Sobre crise e novas regras de representação

E assim, chegamos ao final de mais um semestre legislativo. Não foi fácil chegar até aqui. É praticamente unanimidade entre nossos representantes o vazio parlamentar. No limite, podemos estar em algum tipo de crise. Anote: a maioria dos atuas parlamentares – senadores e deputados, estaduais e federais -, não teve a menor disposição de sair por ruas ou eventos para comparecer em auditórios, exposições ou qualquer outro tipo de suporte físico, A pandemia mudou a maneira de satisfazer opiniões e análises. Vieram a pandemia, lockdowns e muitas outras medidas restritivas. Alguém poderá dizer como será de agora em diante? Ninguém sabe.

Aos mais distantes, a pandemia é ótima conselheira. Aos mais próximos, o isolamento é regra de ouro. Quem não é nem uma ponta ou outra, portanto, tem uma faixa livre, aberta, larga, extensa e bem pavimentada. Mas há, como quase tudo na política, muitas variáveis, conjunturas e condicionantes. Vem aí a provável maior revolução silenciosa das últimas décadas. O eleitor vai votar e vai ficar sabendo para onde foi seu voto. Serão eleitos os mais votados. Ponto. Será o fim da listinha baseada em coligações, parcerias politiqueiras e uma infinidade de arranjos e molezas eleitorais. O eleitor nunca entendeu direito como seu representante era empossado.

O golpe está aí: cai quem quer
Por esses dias, governistas aqui e alhures começaram a fazer contas e chegaram a uma constatação básica – nem precisava de tanto: há muitos aliados que, simplesmente, viram a chave durante o voo Fortaleza-Brasília-Fortaleza. Centristas que têm a mesma desenvoltura no Palácio do Planalto ou Abolição – e olhe lá, se a lista não abarcar o Palácio do Bispo, na Capital do Estado. Há como resolver a parceria ganha-ganha, na qual somente o deputado sai bonito e lustroso na foto? Claro que há. Tudo hoje é ao vivo e a cores. O golpe está aí. Cai quem quer.

Serviço, relatórios e ética
A vida pública vive de ciclos, para muito além dos prazos de mandatos e prestação de contas nos respeitados relatórios, ressalvas e recomendações nas cortes de contas. Assim como vive deste profissionalismo os escritórios de consultoria e orientações. Nada contra. Muito melhor do que contar – sem trocadilho – com serviços especializados. O restante é ética pública.

Dignos e não dignos
Esta semana, na qual se comemora o Dia do Idoso, nossas melhores vibrações para a galera que passou dos sessenta. De preferência, no pique, em atividade física e puxador de disposição. Por mais inacreditável, a sociedade ocidental ainda patina na tosca ideia de que há um profundo risco no chão – inclusive nos lares – que separa famílias de dignos e não dignos.

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