Congresso Nacional: centrão mostra a que veio

O presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco cumprimenta o presidente da Camara, Arthur Lira. Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Antes de terminar o mês que começou com a chegada do centrão à cúpula da Câmara dos Deputados e do Senado, Brasília já respira outros ares, o governo Bolsonaro parece ter saído do marasmo e, na média geral, há a sensação de que vários movimentos concretos estão acontecendo – só não se sabe ainda se para melhor ou pior. Logo no início, Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG) mostraram que não haveria espaço na atuação da dupla centrista para disputas ideológicas, agenda de costumes e outros tiros de distração política que fazem a cabeça dos bolsonaristas. Objetivos, estão dando aula de pragmatismo.

Em menos de quatro semanas e operando à meia luz, em face da pandemia de covid-19, foi articulada uma PEC emergencial – que viabilizará o auxílio homônimo; o Orçamento da União-2021, que não existia, começou a ganhar corpo; foi acelerado o processo de aquisição de vacinas – inclusive pela iniciativa privada, e a Esplanada dos Ministérios está sendo ampliada, para novos condôminos. Corporativista, ato contínuo à prisão de um deles, o presidente Lira encabeçou um grande e rápido movimento para reforçar a im(p)unidade parlamentar e, agora, já se discute a volta do nepotismo e leis anticorrupção mais brandas.

Bolsonaro, o Acre não é aqui
Sempre serão bem-vindos investimentos, inaugurações e ordens de serviço federais, particularmente em uma área estratégica como a infraestrutura rodoviária. Bolsonaro estará hoje em terras cearenses, numa série de atos oficiais na área. Mas estamos submersos em uma pandemia mortal. Atos da política velha, de comícios em entrega de obras deveriam ser evitados. Anteontem, o presidente esteve no Acre, onde foram produzidas algumas das mais tristes e irresponsáveis imagens de aglomeração.

O Ceará acima das intrigas
Não é fácil coordenar uma bancada como a do Ceará em Brasília, em meio a tantos interesses políticos paroquiais, três meses depois de um agressivo processo eleitoral e já se desenhando o próximo. São, portanto, naturais as desavenças pontuais e os debates. É do jogo. Mas nenhuma diferença pode virar intriga, ao ponto de bloquear os interesses maiores do Estado.

Os primeiros movimentos
Em 2022 não haverá coligação partidária para disputas proporcionais. O impacto na lista de eleitos será imenso. Ressabiados, pelo menos três deputados federais do Estado, de dois partidos diferentes, estariam afivelando as malas para mudar de sigla – iriam para uma única legenda. Não para por aí. O grupo a se formar está de olho em disputas maiores.

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