Pós-pandemia: desafios e estratégias

Economista Célio Fernando é secretário-executivo na Casa Civil-CE/Reprodução

O secretário-executivo de Regionalização e Modernização da Casa Civil do Governo do Estado do Ceará, economista Célio Fernando, debate logo mais, a partir das 19 desta quinta-feira (15), os desafios e as estratégias de cenários pós-pandemia, com o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio-CE), Luiz Gastão Bittencourt.

Organizado pela plataforma digital TrendsCE, o evento, no formato online, pretende abordar os desafios, de médio e longo prazos, sobre as muitas questões trazidas durante esse período de crise sanitária, que impactou, profundamente, a economia, em todas as áreas, níveis e lugares.

Célio Fernando é economista há mais de 30 anos. Na Casa Civil, o consultor de empresas articula ações entre diversos temas no tripé governo-mercado-academia, ouvindo demandas, para juntos pensarem estratégias e ações de impacto, que possam trazer melhorias para os cearenses.

Gastão Bittencourt é empresário do setor de serviços, atuando em empresas de asseio, conservação, segurança e administração presidiária. O presidente da Comércio-CE declara-se defensor da geração de emprego, renda e responsabilidade social, redução e simplificação da carga tributária, assim como fomento ao empreendedorismo.

SERVIÇO
“Pós-pandemia – desafios e estratégias”, com o economia Célio Fernando e Luiz Gastão Bittencourt (Fecomércio-CE).
Data: 15 de julho, às 19h.
Onde: YouTube.com/TrendsCE

Presença, ausência e outros fatores que definem uma candidatura

Assim como tudo na vida, a política está cada vez mais acelerada. Consumido, avidamente, o noticiário especializado, misturado a redes e bolhas, forma a base para a formação da opinião pública. Juntos, constroem e destroem carreiras e reputações, em questão de dias ou horas. O fenômeno dos tempos atuais é uma faca de dois gumes. Tanto pode fazer brotar o candidato imbatível da próxima disputa eleitoral, como pode tirar força e recall de nomes outrora consolidados no páreo. O que tudo isso quer dizer? Simples. A expressão “quem não é visto não é lembrado” subiu de patamar – nos mundos on e off line.

A não ser que haja controle efetivo dos principais processos – desde a eleição do próprio sucessor à máquina partidária, sempre haverá terreno fértil para o florescimento de grupos paralelos ou mesmo rivais, internamente, que não tardarão nem hesitarão disputar um lugar ao sol. Vejamos o caso do Lula. O petista sempre foi a liderança máxima do PT, mas nem por isso incontestável. Em 2002, foi levado às prévias por Eduardo Suplicy. Eleito e reeleito, deixou no lugar alguém sem tato, força ou talento para medir força. Tanto que oito anos depois, o ex-presidente lidera as intenções de voto para 2022. A lição vale para qualquer disputa – inclusive estaduais.

De reality show a aulão online
No início – aqui foi registrado -, a CPI da Covid mais parecia programa-gincana de televisão. Difamação, língua solta, conchavos, imunidade e votação, entre outros itens roteirizados, tudo ao vivo, para todo o Brasil. Já teve até paredão, com eliminação sumária. Nos últimos dias, porém, transformou-se em aulão online e via satélite. Para fidelizar a audiência, senadores médicos e advogados, principalmente, das várias cores políticas, invocam ares professorais e passam a desfiar prescrições, bulas e posologias, assim como leis, códigos e ritos jurídicos.

Nada substitui o presencial
Os parlamentos estão indo para o terceiro recesso em meio à pandemia de covid-19. Desde o início da crise sanitária, já houve eleições municipais – prefeitos e vereadores – e renovação da direção de todas as casas legislativas. Reinventando-se, seus integrantes e dirigentes fazem o que está ao alcance para seguirem exercendo os mandatos. Mas todos sabem que nada substitui o presencial.

Deputados e a lâmina do distritão
Deputados que pensam em mais um mandato estão numa encruzilhada. Muitos torcem para não haver tempo hábil para a Câmara deliberar sobre o distritão – eleição dos mais votados por estado/partidos. Na dúvida, muitos estão de malas afiveladas, para mudar de partido, na tentativa de escapar da lâmina que os espera. Na cotação do dia, a votação deve acontecer em agosto.

Os movimentos articulados – e perigosos – de Jair Bolsonaro

Esta semana, particularmente, o presidente Bolsonaro (ainda sem partido) foi aos píncaros da mistura de enfrentamento, blefe político e poder discricionário. Vejamos: no case eleições 2022, foi para cima do dirigente máximo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atacando, nominalmente, o presidente da Corte, ministro Luís Roberto Barroso. No quesito testar limites, Bolsonaro não perde uma só oportunidade – pelo contrário, sempre cava uma chance aqui e ali -, de constranger o Supremo Tribunal Federal (STF). Foi o caso, por tabela, do ataque ao TSE/Barroso. Tanto que o presidente do STF, ministro Luiz Fux, veio a público, via nota oficial.

Nos últimos dias, o mandatário da nação reorganizou a tropa, à frente o que já está sendo chamado de “centrão fardado” e foi para cima da CPI da Covid. Ou alguém imagina que a nota da cúpula militar nacional, com tom de movimento estudantil, tentando emparedar o senador Omar Aziz, foi por acaso? No meio de tudo isso, o Datafolha diz que Bolsonaro bate mais um recorde, que já era dele, em rejeição: 51% – e contando. Não é de estranhar que o presidente siga insinuando, de forma cada vez mais acintosa – e sem provas – que as eleições do ano que vem, no atual e seguro sistema eletrônico, serão fraudadas. Não são movimentos desarticulados.

Concessão, fila indiana e passada de pano
A pior concessão é a primeira. Não seria diferente na CPI da Covid. Ao negar a prisão do ex-secretário de Comunicação da Presidência da República, Fábio Wajngarten, o presidente da CPI escancarou as portas do colegiado para a fila indiana de mentirosos. A detenção do ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, portanto, deu no que deu: o que seria rito jurídico, previsto no Código Penal (perjúrio) virou guerrilha política entre o Planalto e a comissão, com direito a passada de pano do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

Os pactos de Evandro Leitão
Segurança alimentar, combate ao coronavírus e saneamento básico. Os três caros temas ao Ceará, liderados pelo presidente da Assembleia, Evandro Leitão, já seriam importantes por si. Mas ganham contornos ainda mais relevantes quando vêm precedidos de “pacto” – a ideia de que somente a articulação e a convergência de todos farão dar bons resultados.

Os caminhos de José Airton
Não será fácil construir uma candidatura própria do PT no Ceará. O hoje disposto deputado José Airton terá de convencer as cúpulas nacional e estadual do partido. Em seguida, viabilizar uma aliança partidária consistente. Depois, apresentar um projeto à altura da disputa. Por fim, mostrar-se viável, eleitoralmente. Não será fácil. Mas não será impossível.

A trama surreal que salvou a CPI

No início, de antemão, estava dado o potencial enredo da CPI da Covid, no Senado: negacionismo, tratamento precoce e “gabinete paralelo” do governo Bolsonaro. Eram elementos politicamente fortes para o embate das urnas de 2022: uma suposta ação orquestrada, que teria causado a morte de centenas de milhares de brasileiros. Mas, insuficientes para levar o presidente e seus seguidores ao banco dos réus, com elementos consistentes, amarrados a provas e, principalmente, albergados na tipificação dos supostos crimes cometidos. Um lado, o Palácio do Planalto, estava confiante de que escaparia. O outro, a CPI, andava meio perdido sobre que rumo tomar.

Mas aí veio, como desdobramento quase natural, o capítulo sobre a aquisição das vacinas. Um fio solto aqui e outro ali foram sendo juntados, até que se vislumbrou a meada. Em outras palavras, o caminho do dinheiro, um clássico na mistura de política com negócios, foi sendo desvendado. Hoje, na quase reta final da CPI, há muitos indícios de que o submundo de Brasília não fugiu à regra que a tornou famosa e operou, fortemente, na penumbra. Trazendo à luz engrenagens, conexões e personagens surreais, a trama surreal de interesses comerciais bilionários no entorno da compra de imunizantes pode ter colocado o governo no corredor da morte e salvado a CPI.

“Distritão” parece simples, mas é cruel
Está quase na porta do plenário da Câmara o novo formato de eleição proporcional no Brasil – vereador e deputados estadual/federal – que poderá ser adotado em 2022: se passar, vai entrar quem obtiver mais votos. Ou seja, pega-se a votação de todos os candidatos, faz-se a lista e corta-se no número de vagas do respectivo parlamento. É o chamado “distritão”. Hoje, além disso, entra o voto dado ao partido, que ajuda a definir a quantas cadeiras cada sigla terá direito. Aparentemente simples, o modelo em discussão é desigual e cruel – particularmente com as minorias.

Desgaste, impeachment e urnas
Particularmente por conta do bombardeio diuturno, 24/7, da CPI da Covid, o governo Bolsonaro está desgastado. A constatação anima segmentos que vão às ruas pedir o impeachment do mandatário. Mas não há clima para tanto. Nem na Câmara dos Deputados nem no STF. Na cotação do dia, muito indica que a questão será resolvida mesmo no encontro marcado com as urnas.

Direitos humanos como parâmetro
Um bom parâmetro para se avaliar um governo é seu olhar sobre os direitos humanos que, conceitualmente, sintetizam os demais – da defesa da vida à dignidade. Nesse quesito, o governo Bolsonaro vai mal, muito mal. A rigor, patrocina retrocessos. A avaliação é do presidente da Comissão Nacional do segmento da OAB nacional, advogado Hélio Leitão.

Os vários caminhos que levam a uma candidatura

Maioria dos pré-candidatos prefere o caminho mais fácil

Definir o chamado espectro ideológico de uma candidatura à Presidência da República não é fácil. Muitos grupos tentam. Alguns, nem isso. A maioria se perde pelo caminho. Poucos conseguem. Ainda mais em um País como o Brasil, em que o bom senso político e a ideia de nação justa, solidária e viável deram lugar ao pragmatismo político, em seu pior sentido. Juntar valores políticos em torno dos quais sairão os parâmetros de negociação com potenciais aliados, de onde germinarão as mensagens da campanha eleitoral, propriamente ditas, e o desenho de um possível futuro governo, é desafiador. E poucos, muito poucos mesmo, estão dispostos a fazer isso.

Em regra, com raríssimas exceções, os personagens preferem o caminho fácil da demanda latente, que pulsa das estratificações aferidas em pesquisas qualitativas. Partidos políticos ou segmentos interessados vão às ruas e grupos, colher amostras das dores do eleitorado. Temas como emprego, saúde, educação, segurança e temas mais difusos revezam entre os primeiros da lista. Consultorias especializadas vão aos índices brutos, transformando-os em discursos, narrativas e motes para produção de conteúdos. Em seguida, o marketing político dá umas borrifadas de perfumaria. Pronto. Acaba de nascer a fórmula da estratégia eleitoral que empulhará aos incautos. Simples.

O centrão e a prorrogação da CPI
Nos últimos dias, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), ironizou a imparcialidade na condução dos trabalhos da CPI da Covid. Antes, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) destacara a “conveniência” de, no momento apropriado, decidir sobre a prorrogação – ou não -, do colegiado que apura ações, omissões e até agora um enredo muito mal contado em torno do manejo da pandemia. Em comum, Lira e Pacheco têm o fato de serem aliados do Planalto. Não será, portanto, decisão tranquila manter a CPI de andamento.

O sobe-e-desce do poder
Todo grupo político, em períodos democráticos, nasce, cresce, chega ao ápice e experimenta a decadência. Na reta final, sofre um dos dois processos básicos: é superado por outro grupo, diferente ou antagônico, ou assiste aos próprios aliados que, com sede de poder, acabam por suplantá-los. É a história, implacável, como somente ela consegue ser.

Para além da pandemia
Tanto a Câmara dos Deputados quanto o Senado estão com agenda lotada, nessa reta final do semestre legislativo. Na primeira, supersalários, Lei de Diretrizes Orçamentárias e reformas tributária e administrativa. Já os senadores têm uma maratona de sabatinas e votação para várias estruturas dos poderes da República, inclusive embaixadas e tribunais superiores.

2022: o que hoje é hipótese pode virar realidade e vice-versa

Palácio da Abolição: principal objeto de consumo da política cearense/Ascom/GE

Na cotação do dia, o deputado federal José Airton Cirilo (PT) nada mais é do que um pré-candidato a governador do Estado, de olho na renovação do atual mandato. E se o desenho mudar? Como estará Lula daqui a nove meses – março de 2022 -, quando os palanques nacionais e locais estiverem no rascunho próximo do real? Pelo menos uma das principais variáveis, fora do radar há menos da metade desse intervalo, parece já ser carta à mesa: a presença do ex-presidente na corrida presidencial. Ou seja, não é plausível que demos como certos cenários que têm altíssimo potencial de mudança, ao sabor dos humores, ao longo de meses, semanas ou até dias.

O Ceará, como nenhum outro estado, já chama a atenção no tabuleiro presidencial de 2022. Afinal de contas, é daqui o único pré-presidenciável projetado, nacionalmente, capaz de atrair faixas eleitorais ameaçadoras à flagrante e orquestrada polarização entre Bolsonaro e Lula. Esse público, de potencial identidade com uma futura terceira via, orbita em torno do bolsonarismo ou do lulopetismo, por ainda não existir o debate nacional sobre a sucessão da presidência da República. Por outro lado e na mesma intensidade, o PT do Ceará, na ainda hipotética candidatura de Lula, poderá alavancar um nome local. Em 2002, por muito menos o PT foi ao segundo turno.

Tasso, Girão e a renovação da CPI
A CPI da Covid vai ser renovada, por mais 90 dias? É a pergunta que a nação se faz, justamente quando as investigações trilham os mais sensíveis fatos e suposições que, no conjunto da obra, podem, no limite, comprometer, politicamente, – para dizer pouco -, a reputação do governo Bolsonaro. Dois dos senadores cearenses – Tasso Jereissati (PSDB) e Eduardo Girão (Podemos) -, estão na comissão. De forma direta ou indireta, ambos os parlamentares estarão com o nome à prova, no ano que vem – independentemente da narrativa vencedora ao final dos trabalhos.

Planalto, Ciro e a Copa de 1982
O ex-governador Ciro Gomes (PDT) é, de longe, o mais preparado pré-presidenciável de que o Brasil dispõe. Intelectual, moral e politicamente. Mas isso não é tudo. Ele precisa seduzir pelo menos dois dígitos do eleitorado que tem esse perfil. É isso o que o viabilizará, eleitoralmente. Numa metáfora futebolística, não adianta ser a Seleção de 1982. Tem de ganhar a Copa.

Assembleia, histórico e planos
Na Assembleia Legislativa há muitos ex-prefeitos e ex-vereadores. Particularmente, de Fortaleza – inclusive, presidentes do Legislativo da Capital. Muitos já passaram por lá, onde ainda estão Acrísio Sena (PT), Tin Gomes (PDT), entre outros. O atual dirigente da Câmara, Antônio Henrique (PDT), desconversa, mas sabe que o rico histórico pesa a favor de seus planos políticos. 

Polarização: um lado que repetir o que deu certo; o outro quer se vingar

Bolsonaro e Lula: retroalimentação de interesses para reeditar 2018/Montagem sobre reprodução de Internet

Primeiramente, as obviedades. Em 2002, Lula chegou ao poder depois de um facelift político, a “Carta aos Brasileiros” e o banho de marketing, que fez nascer o “Lulinha paz a amor”. Mas, uma vez no poder, o petista voltou a fazer ecoar o “nós contra eles”. Ou ninguém lembra do PT “rasga lata” antes do poder nem do “Fla x Flu” com o PSDB, ao longo de três décadas? Corta para 2021. O lulopetismo volta a praticar o que melhor aprendeu na dicotomia ABC versus Avenida Paulista. Só que agora, pelo menos por enquanto, não mais contra o tucanato, uma das melhores escolas de gestão pública do País. Será contra o bolsonarismo, nos autos da CPI da Covid.

Na outra ponta da corda, já tensionada, Bolsonaro alimenta e é alimentado pela polarização. Em 2018, chegou ao poder, impulsionado pelo antipetismo. Com gosto de sangue na boca, o PT diz acreditar que o sentimento contra o presidente da República e o que ele representa, atualmente, supera a revolta silenciosa contra o petismo, de três anos atrás. Tudo somado e considerado, o cenário da corrida presidencial do ano que vem, se não houver uma mudança brusca, será a disputa entre um lado que quer reeditar o jogo que deu certo para ele, contra o outro grupo, que tentará, de todas as formas, vingar-se político e eleitoralmente. Isso, se não mudar até lá.

Semelhança, eliminação e prorrogação
Uma pergunta boba: por que os aparentes e supostos opostos se atraem? É elementar meu, caro Watson. No caso específico da seara política – concretamente, bolsonarismo e lulopetismo -, porque ambos têm, no fundo, o mesmo modus operandi da exclusão – quando não, da eliminação. E é, exatamente, do que o Brasil não está precisando. Esgarçado, o País necessita, grave e urgentemente, de um projeto de nação, com base no equilíbrio, união nacional e estabilidade. O resto é prorrogação até 2026, se aguentarmos até lá, do jogo que estamos assistindo, atualmente.

Duas histórias, um único objetivo
Com Lula de volta ao jogo, pelo menos duas alas do PT do Ceará movimentam-se, de olho na candidatura própria ao Palácio da Abolição. A ex-prefeita Luizianne Lins faz valer o histórico de adversidades com os Ferreira Gomes. Também tentando se viabilizar, José Airton Cirilo quer reeditar 2002, quando por pouco não chegou lá. Se é para valer, somente o tempo dirá.

O jogo duplo e a anormalidade
A corrida política de 2022 virou uma grande incógnita. Em circunstâncias normais de coerência e com o acirramento em alta, não deveria haver o jogo duplo entre Brasília e o Ceará, entre quem é governo ou oposição aqui e no Planalto Central. Mas isso, em circunstâncias normais, regra que não se aplica ao Brasil – muito menos agora, em que tudo parece fora da normalidade.

Por direitos e dignidade para os LGBTQIA +

Dignidade da pessoa deve ser a baliza para demais direitos

Hoje, segunda-feira (28) é o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA +. Como se percebe, há muito tempo deixou de ser o icônico GLS – denominação, atualmente, politicamente incorreta e limitada, para dizer o mínimo. A sigla mudou através dos tempos. Ganhou não somente novos públicos na escrita por extenso. Ao termo foram incorporados significados, alcances, adesões, conquistas, desafios e impactos políticos, econômicos, sociais e culturais. A luta, geralmente, até no sentido literal, que deixa marcas – visíveis ou não – e vítimas, às vezes fatais, é luta para o ano todo. Mas é de imprescindível relevância um momento para reflexões sobre a causa.

Nesse sentido, é oportuna a pauta do “Grandes Debates – Parlamento Protagonista”, da Assembleia Legislativa, com o tema que sintetiza o sentido da discussão: os direitos, aqui no sentido de dignidade da pessoa, como asseguram a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Constituição Federal do Brasil, de 1988. Não é pouca coisa, quando se sabe que a política é um ambiente machista, quando não pior, e obtusa na promoção e defesa da identidade de gênero e orientação sexual. Particularmente, nos atuais tempos, tóxicos e sombrios. Para registro: o Parlamento cearense, palco do evento, nesta terça-feira (29), segue sintonizada com a contemporaneidade.

Para Acrísio, Senado para Camilo é prioridade
Na última sexta-feira (25), aqui foram publicadas notas sobre os rumos do governador Camilo Santana (PT) no contexto da sucessão estadual. O inquieto deputado estadual Acrísio Sena (PT) enviou réplica, da qual destacamos alguns trechos: “no Ceará, o governador Camilo, com 80% de aprovação, é a prioridade na chapa estadual, que envolve os cargos de governador, vice e senador”, afirma o parlamentar, para quem as negociações da chapa majoritária para 2022 já tem um nome certo: Camilo Santana para o Senado. O cenário é possível, mas não o único.

Petista diz que cabeça é um direito do partido
Segue Acrísio Sena: “É um direito do PT reivindicar a cabeça da chapa e alguns companheiros têm feito movimentos neste sentido. Mas é provável, para mantermos a unidade em defesa da democracia, que o Partido seja contemplado com a vaga para Camilo. Resta apenas esperar pela disposição dele em aceitar e pegar o cavalo selado”. É cedo. Vamos aguardar.

Reação é amostra do que poderá vir em 2022
Duas consequências diretas do mau momento por que passam o governo e o presidente Bolsonaro, segundo mostraram as últimas pesquisas: o aprofundamento do estilo belicoso do bolsonarismo, para quem o ataque é a melhor defesa e, consequentemente, a pesada artilharia que já se faz perceber em grupos e listas. Uma pequena amostra do que a polarização poderá render em 2022.

Notas sobre a sucessão de Camilo Santana

Reeleito e bem avaliado, atual governador vem sendo exortado a permanecer no cargo até final do mandato/Ascom/Casa Civil/GE

Gratidão versus pragmatismo, cálculo político, frieza nas articulações e cenários – nacional e estadual. Estes são alguns dos ingredientes que farão parte da sopa de variáveis que levará Camilo Santana (PT) a renunciar ao mandato – no início de abril do ano que vem – ou seguir como governador, até a virada de 2022 para 2023. Para lembrar: se sair do Abolição, o petista será candidato a senador. Se ficar, comandará a própria sucessão. Como já algumas vezes dito aqui, a decisão supera, em nível de importância da disputa estadual, o peso do pleito nacional que, provavelmente, terá o presidente Bolsonaro, o ex-presidente Lula e o ex-ministro Ciro no páreo – o que não será pouca emoção.

Trabalhador, ponderado e atencioso para com os prefeitos, Camilo vem atendendo a uma fila indiana de gestores municipais que, invariavelmente, o exortam ao Senado. A linha de animação ao petista, quase unânime, deve ser vista como uma espécie de reconhecimento às ações do Estado. Até porque seria legislar em causa própria sugerir que Camilo siga no Executivo até 31 de dezembro. Mas política é política. Eles são apenas uma das pressões. Um cenário é o mandatário, muito bem avaliado, comandar a própria sucessão do gabinete onde assinou benfeitorias, afagou demandas e posou para fotos. Outra é não ter a caneta e o Diário Oficial à disposição.

Ecos da corrida de 2024 impactarão em 2022
No início do mandato do próximo governador do Estado, os atuais prefeitos estarão no meio das administrações municipais. E, com as exceções de praxe, passarão a depender, mais do que nunca, do apoio do sucessor estadual – seja ele quem for – visto que, ato contínuo às apurações de 2022, começarão as primeiras conversas sobre as eleições locais, de 2024. Essa dinâmica peculiar, já agendada, está influenciando não somente as atuais conversas de prefeitos com Camilo, mas também os acontecimentos futuros, com toda sorte de jogo duplo, traições e reviravoltas.

Fator Tasso e o boi na linha
É de uma unanimidade rodriguiana as apostas, segundo as quais, Camilo não somente deixará o governo para disputar o Senado, como está com a eleição batida. A tese é boa, com a ressalva de somente dois fatores: se ele sair e se não houver boi na linha. O boi: com pretensões reeleitorais, o senador Tasso Jereissati (PSDB) admite apoiar Ciro ao Planalto. Precisa desenhar?

Alternância a la brasileira
Toda máquina pública tem seu limite de tamanho. No Ceará, o consórcio partidário em torno do grupo hegemônico vem dando sinais de que está extrapolando as condições de atendimento a aliados. É por essas e outras que a tal alternância de poder da democracia a la brasileira, em muitas das vezes se dá via cisão de grupos, que aliados hoje, passam a se enfrentar nas disputas de amanhã.

Comunicação e política

Meios de comunicação: forma como são usados por governos pode significar sucesso ou fracasso

Tão antiga quanto a política, a comunicação – de qualquer tipo, plataforma ou alcance -, tornou-se um dos principais desafios da atualidade, ao ponto de confundir-se com a própria forma de disputa de poder. Assim, diz-se que um governo vai bem quando se comunica bem. O inverso também é verdadeiro. Dito isso, é gritante a constatação de que o governo Bolsonaro precisa se comunicar muito melhor do que faz atualmente. Isso é admitido pelos próprios bolsonaristas. Aliados do Governo Federal, de maneira geral, ressentem-se de ações, projetos e recursos enviados aos estados e municípios, sem a informação clara de que foram iniciativas de ministérios.

Quando muito, um parlamentar ou outro posa de “pai da criança” junto a prefeitos e demais líderes locais – até mesmo na instância estadual -, como sendo o grande responsável por esta ou aquela verba ou desentrave de uma demanda de impacto. O erro de origem está na própria União, que não consegue fazer chegar à ponta, ao povão, aos rincões e às rodas de conversa, a imagem de benfeitor, que deveria ter – dinheiro para tanto, pelo menos, não falta. Sem a informação básica chegando ao incauto, fica fácil para o aliado esperto acima da média colher todos os frutos e bônus dos acessos privilegiados que tem a órgãos federais, ministros e demais despachantes de luxo de Brasília.

Planalto subutiliza estrutura à disposição
Para ficar somente no fluxo oficial de divulgação, ressalte-se que o Palácio do Planalto tem à disposição um gigantesco sistema de difusão de informações. São veículos altamente estruturados, com tecnologia de ponta, equipes qualificadas, treinadas e recicladas. São emissoras de TV, programas em rádios e dezenas de portais. São produtores de conteúdos para a internet e equipes itinerantes de imagem, vídeo e som que rodam o Brasil, diuturnamente, acompanhando autoridades, ao custo de milhões. Mas o Planalto parece não saber o que fazer com tudo isso.

O desprezo como erro estratégico
Nas consultorias, costuma-se dizer e ouvir que em gestões ruins e incompetentes não há comunicação eficiente que funcione a contento. Não há milagreiros nessa área. Mas, provavelmente, talvez nem seja o caso. Como esporte favorito, o governo Bolsonaro despreza a mídia tradicional – da porta para fora e, também, da porta para dentro. Eis um de seus maiores erros estratégicos.

Agressões, confrontos e ataques
Se o Planalto não valoriza a grande estrutura de comunicação que tem, alguma coisa ocupa esse vácuo. A saber, saiu o jornalismo profissional, mesmo oficial, e entrou a milícia digital, baseada em fake news e meias verdades. Assim, no lugar de comunicação empática, acolhedora e convergente, há uma política de agressões, confrontos e ataques. Claro que não teria como dar certo.