Os meandros da história

É clássica a metáfora de que a história é uma senhora paciente, de memória incontestável, sentada à beira da estrada, que a tudo vê e anota, para futuros relatos e julgamentos. Essa ideia sempre foi e está sendo cada vez mais contestada. Particularmente agora, em que narrativas valem mais do que fatos; fronteiras entre conceitos estão borradas e a verdade, sob ataque sistemático, passou a ser considerada somente mais uma das dimensões possíveis da realidade. E o que é realidade mesmo, diante do mundo tão virtualizado e distópico? Tudo isso para dizer que o tal “julgamento da história” também é uma interpretação, por óbvio de cunho subjetivo – quando não objeto de manipulação.

A discussão fica ainda menos ingênua quando consideramos que ao vencedor da guerra é dado o direito de contar como foram as batalhas. Não à toa a descrição das sagas de grandes heróis e mitos sempre começa com a necessária existência do vilão. E em toda guerra, para usar mais um clichê, a primeira vítima é a verdade – seja lá o que isso signifique por esses dias. Sem mencionar a conveniente glamourização de personagens, épocas e ambientes, tanto nas produções de consumo coletivo, como a própria história, literatura, cinema e outros afazeres, quanto nas memórias pessoais, construídas a partir de filtros que nos interessam. A história é o que pensamos ou nos dizem como foi.

Tasso e a defesa da liberdade política
Como bem registrou ontem o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), enquanto blindados do Exército desfilavam no Eixo Monumental, em Brasília, os congressistas, por regra, são democratas – pelo menos estão lá por conta e obra da democracia. O experiente político cearense apelou para que alguns de seus pares deixassem a disputa política de curto prazo de lado e protegessem a liberdade política. Tasso tem razão. É fácil justificar a presença e a pressão militares em períodos democráticos. Difícil é defender a democracia em tempos de ditadura.

Judiciário brasileiro segura onda ofensiva
Hoje, no Dia do Advogado, do Magistrado etc cabe o registro de que o Judiciário brasileiro, a despeito das críticas – algumas procedentes -, está segurando a onda na ofensiva desferida por Bolsonaro e os seus contra o Estado Democrático de Direito. Particularmente, quando o Congresso Nacional, lamentavelmente, faz de conta que não é com ele. Não é mesmo, centrão?

87 anos da Casa do Estudante do Ceará
Outro registro, neste 11 de agosto, vai para a Casa do Estudante do Ceará (CEC), que hoje completa 87 anos de lutas, conquistas e superações. Pela moradia estudantil passaram centenas de alunos, provenientes do Interior do Ceará e de outros estados. Imprescindível, especialmente numa época em que o ensino superior era restrito praticamente à Capital.

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