O que esperar do governo Bolsonaro neste segundo semestre

Há cerca de duas semanas, quando o Congresso Nacional saiu para o recesso parlamentar, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), em tese, ganhou alguns dias de alívio. Sem atividades nem debates políticos calorosos, as férias legislativas costumam ser vistas como uma espécie de refresco aos chefes de Executivo. Nos meses anteriores, o mandatário fora jogado no canto do ringue pela CPI da Covid, sangria nas intenções de voto para 2022 e desgastes em vários setores do governo – de escândalos no meio ambiente a altas taxas de desemprego. Mas, por incrível que pareça, o Planalto conseguiu a proeza de, no retorno dos trabalhos, está até mais pressionado.

O governo vai para o segundo semestre político do ano mais refém do que nunca do centrão; está sob o risco de mais desgaste, caso sancione o escandaloso fundo eleitoral – ou se desentender com influentes setores do Congresso, caso vete-o; o presidente está desmoralizado no falatório sobre supostas fraudes eleitorais envolvendo urna eletrônica e a cantilena do voto auditável. E, a partir desta terça, as cortinas se abrem para mais uma temporada da CPI da Covid que, seguindo a média dos episódios anteriores, será sucesso de crítica e público. Tudo isso e ainda precisando melhorar – e muito – a entrega de resultados que justifiquem a tentativa de buscar um segundo mandato.

Os dois caminhos possíveis para a CPI
A CPI da Covid será uma atração à parte, a partir desta semana. Há dois caminhos básicos a seguir, que dividem observadores mais atentos: uma linha espera mais contundência dos senadores para com os depoentes, já que os últimos dias foram de reorganização interna e garimpagem de dados, inclusive sigilosos, obtidos pelo colegiado. A outra vertente vê possibilidade de arrefecimento da temperatura, pela fadiga dos trabalhos em si e pelo avanço da vacinação contra o coronavírus. Em qualquer dos casos, as semanas que antecedem o relatório prometem dificuldades para o governo.

A viabilidade de Evandro Leitão
É cada vez mais eloquente a avaliação de que o presidente da Assembleia Legislativa, Evandro Leitão (PDT), entrou no radar da cúpula do grupo governista para a sucessão do governador Camilo Santana (PT). Sem desgastes e habilidoso, o pedetista já é visto com simpatia por muitos pares, inclusive de fora do núcleo duro. É o primeiro passo para se viabilizar, politicamente.

Candidatura é corrida com obstáculos
Mas há poréns e uma longa estrada até uma possível candidatura do presidente Evandro Leitão em 2022. A começar pelo calendário governista, sabidamente levado ao tempo-limite para o martelo ser batido. Além do pedetista, há outros nomes apalavrados ou tentando se cacifar, sem falar na equação PDT e PT no Ceará, que ainda está longe de ser pacificada.

Sobre crise e novas regras de representação

E assim, chegamos ao final de mais um semestre legislativo. Não foi fácil chegar até aqui. É praticamente unanimidade entre nossos representantes o vazio parlamentar. No limite, podemos estar em algum tipo de crise. Anote: a maioria dos atuas parlamentares – senadores e deputados, estaduais e federais -, não teve a menor disposição de sair por ruas ou eventos para comparecer em auditórios, exposições ou qualquer outro tipo de suporte físico, A pandemia mudou a maneira de satisfazer opiniões e análises. Vieram a pandemia, lockdowns e muitas outras medidas restritivas. Alguém poderá dizer como será de agora em diante? Ninguém sabe.

Aos mais distantes, a pandemia é ótima conselheira. Aos mais próximos, o isolamento é regra de ouro. Quem não é nem uma ponta ou outra, portanto, tem uma faixa livre, aberta, larga, extensa e bem pavimentada. Mas há, como quase tudo na política, muitas variáveis, conjunturas e condicionantes. Vem aí a provável maior revolução silenciosa das últimas décadas. O eleitor vai votar e vai ficar sabendo para onde foi seu voto. Serão eleitos os mais votados. Ponto. Será o fim da listinha baseada em coligações, parcerias politiqueiras e uma infinidade de arranjos e molezas eleitorais. O eleitor nunca entendeu direito como seu representante era empossado.

O golpe está aí: cai quem quer
Por esses dias, governistas aqui e alhures começaram a fazer contas e chegaram a uma constatação básica – nem precisava de tanto: há muitos aliados que, simplesmente, viram a chave durante o voo Fortaleza-Brasília-Fortaleza. Centristas que têm a mesma desenvoltura no Palácio do Planalto ou Abolição – e olhe lá, se a lista não abarcar o Palácio do Bispo, na Capital do Estado. Há como resolver a parceria ganha-ganha, na qual somente o deputado sai bonito e lustroso na foto? Claro que há. Tudo hoje é ao vivo e a cores. O golpe está aí. Cai quem quer.

Serviço, relatórios e ética
A vida pública vive de ciclos, para muito além dos prazos de mandatos e prestação de contas nos respeitados relatórios, ressalvas e recomendações nas cortes de contas. Assim como vive deste profissionalismo os escritórios de consultoria e orientações. Nada contra. Muito melhor do que contar – sem trocadilho – com serviços especializados. O restante é ética pública.

Dignos e não dignos
Esta semana, na qual se comemora o Dia do Idoso, nossas melhores vibrações para a galera que passou dos sessenta. De preferência, no pique, em atividade física e puxador de disposição. Por mais inacreditável, a sociedade ocidental ainda patina na tosca ideia de que há um profundo risco no chão – inclusive nos lares – que separa famílias de dignos e não dignos.

Sobre match, relacionamento abusivo e divórcio


Nesta terça-feira foi o dia do “sim”. Depois de muitos afagos mútuos, um match no início do ano e poucos meses de namoro, eis que o presidente da República, Jair Bolsonaro, e o senador Ciro Nogueira subiram ao altar. Durante as cerimônias, as juras de amor, registradas nas redes sociais, não chegaram a surpreender comensais e padrinhos. Há quem diga que o caso é antigo. Coisa de época da adolescência de ambos. Que um sempre pensou no outro, como extensão de si mesmo, numa conexão entre duas partes de um todo, poucas vezes vistas, e que cada um estava apenas esperando a melhor oportunidade para se declarar e correr para os braços um do outro.

Esse momento chegou. Mas a pergunta, principalmente entre os não convidados para a festa, é: até onde vai essa história? Experientes, vindos de outros relacionamentos, tanto Bolsonaro quanto Ciro sabe que ninguém casa para se separar. Mas o divórcio está ali, sempre à espreita. Ainda mais agora, com relacionamentos abusivos, baseados no controle e dependência financeira. O presidente vive de colecionar ex-amores e o senador, igualmente, não hesita em ser cortejado, como já fez no passado. Bolsonaro dependente e o chefe do centrão explorador, debaixo do mesmo teto do Palácio do Planalto, pode não passar de um casamento arranjado – de conveniência e com hora para acabar.

O grande negócio chamado partido político
Quer ser líder político, cacique ou algo do tipo? Tenha um partido para chamar de seu, que você controle ou sobre o qual tenha forte ascendência. A lição é tão velha quanto a disputa pelo poder nos moldes e estrutura que conhecemos. Os exemplos dessa necessidade premente são vastos. De vereadores de comunidade a presidentes da República. Até os andarilhos, que pulam de galho em galho, precisam, mesmo sem fincar raízes históricas, influenciar os rumos da legenda – quando não os próprios. Até porque, no Brasil, ser dono de partido, há tempos virou um grande negócio.

Disputa pela OAB-CE já começou
A votação será somente em novembro, mas há semanas fervilham os bastidores da Ordem dos Advogados do Brasil no Ceará (OAB-CE). Já são pelo menos três os nomes postos para disputar o comando da (ainda) prestigiada entidade: o presidente da CAACE, Sávio Aguiar, o provável candidato à reeleição, Erinaldo Dantas, e o presidente da Ajaforte, Daniel Aragão.

Campanha será muito acirrada
Esquadrinhada entre grupos de escritórios de prestígio e medalhões da advocacia cearense – e até entre grupos político-partidários -, a OAB-CE vai para uma das campanhas mais acirradas de sua história, com uma árdua missão: mostrar que é possível fazer política de representatividade sem os encantos do poder e de alto nível. Os operários representados agradecem.

Os novos tempos da disputa por corações e mentes


Cada vez mais determinante na vida prática e entrosado com o mundo offline, o ambiente digital vai se consolidando na disputa por corações e mentes, nas batalhas pelo poder real. Inclusive, e principalmente, em tempos pandêmicos, nos quais muitos quadrantes sociais foram empurrados para detrás de telas e telinhas. Os exemplos de maior visibilidade aconteceram nos últimos dias, envolvendo o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ex-presidente Lula (PT). Conforme mostrado neste último final de semana por O Otimista, o mandatário ganhou popularidade, por ocasião da internação, enquanto o petista, ao sair em defesa de Cuba, perdeu espaço e apoio.

Segundo as medições mais recentes, Bolsonaro se mantém na casa dos 70 pontos, e Lula, na casa dos 30, numa escala que vai de zero a 100. Ao sair em defesa da ditadura cubana, o petista provocou mais reações negativas entre internautas do que apoios. Já Bolsonaro soube explorar a vitimização hospitalar, inclusive requentando o atentado que sofrera, em 2018. No segundo escalão, estão Ciro Gomes (PDT), com 25,1; José Luiz Datena (PSL) com 22,18; Eduardo Leite com 19,49; João Doria (PSDB) com 18,94 e Luiz Henrique Mandetta (DEM) com 18,92. A métrica do Índice de Popularidade Digital (IPD) isola o máximo possível o efeito do uso de robôs nas redes.

Admirável mundo novo da política
De forma automática, são monitoradas seis dimensões e o desempenho das personalidades: fama (número de seguidores), engajamento (comentários e curtidas por postagem), mobilização (compartilhamento das postagens), valência (reações positivas e negativas), presença (número de redes sociais) e interesse (volume de buscas no Google, YouTube e Wikipedia). Em outras palavras, aliados a especialistas em marketing digital e manipuladores de logaritmos, estrategistas políticos já contam com uma infinidade de ferramentas para explorar este admirável mundo novo da política.

Internet não é “terra de ninguém”
O uso quase infinito de máquinas, técnicas e relatórios de reputação digital não servem somente para avaliar popularidade. Está cada vez mais comum difamações e ataques morais a adversários, no ambiente online, sendo as famigeradas fake news a versão mais conhecida deste submundo. Felizmente, a internet, ao contrário do que muitos pensam, não é “terra de ninguém”.

Popularidade ajuda, mas não é tudo
O voto digitado na urna está intimamente ligado ao que acontece, é feito e/ou dito sobre os personagens públicos no ambiente online. Mas não é decisivo – apesar da cada vez maior influência. Já temos políticos eleitos nascidos, exclusivamente, em redes sociais. Não são piores nem melhores do que os demais. Apenas vivem a transição na disputa e exercício da política.

Com Bolsonaro, tudo pode acontecer – inclusive, nada

Mesmo desgastado, com popularidade em baixa e uma CPI apontando para si, o presidente Jair Bolsonaro não está fora do jogo de 2022. É viável a tese corrente de que o mandatário está ensaiando uma saída honrosa – ou dobrar a aposta -, caso chegue ao segundo trimestre do ano que vem inviável, eleitoralmente. No primeiro caso, não disputaria a reeleição, usando como justificativa algo na linha “fraude anunciada”. No segundo, vislumbra-se um rompimento democrático, que encurtaria o caminho para a permanência no poder. Note-se que investir nas duas situações virou o esporte preferido do chefe do Executivo.

Fora desses parâmetros, o presidente poderá e deverá usar a fórmula clássica. A rigor, a estratégia já está em curso. Qual seja: usar a força da máquina e o poder discricionário do presidente da República para vitaminar os músculos políticos. O dado mais claro desse estratagema é o redesenho da configuração dos postos-chave do Palácio do Planalto e Esplanada dos Ministérios; o governo planeja despejar dinheiro nos próximos meses na base da pirâmide social e acaba de desbloquear o Orçamento de 2021. Tudo isso, partindo de um piso de intenção de voto considerável, além do animador histórico de reeleição que o Brasil exibe.

Hora de semear, hora de colher
Prefeito de Quixadá, o médico Ricardo Silveira (PSD) pensa e olha longe. Iniciante de um novo ciclo político do maior município do Sertão Central, pretende fazer da cidade um polo nacional de conhecimento, com base em tecnologia. Ele sabe que é esse o grande ativo, do presente e do futuro. Mais do que isso, conta com o apoio de grandes revelações da política do Ceará, a exemplo dos deputados Domingos Neto (PSD) e Salmito Filho (PDT). Outro grande detalhe, que faz a diferença: Desprendido, Silveira planta agora sementes que darão frutos para as próximas gerações.

Insônia eleitoral
A possível nova regra para eleição de deputado, que poderá entrar em vigor em 2022, está tirando o sono de muitos políticos – em mandato ou não. Para lembrar: pelo que está posto, a lista de eleitos será a dos que tiverem mais voto nominal. Parece óbvio. Mas, atualmente, coligações partidárias, quociente eleitoral e as famosas buchas eleitorais é o que define quem entra ou roda.

O eleitor entende
Cálculos e recálculos apontam cortes dramáticos em bancadas, em todos os partidos, indistintamente. Não é para menos. Há situações nas quais um punhado de voto dá condições de posse a determinados candidatos, em detrimento de outros muito bem votados. O “ditstritão”, como está sendo chamado, é polêmico. Mas é uma regra prática, que o eleitor entende.

Com Lira e Pacheco como aliados, Bolsonaro não precisa de adversários

Em meio a um turbilhão de desgastes do governo e da figura pública de Jair Bolsonaro, o Brasil assiste a movimentos no Congresso Nacional que, no conjunto da obra, encurralam ainda mais o mandatário no canto do ringue. Controladas pelo centrão, as cúpulas do Senado e Câmara dos Deputados operam para tirar o máximo de proveito da situação. No salão azul, o presidente Rodrigo Pacheco – ainda no DEM, mas de olho no PSD de Gilberto Kassab -, fez vazar que é pré-candidato ao Planalto. Para o bom entendedor, o recado é direto: sem plataforma consistente para 2022, o grupo vai cantar noutra freguesia, com candidatura própria ou não.

Do outro lado, no salão verde, o presidente Arthur Lira (PP-AL) deixou fluir, na reta final do semestre legislativo, a articulação que resultou na aprovação do escandaloso fundão eleitoral. Poucos dias depois, soltou que seria possível a adoção no Brasil do chamado semipresidencialismo. No primeiro caso, o pepelista jogou no colo do presidente o ônus de vetar ou justificar R$ 5,7 bilhões para serem torrados pelos partidos políticos no ano que vem. No segundo, agiu quase como um golpista parlamentar, uma vez que no formato que defende, o chefe de governo sairia do próprio Congresso. Ou seja, com Pacheco de um lado e Lira do outro, quem precisa de adversário?

Os ciclos de poder no Ceará
Há vários modelos pelos quais os ciclos de poder se fecham. No Ceará, nas últimas décadas, o mais frequente tem sido a partir de dissidências. O caso mais conhecido deu-se em 2006, quando o ex-prefeito de Sobral, Cid Gomes, então no PPS, chegou ao governo do Estado, derrotando o PSDB, de que fora aliado durante extenso período. Não é fácil esse movimento de tentar sair de coadjuvante para protagonista. Muitos grupos tentam. Poucos conseguem. Na maioria das vezes, porque não têm a necessária liderança nem o faro do timing.

O velho filme que poderá ser reprisado
Além de ser moralmente indefensável, o bilionário fundo eleitoral remete a política para a mistura sempre delicada de vida pública com dinheiro. Com tantos recursos do contribuinte à disposição, não será surpresa partidos incharem listas de candidatos, com muitas postulações laranjas, com o objetivo de beneficiar os controladores das legendas. Filme velho.

Bolsonarismo sobreviverá a Bolsonaro
Presidente Bolsonaro segue como biruta de aeroporto. Ora diz que poderá não disputar reeleição, na hipótese de não haver sistema auditável na votação, ora investe em atitudes e falas populistas, como que se organizando para a disputa. Independentemente disso, o espectro de ideias vai disputar o poder no ano que vem. O bolsonarismo sobreviverá a Bolsonaro.

O fio da navalha que pode tirar Bolsonaro da corrida eleitoral de 2022

A facada sofrida pelo então candidato a presidente da República, Jair Bolsonaro (então no PSL), em setembro de 2018, foi a gota d´água na tempestade perfeita que levou o à época obscuro deputado federal à rampa do Planalto, em janeiro de 2019. Dois anos, dez meses e seis cirurgias depois do atentado, o mandatário volta a ser internado, intubado e sedado. Este escriba eleva a vida, saúde e dignidade humanas muito acima das miúdas, às vezes, insignificantes, querelas pelo poder. Feito o registro, e longe de ser ave de agouro, é justo supor que, dependendo da sequência de episódios e/ou situações médicas, o atual mandatário nem seja candidato à reeleição.

Não carece ser especialista em comportamento, com aprofundamento em conhecimentos verbais e corporais, para se deduzir que Bolsonaro é cabeça dura. Mas não é ingênuo nem parece ter queda para mártir, a la Trancredo Neves. Se o presidente não for inviabilizado, político ou juridicamente, até lá, ele pode sair candidato à reeleição. Por quê não? Até mesmo como método de defesa própria e dos supostos legados. Mas os sinais de estresse que emite, a partir, inclusive, da sangria da imagem própria e de seu governo, somados aos presságios que seus adversários têm, a partir da CPI da Covid, não seria espantoso se ele desistisse de concorrer.

Vácuo pode alargar terceira via
Como já registrado aqui, corre Brasil afora a tese de que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), poderá sair candidato ao Planalto, pelo PSD. Seria a ocupação de um possível vácuo, deixado pelo hoje forte bolsonarismo? Enquanto a resposta não vem, cabe afirmar que é, exatamente, esse espaço, indo até ao encontro da raia com lulopetismo, à centro-esquerda, onde poderia se abrigar a terceira via. Com um projeto consistente, seria a mais larga faixa do espectro ideológico nacional. O restante, a campanha eleitoral trataria de resolver.

Recesso parlamentar e a CPI
O recesso do Congresso Nacional vai esfriar os ânimos da CPI da Covid? Provavelmente, não. Depois de duas semanas, sem depoimentos, mas debruçados sobre a emaranhada montanha de informações de que dispõem, os senadores poderão recomeçar, em agosto, com a temperatura lá em cima. Principalmente agora, com mais 90 dias de prazo.

Dinheiro, política, dinheiro
É milenar a complicada mistura de política com dinheiro. E parece que assim vai seguir, no Brasil, como se vê no multi bilionário fundo eleitoral, aprovado pelo Congresso Nacional, nos últimos dias. A lógica é simples: com mais recursos públicos, os partidos terão chances de fazer bancadas maiores – para terem acesso a mais dinheiro do fundo partidário.

A situação médica de Bolsonaro como munição política

A que ponto o Brasil chegou! O presidente da República na antessala de um centro cirúrgico e as trincheiras – de um polo e do outro -, usando o quadro clínico do mandatário como munição política. É o triste cenário em que a saúde e a vida humana no País estão mais servindo a pretextos para apelos baratos e conhecidas tentativas de comoção, assim como a ataques irracionais, tripudiação e achincalhes. Assim está a situação, no centro da qual Jair Bolsonaro, internado, com histórico de cirurgias e inspirando cuidados médicos, é usado por seus apoiadores. Assim segue a oposição, que deixou de respeitar adversários, mesmo quando fora de combate.

Bolsonaro e os seus colhem o que plantaram. Basta recorrermos à insensibilidade e incompetência – para não entrarmos na seara dos desmandos no trágico manejo da pandemia. Para além do aparente caso de crimes pensados – segundo a CPI da Covid está desvendando -, são incontáveis os episódios de piadas, ironias e insanidades cometidas, diante das centenas de milhares de vítimas pelo novo coronavírus. Perdendo o prumo e errando a mão, a oposição – aqui entram setores da cobertura que fazem jornalismo questionável -, deixa escapar uma chance de mostrar que é diferente. No mais, é lamentar pela pouca transparência com que o Planalto lida com a ficha médica do presidente.

O fator Rodrigo Pacheco nos palanques do Ceará
Eis que o presidente do Senado e um dos líderes do centrão no Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), está cotado para entrar na lista de presidenciáveis em 2022. Em vias de ir para o PSD, a possível cara nova da disputa do ano que vem pode repercutir nos palanques do Ceará. O grupo aqui abrigado na futura legenda de Pacheco – a segunda maior força política do Estado -, já deixou claro que pretende entrar na majoritária. O movimento do PSD nacional pode ser somente mais um aceno do grupo, por mais espaço e verbas federais. E se for mais do que isso?

Como ser um vereador-deputado
Antes negociadas com parcimônia e equilíbrio, as substituições de integrantes nos legislativos estão cada vez mais criativas. A novidade da vez é vereadores da Capital se articulando para assumirem mandatos de deputado, como suplentes, sem a necessidade de renunciarem aos atuais mandatos na Câmara Municipal. Pelas regras atuais, isso não pode. Certo, Ministério Público?

As pedras pelo caminho do Palácio
Está de volta a especulação sobre a saída ou não do governador Camilo Santana (PT) do Palácio da Abolição. O prazo vai até abril de 2022. Renunciando, o petista seria candidato ao Senado, a hoje vice-governadora Izolda Cela (PDT) assumiria e o PDT indicaria o candidato pela situação. Mas há pedras no caminho, cujo objetivo final é apoiar a reeleição de Tasso Jereissati (PSDB).

Sobre currículo jurídico e resistências políticas

Ele é especialista em direito público, pela prestigiada UnB. É mestre e doutor pela multi-centenária e respeitadíssima Universidade de Salamanca (Espanha), onde já deu aula – assim como na Mackenzie de Brasília e Fundação Getúlio Vargas (FGV). Tem dissertação e tese sobre corrupção, estado de direito e governança. Foi advogado concursado da Petrobras, advogado-geral da União e ministro da Justiça. Essa é a mini bio de André Luiz de Almeida Mendonça, 42 anos, indicado, oficialmente, pelo presidente Jair Bolsonaro, para o Supremo Tribunal Federal (STF) à vaga aberta com a aposentadoria compulsória de Marco Aurélio Mello.

Mas não é assim que Mendonça vem sendo (re)apresentado ao grande público, agora que está a poucos passos de integrar a mais alta Corte Judiciária do País – precisa de aval da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e do plenário do Senado. Alguns críticos de plantão, mais interessados na narrativa antibolsonarista, provavelmente nem tenham se dado ao trabalho de saber quem é o provável futuro ministro. Apegou-se ao fato de o advogado ser – ou se mostrar – religioso, professar sua fé e, no contexto de valores conservadores, está mais alinhado ao que sempre defendeu o presidente para o posto. O que há de condenável em critérios do tipo?

Arestas, juri esperniandi e as regras do jogo
A indicação de André Mendonça para o STF é uma questão técnica, na qual se discute o notório saber jurídico do pretenso aprovado, associado à visão de mundo e as conveniências políticas que o presidente da República tem, dentro das atribuições discricionárias do chefe do Executivo Federal. Sabatinado no Senado, Mendonça será levado a defender, de forma muito clara, a independência e a harmonia entres os poderes. Até lá, vai tentar aparar arestas entre os votantes. No mais, é o juri esperniandi de quem esquece as regras do jogo, quando estas não estão a favor.

À espera do Diário Oficial
Aguarda sanção na mesa do governador Camilo Santana o Programa de Atração e Apoio à Geração de Energia Renovável, aprovado na Assembleia Legislativa. De autoria de George Lima (PV), a matéria, encorpada no início, ficou desidratada ao final da tramitação. Mesmo assim, merece virar lei – nem que seja pelo simbolismo de vanguarda do Estado na estratégica área.

Danilo: quatro anos em dois
Conhecedor dos rincões do Ceará, o deputado federal Danilo Forte (PSDB) quer fazer quatro anos em dois. Explica-se: suplente em 2018, herdou o mandato de Roberto Pessoa (PSDB), quando este foi eleito prefeito de Maracanaú, no ano passado. De olho em 2022, o ainda parlamentar tucano articula mudança de partido e maciços apoios para seguir em Brasília, a partir de 2023.

Pós-pandemia: desafios e estratégias

Economista Célio Fernando é secretário-executivo na Casa Civil-CE/Reprodução

O secretário-executivo de Regionalização e Modernização da Casa Civil do Governo do Estado do Ceará, economista Célio Fernando, debate logo mais, a partir das 19 desta quinta-feira (15), os desafios e as estratégias de cenários pós-pandemia, com o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio-CE), Luiz Gastão Bittencourt.

Organizado pela plataforma digital TrendsCE, o evento, no formato online, pretende abordar os desafios, de médio e longo prazos, sobre as muitas questões trazidas durante esse período de crise sanitária, que impactou, profundamente, a economia, em todas as áreas, níveis e lugares.

Célio Fernando é economista há mais de 30 anos. Na Casa Civil, o consultor de empresas articula ações entre diversos temas no tripé governo-mercado-academia, ouvindo demandas, para juntos pensarem estratégias e ações de impacto, que possam trazer melhorias para os cearenses.

Gastão Bittencourt é empresário do setor de serviços, atuando em empresas de asseio, conservação, segurança e administração presidiária. O presidente da Comércio-CE declara-se defensor da geração de emprego, renda e responsabilidade social, redução e simplificação da carga tributária, assim como fomento ao empreendedorismo.

SERVIÇO
“Pós-pandemia – desafios e estratégias”, com o economia Célio Fernando e Luiz Gastão Bittencourt (Fecomércio-CE).
Data: 15 de julho, às 19h.
Onde: YouTube.com/TrendsCE