Não chores por mim, Brasil


Mais da Coluna Erivaldo Carvalho desta quarta/13

Há 102 anos a companhia americana montava veículos no País / Reprodução

O que leva um antibolsonarista a quase comemorar a saída da Ford do Brasil? Afirmar que o presidente da República é incapaz de liderar o País em um momento tão dramático, sanitário e economicamente? Os governos passam e o País fica. Esse deveria ser o pensamento geral – dos que torcem para que o Brasil dê certo e dos que pensam que quanto pior, melhor.

A Ford nunca foi uma Tesla
A propósito das razões da saída da Ford do solo brasileiro, há, obviamente, aspectos políticos e econômicos – agravados pela pandemia. Mas há, também, a reconfiguração global da companhia, erros estratégicos e, principalmente, ausência de inovação, que a deixou sem competitividade. A Ford virou uma Kodak automobilística. Nunca foi uma Tesla.

Brasil deve focar em resultados demandados

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista desta quarta/13

Política no Brasil virou guerra campal / Lucio Bernardo Jr/Câmara dos Deputados

O problema quando se vive num clima político polarizado e tóxico, tal qual a atmosfera que, atualmente, se respira no ambiente brasiliense – e que se espalha para todo o Brasil -, é a asfixia que sofrem os que ousam olhares desarmados, que tentam focar nos resultados demandados, à frente dos desafios e à espera de dias melhores. Infelizmente, a luta pragmática em torno dos projetos de poder tem levado o Brasil para bem longe desse ponto de equilíbrio. A política está virando guerra a céu aberto; a economia desmorona; a oposição prega a máxima da terra arrasada e o governo Bolsonaro, acuado, mostra cada vez mais sua face autoritária.

No meio disso tudo, o Brasil vive o pesadelo da pandemia de covid-19, que todo dia leva centenas de vidas. Paralelamente, o Congresso Nacional vive uma batalha atrás da outra, na imprensa e nos bastidores, pelo comando da Câmara dos Deputados e Senado. Sabe-se que o resultado do início de fevereiro, quando serão conhecidos os sucessores dos presidentes Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Davi Alcolumbre (DEM-AP) vai impactar na sucessão de Bolsonaro – ou mesmo no tamanho do mandato presidencial, caso a hipótese de impeachment, ainda remota, suba a rampa do Planalto. Não deveríamos estar nesse rumo. Parece que quase tudo está fora do lugar.

As crises e o silêncio dos bons
Se “a guerra é a continuação da política por outros meios” (Carl von Clausewitz) deve-se fazer uso da política à exaustão. Sempre saliva e nunca pólvora. Em outras palavras, as circunstâncias exigem que o Brasil coloque a bola no chão. Onde estão os grandes homens e mulheres públicos deste País, dos meios político, jurídico e econômico etc, que não se comunicam, sentam e discutem um pacto institucional? O que estão esperando que aconteça? “O que me preocupa não é o barulho dos maus, mas o silêncio dos bons” (atribuída a Martin Luther King).

Espírito de Natal

Gustavo Pernambucano, da Adepol-CE: boa ação natalina que inspira

Em tempos desafiadores, como estes que estamos vivendo, abrem-se janelas de aprendizado. Novos olhares, mais sensíveis, para o outro, acabam sendo construídos, onde antes, na maioria das vezes, existia o foco em nós mesmos.

Foi o que aconteceu no segmento de entidades profissionais representativas. Mais precisamente, na Associação dos Delegados de Polícia Civil do Estado do Ceará – Adepol-CE.

Acostumada à tradicional festa de confraternização de final de ano, a associação, impedida de realizar o evento, devido aos protocolos de isolamento social, pelo novo coronavírus, resolveu fazer diferente.

Com parte do dinheiro arrecadado para a festa da categoria, a Adepol-CE adquiriu 20 toneladas de alimentos, posteriormente distribuídos entre diversas instituições beneficentes cearenses.

As entregas foram realizadas pelos delegados na Capital e através de 18 delegacias regionais, no interior do Estado, ajudando 25 instituições e beneficiando centenas de famílias em todo o Estado do Ceará.

Para o presidente da associação, Gustavo Pernambuco, a ação é ainda mais necessária neste momento.

“É Natal. E no Natal, dentro de uma pandemia, é momento de olharmos para as pessoas que mais necessitam. Por isso, a Adepol-CE optou por não presentear seus filiados com os tradicionais presentes de final de ano e estender a mão àquelas pessoas em situação de maior vulnerabilidade social”, destaca.

Assim, a Adepol-CE e centenas de famílias viveram o verdadeiro espírito de Natal, construindo a fraternidade, ajudando o próximo e inspirando outras pessoas a fazerem o mesmo.

Camilo: dever de casa com bônus

Mais da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta quarta/16

Governadores Dória (SP) e Camilo (CE) com o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas: parceria em torno da vacina contra a covid-19


O governador do Estado, Camilo Santana, fiel ao estilo sóbrio e de olho na imunização da população cearense, vem deixando as discussões ideológicas de lado. Tem conversado/negociado com gregos e troianos.

O petista, que já deu outras demonstrações de potencial político nacional, faz o dever de casa. De outros desdobramentos e eventuais bônus, o tempo se encarregará.

Eleição, transição e gestão
A eleição de 2020 foi, profundamente, marcada pela pandemia. Do calendário, que teve de ser reelaborado, a regras sui generis da campanha, pela necessidade de distanciamento e outros protocolos.

Agora, em transição, as gestões que fecham as contas e as que recebem as chaves das prefeituras seguem na mesma toada.

Ou seja, todos os esforços estão sendo direcionados para ações – sanitárias, econômicas e sociais -, para combater ou minimizar os efeitos da presença do novo coronavírus entre nós.

É o tipo de transição que ninguém sabe até quando vai.

A indiferença do coronavírus sobre as regras humanas

O micro-organismo é totalmente alheio à racionalidade e organização humanas

A forma como o mundo é organizado no imaginário coletivo da sociedade – família, trabalho, lazer e demais focos de interesse, com suas regras escritas e não escritas -, para o novo coronavírus equivale, exatamente, a nada.

Sem consciência do que é ou faz, o micro-organismo – sobre o qual pairam, inclusive, dúvidas se é ou não um ser vivo -, simplesmente está lá.

O vírus existe sem causa, contagem do tempo ou quaisquer outros parâmetros aos quais nos acostumamos. Desprovido de qualquer sentimento – algo atribuído, exclusivamente, a nós, humanos -, o corona sequer compartilha da ansiedade sobre quando nos deixará. Para ele, tanto faz como tanto fez.

Não se sabe desde quando o homem perambula pela Terra. As apostas variam de alguns milhares a poucos milhões de anos. Muito pouco tempo, quando comparado a substâncias, como vírus, que por aqui existem na casa dos bilhões de anos.

Mas o fato é que, por linhas do tempo bem tortas, um vírus do tipo bem específico, que causa a mortal covid-19, cruzou o nosso caminho e, agora, circula entre nós.

Quiseram as circunstâncias que este 2020 fosse marcado na história humana com rastros de perdas e lutos. Mas isso é o que sentimos. Ele, indiferente, segue se instalando em organismos e se reproduzindo. Nem que isso custe vidas. É da natureza dele.

Sobre vacina contra a covid-19 e atraso biotecnológico

Da coluna Política, do jornal O Otimista

Imunizante está sendo desenvolvido em mais de um país / REUTERS/Dado Ruvic

A pandemia foi muito além de escancarar nossas chagas sociais, nos fazer enxergar invisíveis e mostrar que a vida é muito mais do que imaginávamos. O País, que se destaca em várias outras áreas, não tem biociência de ponta. Prova disso é o debate sobre os modelos de vacina contra a covid-19. O Brasil pode até ser a nacionalidade de cérebros que integram ou comandam equipes de alto nível mundo afora. São talentos individuais. Mas, ainda está distante de entrar no seleto clube das nações que protagonizam, atualmente, a mais bilionária das guerras científicas e comerciais de que se tem notícia.


Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, China, Japão e Rússia, para ficarmos somente nos mais badalados, entre prêmios Nobel e centros científicos globais, concentram mais da metade dos prêmios Nobel do mundo. Enquanto isso, autoridades brasileiras, perdem-se em discussões sobre o País ser fornecedor dos insumos para fabricação do imunizante ou de que lugar do planeta o produto será importado. Nessa perspectiva, a pandemia permite mais uma reflexão sobre nós, brasileiros, e nosso lugar no mundo – sabendo-se que o cenário levará gerações para mudar.

Arthur Lira e os planos do Partido Progressista para 2022

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta sexta/11

O pepista tem as bênçãos do Planalto /Marcelo Camargo – Agência Brasil


Rodrigo Maia ainda se recupera do baque do último final de semana – quando viu suas chances de tentar permanecer no comando da Câmara dos Deputados descerem pelo ralo do Supremo Tribunal Federal. Isso explica a indefinição do nome de seu grupo para sucedê-lo e a sangria que vem sofrendo. Ontem, o pré-candidato à Presidência Marcos Pereira (Republicanos-SP) saiu do bloco de Maia. Lá estão, no todo ou em parte, PP, MDB, DEM, PSDB, Cidadania e PV. Na outra ponta, Arthur Lira (PP-AL), nome apoiado pelo presidente Bolsonaro e já lançado à sucessão de Maia, reúne deputados dos PL, PSD, Avante, Solidariedade, Patriota, Pros e PSC, além do próprio PP. PTB, PSB e até PT devem se somar ao bloco de Lira.

Para quem transita no tapete verde do Congresso Nacional, não há dúvida do expressivo favoritismo do candidato do Planalto para substituir Maia. Os mais empolgados sequer imaginam a disputa em duas etapas – uma característica da Casa, dada a histórica fragmentação das forças. Fazer o próximo presidente seria somente uma das pontas do novelo político. No radar dos pepistas de proa, como o presidente nacional da sigla, senador Ciro Nogueira (PI), chefiar os deputados é um dos primeiros passos para voos muito mais altos. Nas projeções mais ousadas, o PP estaria executando o plano de, uma vez no comando da Câmara e mandando em apetitosos pedaços do Governo, construir a viabilidade para emplacar o vice de Bolsonaro, daqui a dois anos.

Bolsonaro, o filho pródigo
Antes de se aventurar a chefiar a nação, Jair Bolsonaro era filiado ao PP, onde acumulou mandatos de deputado federal pelo Rio de Janeiro. Quando foi para o então nanico PSL, o hoje presidente deixou no ex-partido colegas do chamado baixo clero da Câmara, a exemplo de Arthur Lira, com quem até hoje cultiva amizade. Atualmente sem partido, o mandatário já admitiu filiar-se a um partido já existente, caso não se materialize a construção do Aliança pelo Brasil. Também não é segredo que o retorno ao PSL, onde tem muitos seguidores, pode ser uma das possibilidades.

Sai DEM, entra PP e MDB
Caso Rodrigo Maia não emplaque seu sucessor para a cadeira hoje ocupada por ele, o protagonismo de seu DEM poderá ter de ceder espaço para o PP de Arthur Lira. O mesmo pode acontecer no Senado, onde o DEM de Davi Alcolumbre será substituído – na cotação do dia -, pelo MDB. Lá, já se articulam nomes de possíveis candidatos à presidência da Casa.

A contabilidade do voto
Ainda incipiente, o clima eleitoral nos dois principais blocos de deputados que deverão disputar a presidência ainda não permite cálculos consistentes. Mas se estima que o grupo de Arthur Lira tenha em torno de 170 votos, contra cerca de 150 do nome ligado a Rodrigo Maia. Para ser eleito no dia 1º de fevereiro de 2021, são necessários 257.

“Guerra da vacina” iguala governos Bolsonaro e Dória

Governador de São Paulo e presidente da República duelam em torno do imunizante / Marcos Corrêa / PR


É um péssimo sinal quando a politicagem se sobressai em reuniões de gestores que deveriam tratar de temas caríssimos à sociedade. Sobretudo, em se tratando de saúde pública, em meio a uma pandemia, como a que o País atravessa. Foi lamentável, portanto, de lado a lado, o duelo verbal entre o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), durante reunião de chefes de executivos estaduais com o titular da Esplanada. Está errado o ministro, em mais uma vez usar a ainda respeitada Anvisa como obstáculo à tão esperada vacina contra a covid-19 – quando a agência deveria ser uma forte aliada.

Está errado Dória, ao tentar transformar o ambiente em palanque político para 2022. É verdade que o tucano saiu na frente, indo aos principais centros de pesquisa do mundo, em busca do imunizante – quando a maioria dos governadores se consumia em ampliar a rede de atendimento aos contaminados. O tucano também pode estar certo em tentar antecipar o calendário de vacinação. Por que esperar março de 2021, se pode começar em janeiro? Mas, méritos à parte, isso não dá direito ao governador do Estado mais rico do Brasil a puxar para si o protagonismo político, quando o mais importante seria unir forças, para apontar na mesma direção.

Lamentável prévia do que pode ser 2022
João Dória pratica ataques ao presidente Bolsonaro como esporte favorito, atribuindo-lhe convicções pessoais e interesses políticos acima da vida de milhões de brasileiros contaminados ou em vias de entrarem nas tenebrosas estatísticas da covid-19. Mas o que o governador paulista está fazendo, senão também jogando por interesse político, pensando daqui a dois anos, quando fixa em 25 de janeiro – aniversário da Cidade de São Paulo, lembrado pelo próprio -, para começar a campanha de vacinação no Estado? Com sinais trocados, o Instituto Butantan está para o Palácio dos Bandeirantes como a Anvisa está para o Planalto.

Pressão sobre os demais estados e União
Enquanto isso, mais da metade dos estados brasileiros – particularmente os do Norte e Nordeste -, passarão, a partir da referência de São Paulo, a ser pressionados a também adquirirem lotes de vacina, para distribuição e aplicação em sua população. O efeito deverá recair, inclusive, sobre o Governo Federal, que deverá ser obrigado a também botar a mão no bolso e acelerar o processo.

E assim se formou o resultado do 2º turno em Fortaleza

Sarto e Capitão: estratégias, erros e acertos na corrida pela Prefeitura de Fortaleza

Capitão Wagner: da liderança à desconstrução
O candidato do Pros começou a campanha com astral lá em cima, para segurar a liderança nas pesquisas. Ele sabia que viriam as pesadas tentativas de desconstrução – como vieram. No meio do processo, começou a acusar o golpe, até que, sem outra opção, partiu para a tardia defensiva. Por fim, foi ao contra-ataque, já sem forças e tempo para reverter o cenário desfavorável.

José Sarto: três etapas e duas metas a cumprir
O candidato do PDT seguiu o script que qualquer candidato na condição dele seguiria: apresentação ao grande público, no início; associação aos bem avaliados Roberto Cláudio e Camilo Santana no meio do processo e, por fim, ser propositivo. Além disso, tinha diante de si duas metas claras: passar Luizianne Lins (PT) no primeiro turno e derrotar o Capitão no segundo.

São Paulo: o vácuo petista ocupado pelo Psol

Com tantas variáveis em questão e o histórico de imprevisibilidade eleitoral, é cedo para se projetar o tamanho do avanço que a esquerda, personalizada no Psol de Guilherme Boulos, terá na cidade de São Paulo. Mas, uma certeza, pelo menos, já está posta: o pequeno notável partido já é um dos vitoriosos neste 2020, em visibilidade – independentemente do que as urnas paulistanas revelem, neste domingo. O Psol está ocupando o vácuo deixado pela narrativa envelhecida do PT que, preso ao passado, não consegue projetar o próprio futuro.