Semana na CPI da Covid pode ser decisiva para Bolsonaro

Os médicos Teich e Mandetta foram ministros da Saúde do governo Bolsonaro/AGÊNCIA BRASIL

Esta semana será uma das mais longas e complicadas – provavelmente, também decisivas -, do governo Bolsonaro. Nesta terça-feira (4), sentarão no banco das testemunhas da CPI da Covid no Senado os ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich. O primeiro, principalmente, por ser profundo conhecedor dos bastidores da dramática crise sanitária nacional e, político de carreira, ter explícitos interesses eleitorais em 2022. O segundo, que teve passagem relâmpago pela pasta, deverá somente cumprir a tabela dos depoimentos – afora o fato de ter desenvolvido uma espécie de fetiche por testes anticovid-19 – era o monotema do então ministro.

A atração principal, entretanto, se dará na quarta-feira (5) quando, diante dos senadores, deverá estar o general da reserva Eduardo Pazuello que, por ter juízo, obedeceu a quem podia mandar, como o próprio chegou a afirmar publicamente. Será um dia de CPI inteiramente reservado ao especialista em logística do Exército Brasileiro. Pode até nem ser o suficiente. Terá muito o que explicar um chefe de ministério que recebeu o posto (16/maio/2020) com 233 mil casos e 15.633 óbitos e o entregou (15/março/2021) com 11,5 milhões de infectados e quase 280 mil mortes. Desde então, o Brasil passou a ocupar o 2º lugar em letalidade e fatalidade na pandemia.

A galinha, a pata e as gestões públicas
É conhecida no mercado de comunicação a “lição de marketing”, segundo a qual ovo de galinha não é tão nutritivo quanto o de pata, além de ser menor. Mesmo assim, é muito mais consumido e está em todo supermercado, e não somente na feirinha de rua. A explicação estaria no cacarejo da primeira e no silêncio da segunda, quando cada uma produz o respectivo ovo. Nos governos em geral acontece muito isso. Nos bastidores, não é raro se ouvir lamentações de ações exitosas, mas de pouca ou nenhuma visibilidade. Sempre há uma ou outra galinha rodeada de patas.

Política e religião 1
Líderes de centro-esquerda nacionais articulam ofensivas com foco em um nicho estratégico para Bolsonaro: o público evangélico, que garante em torno de um terço do eleitorado ao presidente. Nas mensagens, em vários formatos e plataformas, deverá estar a defesa da vida – um ponto central de todos os credos -, em meio à trágica pandemia, minimizada pelo Planalto.

Política e religião 2
Bolsonaro e os seus não pretendem esperar o desgaste chegar. Numa espécie de antecipação à estratégia dos adversários, já planeja uma aproximação ainda maior com este público, onde é franco favorito à reeleição, com visitas a grandes templos de todo o País. Mas muito vai depender, claro, do andamento da CPI, que pode, no pior dos mundos, afastar o fiel eleitorado. 

STF, Senado, CPI e Anvisa: argumentos e incoerências

A sede da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, em Brasília

Nunca tivemos, no Brasil, ambiente político tão judicializado nem decisões judiciais tão politizadas. A preocupante troca de sinais demonstra que, no jogo do poder, o interesse público foi deixado de lado, assim como a boa técnica perdeu espaço para o subjetivismo. Tudo isso, com força para arrastar quase toda a sociedade brasileira para a reducionista triagem, que separa “os contra” dos “a favor”. A partir deste princípio, os arautos do “nós contra eles” tentam organizar o restante, não importando quanta incoerência ou visão distorcida isso possa representar. Vejamos quatro exemplos recentes, no âmbito do STF e da Anvisa, que atestam a cegueira ideológica por que passa o País.

Muitos aplaudiram quando o ministro Luiz Roberto Barroso (STF) determinou a instalação da CPI da Covid pelo Senado. Mas foram contra quando um governista foi ao mesmo Supremo impedir que um dos membros da comissão ocupasse um dos postos mais relevantes do colegiado. Argumento: invasão de questões Interna Corporis. Em janeiro, quando a Agência de Vigilância acatou o pedido do Butantan e autorizou a produção e aplicação no Brasil da chinesa CoronaVac, o aspecto técnico foi enaltecido. O discurso em defesa da agência, entretanto, mudou, quando a mesma agência, também citando aspectos técnicos, negou aval à russa Sputnik V.

A reforma tributária, by Ciro Gomes
A 3ª edição do “Ciclo de Estudos sobre a Reforma Tributária – CERT” abordará as propostas em tramitação no Congresso Nacional. No centro das atenções, o ex-ministro e pré-presidenciável Ciro Gomes (PDT) abordará “Reforma Tributária na perspectiva do Ministério da Economia”. Professor de Direito Tributário e Constitucional, o pedetista elencará vantagens e desvantagens, para o comércio e sociedade em geral, da proposta em curso. A promoção é da CDL-Fortaleza e Faculdade CDL. Nesta quinta-feira (29), às 18h, no canal da CDL no Youtube.

Quando novembro chegar
Segundo dados da OAB-CE, a ESA, braço educacional da instituição, fez bonito de janeiro até aqui, com milhares de alunos inscritos em vários cursos. Mas isso é o de menos. Importante é a política de descontos na anuidade, paridade de gênero e participação feminina, temas que deverão ser explorados pela oposição, na campanha eleitoral de novembro.

Sobre palavras e exemplos
Numa corrente do bem e contra a covid-19, a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, Regional Ceará (Sbot-CE) associou-se à Associação Médica Cearense (AMC) na doação de capacetes Elmos a instituições públicas do Estado. Na pandemia, a sociedade vem mostrando o que tem de melhor. Palavras convencem, exemplos arrastam.

CPI da Covid pode ser o início do fim do atual ciclo de poder

Os senadores Randolfe (em pé), Aziz e Calheiros, que formam a cúpula da comissão

A semana começa com todas as atenções voltadas para o início dos trabalhos da CPI da Covid, no Senado, previsto para esta terça-feira (27). As investigações pretendem dissecar os mandos e desmandos que produziram uma tragédia humanitária dentro da já trágica pandemia pelo novo coronavírus. Sem ascendência sobre o colegiado, desorganizado politicamente no Congresso Nacional, e com potenciais adversários se movimentando de olho no Palácio do Planalto, em 2022, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) terá pela frente dias, semanas e meses muito difíceis. No pior dos mundos, poderá ser o início do fim do atual ciclo de poder do clã mais poderoso do País.

Para além de que governo algum, por muito menos, sentir-se confortável com um canhão apontado para si, a própria ginástica que o governo fez para evitar a CPI diz muito do temor que ronda o Executivo. O último lance foi a nomeação do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, para a Secretaria-Geral do Exército. Trata-se de um arquivo ambulante. Mas as investigações serão irrestritas, incluindo estados e municípios, correto? Sim e não. Há nítidos sinais de que os aliados manterão o esforço para dividir o foco do Governo Federal. Mas há controvérsias, como já captam os índices de pesquisas sobre a responsabilização dos culpados e as narrativas do entorno.

Debate aborda sustentabilidade econômica
Em momento mais do que oportuno, quando o mundo acaba de assistir a uma conferência global sobre o clima e o futuro do planeta, a Assembleia Legislativa do Ceará promove hoje mais uma edição do projeto Grandes Debates – Parlamento Protagonista, com o tema “Sustentabilidade: o caminho para o desenvolvimento”. À mesa virtual estarão Leonardo Boff (teólogo), Alessandro Molon (deputado federal-RJ), Artur Bruno (Sema-CE), Eudoro Santana (PMF) e Leonardo Pinheiro (deputado estadual-CE). Às 16h, em várias plataformas.

Fundeb no Ceará: R$ 215 milhões em prejuízos
Um erro em repasses do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) para municípios cearenses pode render prejuízos que beiram os R$ 215 milhões. Mais de 190 mil matrículas de alunos do ensino fundamental em tempo integral do Ceará deixaram de ser computadas, impactando 114 municípios. Cálculos do deputado estadual Queiroz Filho (PDT).

Sobre desenvolvimento e política no Ceará
É dominante a crítica de que o desenvolvimento econômico no Estado do Ceará vem se concentrando, cada vez mais, na Região Metropolitana de Fortaleza e em alguns pedaços do litoral. Prefeitos dos rincões do Interior que o digam. Eis um bom mote, tanto para o Governo do Estado, a quem cabe o planejamento, quanto para a oposição, que certamente pretende explorar.

Camilo: dever de casa com bônus

Mais da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta quarta/16

Governadores Dória (SP) e Camilo (CE) com o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas: parceria em torno da vacina contra a covid-19


O governador do Estado, Camilo Santana, fiel ao estilo sóbrio e de olho na imunização da população cearense, vem deixando as discussões ideológicas de lado. Tem conversado/negociado com gregos e troianos.

O petista, que já deu outras demonstrações de potencial político nacional, faz o dever de casa. De outros desdobramentos e eventuais bônus, o tempo se encarregará.

Eleição, transição e gestão
A eleição de 2020 foi, profundamente, marcada pela pandemia. Do calendário, que teve de ser reelaborado, a regras sui generis da campanha, pela necessidade de distanciamento e outros protocolos.

Agora, em transição, as gestões que fecham as contas e as que recebem as chaves das prefeituras seguem na mesma toada.

Ou seja, todos os esforços estão sendo direcionados para ações – sanitárias, econômicas e sociais -, para combater ou minimizar os efeitos da presença do novo coronavírus entre nós.

É o tipo de transição que ninguém sabe até quando vai.

“Guerra da vacina” iguala governos Bolsonaro e Dória

Governador de São Paulo e presidente da República duelam em torno do imunizante / Marcos Corrêa / PR


É um péssimo sinal quando a politicagem se sobressai em reuniões de gestores que deveriam tratar de temas caríssimos à sociedade. Sobretudo, em se tratando de saúde pública, em meio a uma pandemia, como a que o País atravessa. Foi lamentável, portanto, de lado a lado, o duelo verbal entre o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), durante reunião de chefes de executivos estaduais com o titular da Esplanada. Está errado o ministro, em mais uma vez usar a ainda respeitada Anvisa como obstáculo à tão esperada vacina contra a covid-19 – quando a agência deveria ser uma forte aliada.

Está errado Dória, ao tentar transformar o ambiente em palanque político para 2022. É verdade que o tucano saiu na frente, indo aos principais centros de pesquisa do mundo, em busca do imunizante – quando a maioria dos governadores se consumia em ampliar a rede de atendimento aos contaminados. O tucano também pode estar certo em tentar antecipar o calendário de vacinação. Por que esperar março de 2021, se pode começar em janeiro? Mas, méritos à parte, isso não dá direito ao governador do Estado mais rico do Brasil a puxar para si o protagonismo político, quando o mais importante seria unir forças, para apontar na mesma direção.

Lamentável prévia do que pode ser 2022
João Dória pratica ataques ao presidente Bolsonaro como esporte favorito, atribuindo-lhe convicções pessoais e interesses políticos acima da vida de milhões de brasileiros contaminados ou em vias de entrarem nas tenebrosas estatísticas da covid-19. Mas o que o governador paulista está fazendo, senão também jogando por interesse político, pensando daqui a dois anos, quando fixa em 25 de janeiro – aniversário da Cidade de São Paulo, lembrado pelo próprio -, para começar a campanha de vacinação no Estado? Com sinais trocados, o Instituto Butantan está para o Palácio dos Bandeirantes como a Anvisa está para o Planalto.

Pressão sobre os demais estados e União
Enquanto isso, mais da metade dos estados brasileiros – particularmente os do Norte e Nordeste -, passarão, a partir da referência de São Paulo, a ser pressionados a também adquirirem lotes de vacina, para distribuição e aplicação em sua população. O efeito deverá recair, inclusive, sobre o Governo Federal, que deverá ser obrigado a também botar a mão no bolso e acelerar o processo.

Teste de Sarto é recado a candidatos, aviso a eleitores e cobrança à Justiça Eleitoral

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta quarta/7:

Em quarentena, candidato do PDT está atuando na campanha remotamente, pela internet

O teste positivo do candidato José Sarto (PDT) para covid-19 mexeu com a sucessão eleitoral em Fortaleza. Não bastasse o pedetista liderar uma coligação com vistosa musculatura, o presidente da Assembleia Legislativa representa, na disputa, o grupo dos Ferreira Gomes, hegemônico no Ceará – estado reduto de Ciro, na lista dos políticos mais relevantes do País. Com o diagnóstico, aspectos foram redesenhados. Internamente, com redirecionamento de focos e revalidação de agendas, etapas e prioridades. Externamente, com mais atenção aos protocolos sanitários e ao esforço de parecer que tudo segue normal.

O resultado do exame de Sarto também foi sentido entre os demais concorrentes à cadeira de Roberto Cláudio. Não somente pelo momento fair play, em que quase todos os candidatos se solidarizaram com o deputado, publicamente, desejando-lhe plena e rápida recuperação. Os próprios concorrentes deverão, a partir de agora, ser mais cuidadosos. Afinal, todos, sem exceção, estavam tão sujeitos à contaminação quanto o pedetista. Principalmente, os candidatos que vão às ruas com o chamado volume de campanha – aquelas dezenas de pessoas no entorno, vestidos a caráter e com material de divulgação.

Dá para participar sem entrar nas estatísticas
Para os imprudentes que no dia a dia se aglomeram – em torno de candidatos ou não -, sem as precauções mínimas, fica o alerta de que a pandemia ainda não foi embora e qualquer vacilo pode ser fatal. Particularmente, em bairros populares, onde o vírus circula de forma muito mais presente do que nos quadriláteros nobres da apartada Fortaleza. Com a abundância de plataformas online, dá para acompanhar, debater e se comunicar com candidatos, sem precisar entrar para as estatísticas – de infectados ou algo pior.

Banho de água fria nos protocolos
O caso mais relevante até aqui de contágio pelo coronavírus na disputa da Capital foi um banho de água fria nas expectativas da Justiça Eleitoral, quanto à obediência aos protocolos sanitários. O aviso foi dado. Ou as autoridades que organizam e fiscalizam o pleito agem agora ou, no limite, poderemos ter o recrudescimento da situação.

Sem regras seguras, abstenção será recorde
Daqui a seis semanas e meia teremos o 1º turno das eleições. Não será surpresa se depois de uma campanha insegura do ponto de vista sanitário, os índices de abstenção ultrapassarem as últimas médias. A Justiça Eleitoral, que faz campanha pela presença maciça de eleitores às urnas, precisa ajustar as regras de anticovid-19.

Multa por não uso de máscara é antídoto contra insensatez

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, edição desta sexta/7:

Virou lugar comum a constatação de que a Codiv-19 mudou o mundo para sempre. Na política, isso já é um fato – da nova geopolítica internacional às receitas mais insanas, à base de ozônio. Entre um polo e outro, muitos desdobramentos do dia a dia vão se somando, dividindo opiniões e acumulando polêmicas. Particularmente, nesta pré-temporada de caça ao voto, em que o jogo de simpatia com o distinto público torna-se decisiva na vida pública de personagens, grupos políticos e gestões. De longe, o ponto mais barulhento, depois do case cloroquina, é o uso obrigatório de máscara.

Nesse sentido, foi muito acertada a aprovação, pela Assembleia Legislativa, de multa para quem não usar o EPI em locais públicos ou de uso coletivo. Na versão mais pesada, a sanção aproxima-se de R$ 1 mil. Conforme O Otimista mostrou nesta quinta-feira, 6/8, os indicadores da pandemia no Ceará seguem melhorando, mesmo com a retomada das atividades. E poderiam estar ainda mais consistentes, não fossem as cotidianas cenas de descuido e insensatez observadas, ultimamente. Num país em que há “leis que pegam e leis que não pegam”, é esperar para saber o alcance prático da medida.

Questão de fé e defesa da vida

Apresentado por Walter Cavalcante (MDB), o projeto que prevê multa pelo não uso de máscara enfrentou resistências, a exemplo da deputada Dra. Silvana (PL), que, médica, disse preferir tomar hidroxicloroquina, preventivamente, a usar o artefato. Silvana pertence às fileiras evangélicas, enquanto Walter é católico militante. Ambos têm plateias específicas. Mas o uso obrigatório de máscara vai muito além da questão da fé – na base da qual, independentemente do credo, deve estar a enfática defesa da vida.

A desigualdade e o susto

Para além das dezenas de milhares de vidas humanas que se foram e da quebradeira na economia, a Covid-19 esgarçou a desigualdade social do Brasil. Mas o fosso é secular. Não precisava uma pandemia de proporções bíblicas para políticos profissionais, parecendo assustados, chegarem a essa conclusão.

A disputa política do “anti”

O antibolsonarismo permeará vários palanques em Fortaleza. Querendo protagonismo nesse espectro, as candidaturas do PDT e do PT serão um capítulo à parte. Já o Pros e outros partidos se apresentação como antiFerreira Gomes. É do jogo. Mas Fortaleza é grandiosa, complexa e desafiadora demais para ficarmos somente nisso.

A decisão de Camilo

Muito bem reeleito, governador tem avaliação positiva no enfrentamento da crise pandêmcia

A decisão de Camilo Santana em brecar o esperado retorno de aulas presenciais, bares, cinemas, shows, espetáculos e academias, na 4ª fase de reabertura econômica, tem base técnica.

Atividades que causam aglomeração – atual inimigo público número um da saúde, em todo o mundo -, foi o risco calculado, que serviu de base para o anúncio.

Admita-se, a situação é frustrante para empresários dos setores, desaponta o público frequentador desses ambientes e não é confortável para o próprio governador.

Mas foi o que apontou o comitê que monitora a situação da pandemia no Ceará.

Dito isso, algumas considerações, para além da esdrúxula dicotomia vida-economia.

1 – Camilo afirma que a decisão é baseada no que dizem os especialistas – apesar de a posição final ser dele. Ou seja, o governador divide com o comitê o ônus da decisão.

2 – Bem avaliado até aqui, o governo Camilo vem se desdobrando no enfrentamento da pandemia, com ações efetivas e responsáveis. Essa imagem blinda decisões amargas.

3 – Reeleito com quase 80% dos votos há menos de dois anos, o governador tem um colchão super king size de aprovação popular. Isso amortece eventuais desgastes.

Diante de tais escudos, empresários pressionam, estrebucham e anunciam o fim do mundo. É compreensível.

Mas há pouco a fazer. Resta esperar e torcer que os próximos boletins da Covid-19, que já matou mais de 7 mil no Estado, tragam melhores notícias.

Por dinheiro e propaganda em rádio e TV, Centrão aceita adiar eleição para novembro

Maia e Alcolumbre costuraram acordo

E eis que o Centrão – espécie de trincheira fisiológica do Congresso Nacional – que antes se mostrava resistente ao novo calendário eleitoral, vai apoiar as novas datas para o pleito.

Aprovado na semana passada, no Senado, o cronograma prevê eleição de prefeitos, vices e vereadores nos dias 15/11 (1º turno) e 29/11 (2º turno).

As demais novas datas seriam as seguintes:

  • 11/8: atuação de pré-candidatos no rádio e TV.
  • 31/8 a 16/9: convenções partidárias.
  • Até 26/9: registro de candidaturas.
  • Após 26/9: início da propaganda, inclusive internet.
  • 27/10: previsão de gastos.
  • Até 15/11: prestações de contas.
  • 18/11: diplomação.

No melhor (pior) estilo “criar dificuldade para vender facilidade”, os centristas receberam a promessa de (mais) dinheiro para prefeitos gastaram com a pandemia de Covid-19 – cita-se R$ 5 bilhões -, e a volta da propaganda no rádio e TV.

As articulações, afuniladas no final de semana, foram lideradas pelos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AM).