ir ao segundo round. No auge da campanha, vieram as estocadas do governador Camilo Santana na suposta liderança do motim de parte das tropas da Polícia Militar e outras clássicas tentativas de desconstrução do personagem. Mesmo assim, o Capitão segurou-se, praticamente, no mesmo patamar de onde começou nas intenções de voto.

Luizianne: sem estômago e um pesado fardo para carregar
A Luizianne e seus seguidores faltaram estômago e paciência com potenciais aliados, que poderiam ter lhe rendido preciosos minutos no rádio e TV, além de mais estrutura de campanha. Para complicar um pouco mais, a petista teve de carregar, durante toda a campanha, o fardo da rejeição  – a candidata é líder no amargo quesito – em parte explicada pela natural fadiga de material, por ser ex-prefeita. Aqui há um ponto de incursão: os ataques cirúrgicos desferidos pelos governistas, o que ajuda a explicar a sangria de Luizianne nas intenções de voto fora da margem de erro.

Sarto: as convergências que fizeram o pedetista decolar
E Sarto, o que fez em relação ao candidato a vice? Simples. Seus líderes maiores acoplaram à chapa encabeçada pelo PDT o PSB de Eudoro Santana, pai de Camilo – que indicou Élcio Batista. A isso se somaram a massiva associação do nome do presidente da Assembleia Legislativa – que em si já não é pouca coisa -, a exitosa gestão Roberto Cláudio, a maior coligação partidária – com quase seis centenas de candidatos a vereador -; um latifúndio de tempo no rádio e TV e uma gigantesca estrutura de comunicação e assessoria jurídica. Muito dificilmente poderia resultar em outro desempenho, se não o que as pesquisas mostraram até aqui. Isso, apesar da valsa dançada à beira do abismo pelo grupo de Sarto, quando levou ao limite do tempo a indicação do candidato a prefeito. O pedetista poderia estar melhor posicionado.

Três categorias de candidato disputam a Prefeitura de Fortaleza

Capitão, Luizianne e Sarto formam o grupo de elite com reais chances de vitória / Montagem sobre Imagens de Internet

Realizada e bancada pelo Instituto Paraná, a primeira pesquisa de intenção de voto para suceder o prefeito Roberto Cláudio (PDT) mostra o seguinte cenário:

ESPONTÂNEA (não são apresentados nomes dos candidatos aos entrevistados)

Não sabe: 58,8%
Ninguém: 11,4%
Capitão Wagner: 12,8%
Luizianne Lins: 5,7%
Sarto: 4,6%
Heitor Férrer: 2,0%
Renato Roseno: 1,4%
Célio Studart: 0,9%
Heitor Freire: 0,8%
Outros nomes citados: 1,6%

ESTIMULADA (são apresentados nomes dos candidatos aos entrevistados)

Não sabe/não respondeu: 5,7%
Nenhum/Ninguém/Branco/Nulo: 13,9%
Capitão Wagner: 35,0%
Luizianne Lins: 14,9%
Sarto: 10,1
Heitor Férrer: 7,3%
Renato Roseno: 4,7%
Célio Studart: 4,5%
Heitor Freire: 2,2
Anízio: 0,5%
Samuel Braga: 0,5%
Paula Colares: 0,4%
José Loureto: 0,3%

Os índices apresentam, nitidamente, que há três categorias na disputa:

Os concorrentes de elite – Capitão Wagner (Pros), Luizianne Lins (PT) e José Sarto (PDT), de onde deverá sair o próximo prefeito.

O segundo escalão – Férrer (PDT), Roseno (Psol) Studart (PV) e Freire (PSL) – construirão um bom recall para as próximas eleições.

Os figurantes – Anízio, Samuel, Paula e Loureto – como o nome diz, vão figurar.

Hoje, estariam no segundo turno Capitão e Luizianne.

Mas hoje é hoje. O primeiro turno está marcado para daqui a 33 dias.

Forram entrevistados 740 eleitores, entre os dias 9 e 11 de outubro.

A pesquisa foi registrada no TSE sob o número CE-07388/2020.

Mais de 70% dos eleitores de Fortaleza ainda não têm candidato a prefeito

Primeiro turno será no dia 15 de novembro / Reprodução de Internet

Primeira de uma série de quatro pesquisas previstas para esta semana, a sondagem do Instituto Paraná para prefeito de Fortaleza mostra que 70,2% dos eleitores não sabem em quem vão votar para suceder o prefeito Roberto Cláudio (PDT).

O índice aparece na modalidade espontânea – quando o instituto pergunta “Se as eleições para Prefeito(a) de Fortaleza fossem hoje, em quem o(a) Sr(a) votaria?”. São três possíveis respostas:

1) Não sabe
2) Ninguém
3) Quem?___________________

A opção “Não sabe” foi marcada por 58,8% dos entrevistados. Outros 11,4% preferiram a resposta “Ninguém”.

Na mesma abordagem, os percentuais de citação dos candidatos a prefeito foram os seguintes:

Capitão Wagner: 12,8%
Luizianne Lins: 5,7%
Sarto: 4,6%
Heitor Férrer: 2,0%
Renato Roseno: 1,4%
Célio Studart: 0,9%
Heitor Freire: 0,8%
Outros nomes citados: 1,6

Na cotação do dia, pode-se dizer que a disputa na Capital está em aberto.

Não surpreende.

Tradicionalmente, o envolvimento do grande público com a disputa eleitoral acontece na reta final da campanha.

Temos muita disputa pela frente, até o 1º turno (15/11) e ainda estamos no início da 2ª semana de propaganda no rádio e TV.

Some-se a isso o 2020 pandêmico. Com tantos medos e sequelas à sua volta, o eleitor, dificilmente, está colocando a votação para prefeito no topo de suas preocupações diárias.

As severas restrições a atos eleitorais de rua – que retardam o envolvimento e o processo de escolha do candidato preferido -, também devem ser consideradas.

Tudo somado, também é previsível que sejam baixos os índices de intenção de voto entre os candidatos.

O Instituto Paraná entrevistou 740 eleitores, de sexta a domingo últimos, sob o registro no TSE CE-07388/2020.

A pesquisa, bancada pelo próprio instituto, foi divulgada na manhã desta segunda/12, pelo site CN7.

Ao longo da semana deveremos ter mais três pesquisas, nessa sequência: Ibope, IBPI e Datafolha.

Bolsonaro-Capitão Wagner: o duvidoso e o certo

O presidente da República: mito para uns, imprestável, para outros

A notícia correu como fogo em rastilho de pólvora, serpenteando-se, rumo à explosão. Em minutos, estava em listas, blogs, sites e bolhas, sempre seguida da inevitável pergunta:

Qual o impacto da declaração de Bolsonaro a favor do candidato a prefeito de Fortaleza, Capitão Wagner (Pros)?

O comentário-padrão, com os devidos intervalos de erro para mais ou para menos, foi o efeito “faca de dois gumes”.

Ou seja, Bolsonaro, mito para uns e imprestável para outros, deve dar votos com uma mão e tirar com outra.

A força como isso acontecerá ninguém nunca saberá, independentemente, inclusive, do resultado eleitoral.

Teremos somente indícios, envolvendo diversos fatores – da qualidade individual de cada candidato ao humor e disposição para ir votar em plena pandemia.

Voltando a Bolsonaro – e sem entrar no mérito do antes impopular presidente:

Onde a notícia sobre o apoio do capitão ao Capitão chegou, mais do que rapidamente deu-se o confronto.

De argumentos plausíveis, no início, à verborragia insana, foram poucas digitadas.

Em vários dos casos, que este blogueiro acompanhou, detrás do poste, deu-se um festival de dedo em riste virtual.

Tudo isso aconteceu somente com a notícia, elaborada às pressas, a partir de truncada fala do presidente.

Imaginemos quando – e se -, o movimento bolsonarista pró-Capitão ganhar as redes e ruas de Fortaleza.

No dia da votação, não se saberá o efeito Bolsonaro nas urnas.

Isso é duvidoso.

Mas um extenso rastro de brigas, intrigas ou algo muito pior terá sido produzido.

Isso é certo.

Campanha eleitoral: as primeiras impressões, variáveis e resultados

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta segunda/28:

Sede da Prefeitura e Câmara Municipal: objetos do desejo de centenas de candidatos

Com o bloco na rua, desde este final de semana, candidatos a prefeito e a vereador de Fortaleza dão, sem trocadilhos, os primeiros passos em busca do tão sonhado mandato. Animais de faro fino, fazem as primeiras visitas e cortejam os potenciais eleitores, numa tentativa de aferir a temperatura do ambiente que os aguarda. Enquadrados – espera-se -, nos protocolos de segurança quanto à pandemia, a maioria se esforça para aparecer bem na foto e vídeo. Ou seja, com uso obrigatório de máscara e sem aglomerações. É o mínimo de quem pretende ser ou se manter autoridade pública.

Atrás das linhas inimigas, entretanto, acontece o jogo pragmático, no qual tem mais chances de vitória quem melhor souber manusear a prancheta e suas intrigantes variáveis. Neste primeiro estágio da campanha na Capital, pelo menos duas estão entre as mais relevantes: o peso dos principais apoiadores e os primeiros resultados da propaganda no rádio, TV e internet. No primeiro caso, é possível mostrar mais ou esconder o cabo eleitoral de luxo – dependendo da situação. No segundo, não é tão simples, por envolver semanas de planejamento e produção, a muitas mãos e muito dinheiro.

Eleições em Fortaleza: como estão distribuídos os principais cabos eleitorais

Prefeito Roberto Cláudio (C) será um dos principais transferidores de voto para chapa José Sarto – Élcio Batista

Da coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta segunda/21:

Assunto tão velho quanto a política, a influência do líder local, regional ou nacional, sempre será debatida em disputas eleitorais. Também conhecidos como transferidores de voto, são figuras centrais, às quais candidatos, expressivos ou não, buscam se associar. Do outro lado, os apoiadores de luxo acabam fazendo testes de prestígio e poder, perante a opinião pública e as urnas, como uma espécie de ensaio geral das próprias pretensões futuras. Nas eleições municipais em Fortaleza, é visível o conjunto de forças políticas que se associaram aos principais candidatos ao Paço Municipal.

O prefeito Roberto Cláudio lançou José Sarto à própria sucessão. No palanque estarão Ciro e Cid Gomes – este senador, assim como Tasso Jereissati, e ao menos dez dos 22 deputados federais. Sarto terá a ajuda, indireta, do governador Camilo Santana. Capitão Wagner terá o apoio do senador Eduardo Girão e alguns parlamentares, de quantidade incerta, devido a desencontros partidários. Já a candidata Luizianne Lins terá o apoio de parlamentares do partido e do ex-presidente Lula. Heitor Freire deve se atrelar ao presidente Bolsonaro e Eunício Oliveira vai de Heitor Férrer.

Eleições em Fortaleza: as estratégias dos principais candidatos à sucessão de Roberto Cláudio

Íntegra da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta quarta/16:

Capitão Wagner, José Sarto, Luizianne Lins, Heitor Férrer e Heitor Freire: diferentes nos perfis, semelhantes no objetivo / montagem

Com candidaturas e alianças finalizadas nesta quarta-feira (16/09), último dia para convenções partidárias, já é possível perceber as linhas gerais que nortearão as estratégias eleitorais dos principais grupos políticos que disputarão a sucessão do prefeito Roberto Cláudio (PDT). Isso porque para cada cenário, impõe-se uma leitura diferente do jogo. Eis o ponto: o desfecho das coligações e apoios surpreendeu, por um lado, e frustrou, por outro. E, assim como na guerra, perfil, armas e moral da tropa do adversário político são o que decidem as táticas no ataque e os métodos de defesa.

Forte nas redes sociais, mas com pouca força partidária e irrisório tempo no rádio e TV – resultado de negociações muito aquém do que esperava -, o candidato Capitão Wagner (Pros) deve jogar muitas de suas fichas no ambiente online. Também explorará a empatia e o carisma pessoais, desenvolvidos ao longo dos últimos anos. Do outro lado do ringue, com atributos diferentes do concorrente do Pros, o candidato José Sarto (PDT) deverá vincular-se, fortemente, aos legados da atual gestão e defesa de continuidade, e contar com depoimentos de aliados de sua robusta base de apoio.

Isolada, Luizianne vai depender muito de si

Se o desfecho não foi o idealizado por Capitão Wagner, o mesmo pode ser dito sobre Luizianne Lins. Depois de muitos impasses internos e externos, o PT vai de chapa pura em 2020 – isso não aconteceu nem em 2004, quando ela foi eleita contra tudo e todos. Resultado: a deputada federal, isolada, politicamente, vai depender muito da força dela mesma para se tornar competitiva, ao longo do processo. E ainda terá de enfrentar um fenômeno que veio à tona, nos últimos dias: o antiluiziannismo no próprio partido.

De assédio para vice a aliado do MDB

Outro que contará com a própria reputação pública nesta disputa pela Prefeitura da Capital é Heitor Férrer (SD) que, em mais de uma oportunidade, rejeitou convite para ser candidato a vice. Mas isso não seria o suficiente. Por isso, fechou apoio de Eunício Oliveira, com seu MDB – sigla com fatia expressiva de tempo no rádio e TV.

Valores familiares e alvos preferenciais

Filiado ao ex-nanico PSL – ex-partido do presidente Jair Bolsonaro -, o candidato Heitor Freire, assumidamente de direita, deve investir pesado na retórica dos valores familiares conservadores e cristãos. Na artilharia do deputado federal também deverão estar ataques a dois de seus alvos preferenciais: cirismo e petismo.

Experiência e confiança política fizeram a diferença a favor de Sarto

Íntegra da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta sexta/11:

Fiel discípulo de Ciro Gomes, atual presidente da Assembleia já foi líder do governo Cid e vice-líder na gestão Camilo / Dário Gabriel-ALCE

“Líder de líderes”, como costuma se referir Ciro Gomes a presidentes de legislativo, José Sarto Nogueira (PDT), natural de Acopiara, médico, poliglota, 61 anos – 30 dos quais de vida pública -, é a aposta do grupo político hoje hegemônico no Ceará para suceder o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT). No sétimo mandato de deputado estadual e discípulo fiel dos Ferreira Gomes, foi líder do governo Cid e vice-líder da gestão Camilo Santana. Em outras palavras, experiência e confiança política pesaram a favor de Sarto, assim como o bom desempenho em pesquisas internas sobre potencial eleitoral.

Desde o início do processo, o presidente da Assembleia esteve entre os mais cotados – justamente por suas ligações com Ciro. Isso quer dizer que o irmão mais velho dos Ferreira Gomes segue no grupo com inabalável poder de decisão. Significa, também, que o anticirismo em Fortaleza foi colocado em segundo plano. Para os adversários, os FGs dobraram a aposta. Mas isso é o de menos. Como disse o prefeito na live de apresentação da chapa majoritária, não será somente uma eleição. Será uma disputa por ideias, projetos, prioridades e o futuro da Capital. Isso, a dupla Sarto-Élcio tem para mostrar.

Vice consolida união do Estado e Prefeitura

Ex-colaborador das gestões Roberto Cláudio e Camilo Santana, o paranaense de Cascavel Élcio Batista, sociólogo, 46 anos, é mais do que uma solução política, num até então nebuloso cenário governista. O ex-chefe da Casa Civil do Estado representa, na aliança PDT-PSB, a simbólica fusão entre duas administrações bem avaliadas. No dia a dia dos dois governos, isso já é uma realidade. Agora, o “Juntos por Fortaleza” da futura chapa Sarto-Élcio passa a ser um mantra a ser explorado pelos estrategistas eleitorais.

Padrinhos políticos e os ecos de 2022

Ciro teve peso diferenciado na definição por Sarto. Já Camilo foi contemplado com a vice para Élcio e a linha sucessória na presidência da Assembleia. E qual parte deste latifúndio coube a Roberto Cláudio? Resposta: a chapa de 2020, sem Samuel Dias – preferido do prefeito -, deixa RC no crédito para a sucessão estadual, em 2022.

Primeira divisão está definida

Estão definidos os corredores de elite da maratona eleitoral em Fortaleza. A preço de hoje, Capitão Wagner (Pros), Luizianne Lins (PT) e Sarto Nogueira (PDT) formam a primeira divisão. Cada um tem o desafio de estar no segundo turno – se a disputa for mesmo em dois tempos. Mas isso, somente as urnas de 15 de novembro dirão.

Dez variáveis da sucessão em Fortaleza

Indefinições persistem a 11 dias do encerramento do prazo para definição de candidaturas / Divulgação

Num cenário político indefinido e bagunçado tal qual o da Capital do Ceará, tudo pode acontecer – inclusive nada. Vejamos alguns pontos.

1 – O PDT lançou cinco pré-candidatos – Idilvan Alencar, José Sarto, Salmito Filho, Samuel Dias e Ferruccio Feitosa -, mas o ungido pode ser de outro partido.

2 – Sendo o candidato governista um não pedetista, entram no páreo Élcio Batista (PSB), Alexandre Pereira (Cidadania), Anízio Melo (PCdoB) e Célio Studart (PV).

3 – Sim, Célio é um pré-candidato governista. A não ser que seja considerado um aliado de segunda categoria.

4 – Capitão Wagner vai definir o nome a vice depois de conhecida a chapa governista.

5 – O nome pedetista depende, diretamente, do imbróglio com o PT de Luizianne Lins. O impasse pode definir a chapa de 2020 e impactar na sucessão do governador Camilo Santana, em 2022.

6 – Com Luizianne candidata, o cenário é de uma forma. Sem a ex-prefeita concorrendo, as perspectivas são outras. Isso vale, inclusive, para a definição do nome pedetista.

7 – Governistas e o opositor Capitão Wagner (Pros) travam um duelo nos bastidores, cada lado querendo o apoio do PSDB, que levará o DEM a tiracolo.

8 – Só para complicar um pouco mais, o PSDB, a noiva mais cobiçada destas eleições em Fortaleza, depois do PT, diz não subir no mesmo palanque do… PT.

9 – O PT tenta atrair algum nome para vice – do PCdoB de Anízio ao MDB de Eunício Oliveira, passando pelo Solidariedade de Heitor Férrer.

10 – O MDB conversa com todas as forças. Seu controlador, Eunício tem arestas com os Ferreira Gomes e o prefeito Roberto Cláudio.

Tudo isso a 11 dias do fim do prazo de convenções partidárias – que definem as chapas.