Os novos tempos da disputa por corações e mentes


Cada vez mais determinante na vida prática e entrosado com o mundo offline, o ambiente digital vai se consolidando na disputa por corações e mentes, nas batalhas pelo poder real. Inclusive, e principalmente, em tempos pandêmicos, nos quais muitos quadrantes sociais foram empurrados para detrás de telas e telinhas. Os exemplos de maior visibilidade aconteceram nos últimos dias, envolvendo o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ex-presidente Lula (PT). Conforme mostrado neste último final de semana por O Otimista, o mandatário ganhou popularidade, por ocasião da internação, enquanto o petista, ao sair em defesa de Cuba, perdeu espaço e apoio.

Segundo as medições mais recentes, Bolsonaro se mantém na casa dos 70 pontos, e Lula, na casa dos 30, numa escala que vai de zero a 100. Ao sair em defesa da ditadura cubana, o petista provocou mais reações negativas entre internautas do que apoios. Já Bolsonaro soube explorar a vitimização hospitalar, inclusive requentando o atentado que sofrera, em 2018. No segundo escalão, estão Ciro Gomes (PDT), com 25,1; José Luiz Datena (PSL) com 22,18; Eduardo Leite com 19,49; João Doria (PSDB) com 18,94 e Luiz Henrique Mandetta (DEM) com 18,92. A métrica do Índice de Popularidade Digital (IPD) isola o máximo possível o efeito do uso de robôs nas redes.

Admirável mundo novo da política
De forma automática, são monitoradas seis dimensões e o desempenho das personalidades: fama (número de seguidores), engajamento (comentários e curtidas por postagem), mobilização (compartilhamento das postagens), valência (reações positivas e negativas), presença (número de redes sociais) e interesse (volume de buscas no Google, YouTube e Wikipedia). Em outras palavras, aliados a especialistas em marketing digital e manipuladores de logaritmos, estrategistas políticos já contam com uma infinidade de ferramentas para explorar este admirável mundo novo da política.

Internet não é “terra de ninguém”
O uso quase infinito de máquinas, técnicas e relatórios de reputação digital não servem somente para avaliar popularidade. Está cada vez mais comum difamações e ataques morais a adversários, no ambiente online, sendo as famigeradas fake news a versão mais conhecida deste submundo. Felizmente, a internet, ao contrário do que muitos pensam, não é “terra de ninguém”.

Popularidade ajuda, mas não é tudo
O voto digitado na urna está intimamente ligado ao que acontece, é feito e/ou dito sobre os personagens públicos no ambiente online. Mas não é decisivo – apesar da cada vez maior influência. Já temos políticos eleitos nascidos, exclusivamente, em redes sociais. Não são piores nem melhores do que os demais. Apenas vivem a transição na disputa e exercício da política.

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