Semântica e linguagem na política

Palavras e expressões são proferidas de acordo com interesses / Reprodução

A política tem um jeito cabreiro de não chamar as coisas pelo nome certo. Com uma versão pálida, do ponto de vista semântico, costuma esvaziar o impacto e o peso de certas palavras ou expressões – muito, geralmente, com a premeditação e para o benefício de quem as usa. Particularmente, se for para amenizar desgastes. É difícil um dia em que não nos deparemos com algumas delas. Eis uns exemplos, que preenchem o noticiário no entorno de raposas felpudas na disputa pelo poder: “privatizar” pode ser adotado, desde que seja para se referir a adversários. Se for o governo que apoia e defende, será um “programa de concessão” ou, esticando, de “desestatização”.

Erros contábeis e financeiros em balancetes e relatórios, para aliados, não existem. Provavelmente, foram “atecnias”. Em confronto de ideias, ninguém contraria ninguém. Quem pensa diferente insiste nas “ponderações”. Quando se fala em “regulamentar”, na prática significa controlar – geralmente a partir de uma agência, comissão ou conselho, com nome bonito terminando em “social” ou “cidadania”. Por esse raciocínio, dependendo do interesse da informação, botijão de gás não explode. No máximo, vaza. A lista é longa, assim como são imensas as tentativas e intenções de fazer valer as pretensões de quem as usa – via de regra, empulhando incautos.

O canteiro de obras camilistas
Não havendo um movimento brusco nos planos e articulações dos governistas no Ceará, a tendência será o governador Camilo Santana (PT) deixar o governo no início de abril do ano que vem, com vistas à candidatura ao Senado. Isso significa que, até lá, poderemos ficar diante de uma corrida contra o tempo, para a inauguração de obras públicas – pequenas, médias e grandes – atualmente em andamento. Não será surpresa, inclusive, por isso ser uma espécie de mantra em anos eleitorais. O Orçamento do Estado de 2022 deve, portanto, apontar nesse sentido.

Para onde vai Eunício Oliveira
O ex-senador Eunício Oliveira (MDB) esteve com Lula e, ato contínuo, com petistas cearenses. A pergunta é: para onde vai o experiente emedebista? Para uma corrida majoritária, sacrificando-se, diante das parcas chances de chegar lá? Nesse caso, ele garantiria palanque ao petista no Estado e, dando certo, aguardaria a composição da Esplanada dos Ministérios.

Planos B e C
Eunício também pode buscar uma vaga de deputado federal, algo plausível, mas distante das pretensões de quem já presidiu um dos Poderes da República. Uma terceira vertente cogita uma aliança política do MDB com o futuro PSL do Capitão Wagner. Nessa hipótese, o MDB indicaria o nome a vice no principal palanque da oposição no Estado. A conferir.

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