Copa América, Yamaguchi, Luana, pronunciamento e Pazuello

A médica, que depôs no último dia 2, foi um dos pontos altos da semana / LEOPOLDO SILVA/AGÊNCIA SENADO

A semana, embora com feriado, de curta não teve nada. Principalmente, na política, onde vai chegando ao fim com fortes emoções. Já no primeiro dia útil, ainda sob o calor dos protestos do final de semana contra o governo do presidente Bolsonaro, o país da covid foi balançado com a notícia de que sediaria a Copa América de Futebol. Por questões óbvias, “inacreditável” foi um dos termos mais lidos e ouvidos. Não pelo esporte mais popular do mundo e do Brasil, mas por uma gritante questão de saúde pública, colocada em segundo plano. Veio terça-feira e, com ela, a bolsonarista Nise Yamaguchi, na CPI da Covid. Dispensa comentários.

Na quarta-feira, Luana Araújo, na mesma CPI, jantou o obscurantismo bolsonariano. Educada, mas firme, de forma técnica e didática, ao mesmo tempo, a mineira desmontou o lego governista, peça por peça. Com lucidez e objetividade sem precedentes na comissão, só faltou desenhar para os senadores e os milhões de brasileiros que acompanharam o depoimento-palestra. Na noite da mesma quarta ainda teríamos o pronunciamento do presidente, numa mistura de desfaçatez e reação à batata assada. Pula para esta quinta-feira (3), em que o Exército, sob pressão do presidente da República, decide não punir Eduardo Pazuello por ato político no Rio.

Para não jogar no campo do adversário
O alto comando do condomínio governista que dá as cartas na política do Ceará só deverá começar a se movimentar, efetivamente, no segundo trimestre do ano que vem. A não ser que o alinhamento partidário nacional precipite a montagem de palanques locais. Mas, não é esse o cronograma oficial esperado. Quem está no poder sempre tentará, de preferência, impor o próprio calendário. O contrário é, literalmente, entrar no jogo jogando no campo do adversário – um começo reativo complicador. Meu governo, minhas regras, no meu tempo. Simples assim.

Os rumos da sucessão de Camilo Santana
Pela lógica do revezamento, o PDT, maior partido dentro do grupo cirista, deverá lançar o sucessor do governador petista Camilo Santana. Ao atual chefe do Executivo caberá a vaga de senador. A tese é defendida pelo presidente pedetista no Ceará, deputado federal André Figueiredo. O desenho deixa de fora o senador em reta final de mandato, Tasso Jereissati (PSDB).

Sobre apoio de prefeitos a deputados
Prefeitos de municípios de médio porte para cima deveriam ser mais criteriosos para com seus candidatos a deputado estadual e federal. Assediados, costumam fazer palanque para mais de um postulante. No final das contas, pulverizam o apoio eleitoral, fragilizando-se, politicamente, diante de seus representantes nos parlamentos. A gestão sofre e ele não pode reclamar.

CPI e Bolsonaro: saldo negativo e sinais preocupantes

Renan já teria elementos para relatório contundente / LEOPOLDO SILVA/AGÊNCIA SENADO

A CPI da Covid está programada para durar 90 dias – quase 13 semanas, das quais somente duas se passaram até agora. Ainda há pela frente, portanto, muitos depoimentos, bate-bocas e baixarias, assim como colheitas de evidências – ou não – de eventuais responsabilidades políticas e judiciais do governo Bolsonaro no manejo da pandemia. Mas, tomando-se como base o que já foi ouvido e visto até aqui, os trabalhos começaram muito bem para a oposição e muito mal para o governo. Assessoramento paralelo no Palácio do Planalto, tentativa de fraudar bula da cloroquina e a comprometedora carta da Pfizer às autoridades brasileiras são somente parte do problema.

Para além destes elementos concretos, os sinais menos tangíveis, emitidos pelos aliados, são ainda mais preocupantes. A começar pelo posicionamento pouco aguerrido na CPI. Em menor número, a defesa do governo tem dificuldade em se contrapor à narrativa que está sendo construída, segundo a qual, de duas, uma: ou Bolsonaro foi omisso por incompetência ou não atuou de caso pensado, dentro de uma estratégia traçada, para se alcançar a tal imunidade de rebanho. Isso, às custas de centenas de milhares de vidas humanas brasileiras. Some-se a isso a verborragia de baixo calão do presidente e companhia contra a CPI e a rota de fuga do ex-ministro Eduardo Pazuello.

Tem cearense no Conselho da ABI
O Ceará tem, desde esta quinta-feira (13), assento no Conselho Deliberativo da centenária Associação Brasileira de Imprensa (ABI), com a posse do jornalista Salomão de Castro, presidente da entidade em nível de Estado. É uma conquista, haja vista ser a ABI, historicamente, dominada por profissionais do Rio de Janeiro. No Nordeste, somente dois estados – o outro é Pernambuco -, conseguiram o feito. Em tempo: a ABI mantém inflamado discurso pela liberdade de expressão. Apoiado. Mas deveria dar o bom exemplo e se permitir democratizar, com vozes de todo o Brasil.

E assim se passou um quarto de século
Os 25 anos da urna eletrônica, comemorados esta semana, é um marco na linha do tempo democrático do País. Velho conhecido de pelo menos duas gerações de eleitores brasileiros, o sistema segue firme, forte, seguro e auditável. Nosso modelo de votação e apuração é reconhecido mundialmente. À exceção dos obtusos plantonistas do atraso.

As paredes como testemunhas
O edifício Deputado Adauto Bezerra, sede do Poder Legislativo no Ceará, fez 44 anos nesta quinta-feira (13). Como bem metaforizou o presidente da Casa, Evandro Leitão (PDT), o prédio “é testemunha de uma história recente do Ceará”. Sem dúvidas. Não foram poucos os embates, acordos, votações, alegrias e surpresas ali vividos, frutos dessa coisa chamada democracia.

Com culpa de Bolsonaro, centrão discutirá termos do contrato

Os presidentes Pacheco, Bolsonaro e Lira: de mãos dadas com o centrão

O governo Bolsonaro vem sofrendo uma derrota atrás da outra no manejo da trágica crise sanitária provocada pela pandemia de covid-19. No Congresso Nacional, líderes do centrão, aliados de última hora, sentaram em cima dos pedidos de CPI – até o Supremo Tribunal Federal mandar instalar a Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado. Na sequência, o Planalto não conseguiu construir maioria no colegiado. Depois, não impediu que a relatoria ficasse com o emedebista Renan Calheiros – que dispensa apresentação. Agora, vê ministro e ex-ministros da Saúde fazerem fila indiana para depôr. Isso é o começo. O pior ainda está por vir.

Sem base aliada orgânica, Bolsonaro foi ao mercado político e locou o apoio do centrão. Em princípio, a operação parecia ser o suficiente. Mas vieram as variáveis, que como o próprio nome supõe, são de difícil controle – quando o são. Pelos primeiros sinais da CPI, indícios e narrativa que se forma em torno da culpabilidade do presidente, será muito difícil o governo, ao final do processo, não ser ferido gravemente. Voltando ao centrão: levante a mão quem considerar, nas condições acima, incondicional e devotado o apoio ao Executivo do grupo que hoje controla o Congresso. Mais do que subir o preço do aluguel, o grupo poderá discutir ou rescindir o contrato.

Um líder que cuida do futuro e do presente
Quem acompanhou o pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, no Capitólio, por ocasião dos 100 primeiros dias de governo, sentiu o gostinho de nação que tem líder, no melhor e mais amplo sentido do termo. O democrata tem um ambicioso e envolvente plano de futuro para o país, a maior economia do mundo. Nesse sentido, destacou a forte atenção que dará à infância escolar, onde tudo começa. Mas não se esquivou do presente, anunciando severos ajustes na taxação de grandes fortunas e salários. Foi aplaudido de pé, dezenas de vezes.

Negacionismo pode ser abandonado
Mesmo diante das evidências, é imenso o contingente de bolsonaristas – por definição, negacionistas. No conjunto, são pregadores de tratamento precoce, não aceitam protocolos sanitários, criticam decretos de isolamento social e, por consequência, são contra a vacinação como forma mais segura e estável de controle da pandemia. Mas isso parece estar mudando.

Seguidores locais já defendem vacina
Cada vez mais isolados, defensores de métodos bolsonaristas contra a covid-19 já sentem o cheiro da derrota na guerra verbal. Tanto que, no Ceará, já é cada vez mais explícita a defesa da vacinação, como mostram vídeos e depoimentos online de vereadores, deputados e assemelhados seguidores do presidente da República, na chegada de imunizantes no Aeroporto de Fortaleza.

CPI da Covid pode ser o início do fim do atual ciclo de poder

Os senadores Randolfe (em pé), Aziz e Calheiros, que formam a cúpula da comissão

A semana começa com todas as atenções voltadas para o início dos trabalhos da CPI da Covid, no Senado, previsto para esta terça-feira (27). As investigações pretendem dissecar os mandos e desmandos que produziram uma tragédia humanitária dentro da já trágica pandemia pelo novo coronavírus. Sem ascendência sobre o colegiado, desorganizado politicamente no Congresso Nacional, e com potenciais adversários se movimentando de olho no Palácio do Planalto, em 2022, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) terá pela frente dias, semanas e meses muito difíceis. No pior dos mundos, poderá ser o início do fim do atual ciclo de poder do clã mais poderoso do País.

Para além de que governo algum, por muito menos, sentir-se confortável com um canhão apontado para si, a própria ginástica que o governo fez para evitar a CPI diz muito do temor que ronda o Executivo. O último lance foi a nomeação do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, para a Secretaria-Geral do Exército. Trata-se de um arquivo ambulante. Mas as investigações serão irrestritas, incluindo estados e municípios, correto? Sim e não. Há nítidos sinais de que os aliados manterão o esforço para dividir o foco do Governo Federal. Mas há controvérsias, como já captam os índices de pesquisas sobre a responsabilização dos culpados e as narrativas do entorno.

Debate aborda sustentabilidade econômica
Em momento mais do que oportuno, quando o mundo acaba de assistir a uma conferência global sobre o clima e o futuro do planeta, a Assembleia Legislativa do Ceará promove hoje mais uma edição do projeto Grandes Debates – Parlamento Protagonista, com o tema “Sustentabilidade: o caminho para o desenvolvimento”. À mesa virtual estarão Leonardo Boff (teólogo), Alessandro Molon (deputado federal-RJ), Artur Bruno (Sema-CE), Eudoro Santana (PMF) e Leonardo Pinheiro (deputado estadual-CE). Às 16h, em várias plataformas.

Fundeb no Ceará: R$ 215 milhões em prejuízos
Um erro em repasses do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) para municípios cearenses pode render prejuízos que beiram os R$ 215 milhões. Mais de 190 mil matrículas de alunos do ensino fundamental em tempo integral do Ceará deixaram de ser computadas, impactando 114 municípios. Cálculos do deputado estadual Queiroz Filho (PDT).

Sobre desenvolvimento e política no Ceará
É dominante a crítica de que o desenvolvimento econômico no Estado do Ceará vem se concentrando, cada vez mais, na Região Metropolitana de Fortaleza e em alguns pedaços do litoral. Prefeitos dos rincões do Interior que o digam. Eis um bom mote, tanto para o Governo do Estado, a quem cabe o planejamento, quanto para a oposição, que certamente pretende explorar.

Notas sobre Tasso Jereissati

Senador em segundo mandato, tucano é cotado para disputa nacional

Em seu segundo mandato de senador da República, o três vezes governador do Estado, Tasso Ribeiro Jereissati, 72, entrou para os livros de história pelas portas da frente: esteve no lugar certo, no momento certo e fez a coisa certa; administrador de empresas, buscou, na gestão pública, sempre que possível, parametrizá-la com modelos de negócios privados: foco em planejamento, busca de resultados, ousadia em projetos, visão de longo alcance e perpetuação. Hoje, trinta e cinco anos depois do longínquo 1986, o modelo implantado no Ceará é aplaudido Brasil afora. Mais do que isso, foi o alicerce que possibilitou ao Ceará projetar-se para o mundo.

Mas nem sempre foi assim. O início foi muito difícil e desafiador. O primeiro choque de gestão de Tasso na máquina estadual, que exorcizou milhares de funcionários fantasmas e eliminou privilégios, foi como mexer em vespeiro. O jovem governador perdeu popularidade numa rapidez fulminante; virou inimigo número um do funcionalismo público – particularmente, em Fortaleza – e viu a base aliada minguar na Assembleia Legislativa. Aos poucos, com persistência, foi virando o jogo na gestão e na opinião pública cearense – tanto que fez o sucessor, Ciro Gomes, e depois foi eleito outras duas vezes – sempre com coerência, austeridade e princípios.

Senado fez bem à cabeça de Tasso
Em 2002, quando Tasso foi eleito senador pela primeira vez, o Ceará ficou diante de uma grande interrogação: como seria o mandato de um político de biografia já histórica, ex-chefe do Executivo com fama de atuação rígida e autossuficiente em termos eleitorais? Para a surpresa da grande maioria, o então debutante senador surpreendeu a todos – mais uma vez. O exercício do contraditório, próprio da gênese dos legislativos, fez muito bem não somente à cabeça do hoje veterano parlamentar: projetou-o como reserva política da República.

Imagem com potencial para agregar
Conforme lembrou o presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo (PE), a imagem política de Tasso transcende o ninho tucano. É voz ouvida dentro e fora do Senado. Isso o credenciaria, em termos de aderência de outras forças políticas, a entrar na disputa pela Presidência da República. Inclusive pelo potencial de atrair outros nomes de peso do cenário nacional, a exemplo de Ciro.

Tucano não tem do que reclamar
Entrando na reta final de mais um mandato, Tasso tem emitido sinais de que deseja voltar a Brasília em 2023 – a depender do desenho do palanque governista no Ceará. Mas, até aqui, o tucano não tem do que reclamar. Não é todo dia que um político que só pretende renovar o mandato toma tanto banho de mídia – local, nacional e internacional -, de forma espontânea e alvissareira.

Arthur Lira e os planos do Partido Progressista para 2022

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta sexta/11

O pepista tem as bênçãos do Planalto /Marcelo Camargo – Agência Brasil


Rodrigo Maia ainda se recupera do baque do último final de semana – quando viu suas chances de tentar permanecer no comando da Câmara dos Deputados descerem pelo ralo do Supremo Tribunal Federal. Isso explica a indefinição do nome de seu grupo para sucedê-lo e a sangria que vem sofrendo. Ontem, o pré-candidato à Presidência Marcos Pereira (Republicanos-SP) saiu do bloco de Maia. Lá estão, no todo ou em parte, PP, MDB, DEM, PSDB, Cidadania e PV. Na outra ponta, Arthur Lira (PP-AL), nome apoiado pelo presidente Bolsonaro e já lançado à sucessão de Maia, reúne deputados dos PL, PSD, Avante, Solidariedade, Patriota, Pros e PSC, além do próprio PP. PTB, PSB e até PT devem se somar ao bloco de Lira.

Para quem transita no tapete verde do Congresso Nacional, não há dúvida do expressivo favoritismo do candidato do Planalto para substituir Maia. Os mais empolgados sequer imaginam a disputa em duas etapas – uma característica da Casa, dada a histórica fragmentação das forças. Fazer o próximo presidente seria somente uma das pontas do novelo político. No radar dos pepistas de proa, como o presidente nacional da sigla, senador Ciro Nogueira (PI), chefiar os deputados é um dos primeiros passos para voos muito mais altos. Nas projeções mais ousadas, o PP estaria executando o plano de, uma vez no comando da Câmara e mandando em apetitosos pedaços do Governo, construir a viabilidade para emplacar o vice de Bolsonaro, daqui a dois anos.

Bolsonaro, o filho pródigo
Antes de se aventurar a chefiar a nação, Jair Bolsonaro era filiado ao PP, onde acumulou mandatos de deputado federal pelo Rio de Janeiro. Quando foi para o então nanico PSL, o hoje presidente deixou no ex-partido colegas do chamado baixo clero da Câmara, a exemplo de Arthur Lira, com quem até hoje cultiva amizade. Atualmente sem partido, o mandatário já admitiu filiar-se a um partido já existente, caso não se materialize a construção do Aliança pelo Brasil. Também não é segredo que o retorno ao PSL, onde tem muitos seguidores, pode ser uma das possibilidades.

Sai DEM, entra PP e MDB
Caso Rodrigo Maia não emplaque seu sucessor para a cadeira hoje ocupada por ele, o protagonismo de seu DEM poderá ter de ceder espaço para o PP de Arthur Lira. O mesmo pode acontecer no Senado, onde o DEM de Davi Alcolumbre será substituído – na cotação do dia -, pelo MDB. Lá, já se articulam nomes de possíveis candidatos à presidência da Casa.

A contabilidade do voto
Ainda incipiente, o clima eleitoral nos dois principais blocos de deputados que deverão disputar a presidência ainda não permite cálculos consistentes. Mas se estima que o grupo de Arthur Lira tenha em torno de 170 votos, contra cerca de 150 do nome ligado a Rodrigo Maia. Para ser eleito no dia 1º de fevereiro de 2021, são necessários 257.

“Guerra da vacina” iguala governos Bolsonaro e Dória

Governador de São Paulo e presidente da República duelam em torno do imunizante / Marcos Corrêa / PR


É um péssimo sinal quando a politicagem se sobressai em reuniões de gestores que deveriam tratar de temas caríssimos à sociedade. Sobretudo, em se tratando de saúde pública, em meio a uma pandemia, como a que o País atravessa. Foi lamentável, portanto, de lado a lado, o duelo verbal entre o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), durante reunião de chefes de executivos estaduais com o titular da Esplanada. Está errado o ministro, em mais uma vez usar a ainda respeitada Anvisa como obstáculo à tão esperada vacina contra a covid-19 – quando a agência deveria ser uma forte aliada.

Está errado Dória, ao tentar transformar o ambiente em palanque político para 2022. É verdade que o tucano saiu na frente, indo aos principais centros de pesquisa do mundo, em busca do imunizante – quando a maioria dos governadores se consumia em ampliar a rede de atendimento aos contaminados. O tucano também pode estar certo em tentar antecipar o calendário de vacinação. Por que esperar março de 2021, se pode começar em janeiro? Mas, méritos à parte, isso não dá direito ao governador do Estado mais rico do Brasil a puxar para si o protagonismo político, quando o mais importante seria unir forças, para apontar na mesma direção.

Lamentável prévia do que pode ser 2022
João Dória pratica ataques ao presidente Bolsonaro como esporte favorito, atribuindo-lhe convicções pessoais e interesses políticos acima da vida de milhões de brasileiros contaminados ou em vias de entrarem nas tenebrosas estatísticas da covid-19. Mas o que o governador paulista está fazendo, senão também jogando por interesse político, pensando daqui a dois anos, quando fixa em 25 de janeiro – aniversário da Cidade de São Paulo, lembrado pelo próprio -, para começar a campanha de vacinação no Estado? Com sinais trocados, o Instituto Butantan está para o Palácio dos Bandeirantes como a Anvisa está para o Planalto.

Pressão sobre os demais estados e União
Enquanto isso, mais da metade dos estados brasileiros – particularmente os do Norte e Nordeste -, passarão, a partir da referência de São Paulo, a ser pressionados a também adquirirem lotes de vacina, para distribuição e aplicação em sua população. O efeito deverá recair, inclusive, sobre o Governo Federal, que deverá ser obrigado a também botar a mão no bolso e acelerar o processo.

O que esperar da oposição com Bolsonaro infectado pela Covid-19

Da coluna Erivaldo Carvalho, edição desta quarta/8, do jornal O Otimista

Presidente da República entra para as estatísticas da pandemia

Quando pensávamos que o vexame pandêmico do País, em escala internacional, tinha atingido o platô, eis que o presidente da República é diagnosticado com a Covid-19. Logo Jair Bolsonaro, negacionista, reacionário, receitador de cloroquina e outras atitudes que vagueiam entre o esdrúxulo e o despreparo. Mas vamos aos possíveis desdobramentos. Em primeiro lugar, vale o registro de que o sexagenário ex-capitão do Exército é do grupo de risco – apesar de seu “histórico de atleta”. Em bom português, é prudente aguardar a evolução do paciente. Pode ser uma “chuva que todo mundo vai pegar”, como rogou o próprio, na coletiva que concedeu para anunciar o resultado. Ou algo mais delicado, que inspire os cuidados protocolares e institucionais próprios da contaminação e do cargo que o agora paciente ocupa.

O presidente entrou no corredor das estatísticas que tanto tripudiou. Inevitavelmente, sairá do outro lado, alimentando algum número dos próximos relatórios, que já registram 1,6 milhão de brasileiros contaminados, 66 mil mortos e 1,1 milhão de recuperados. O assunto, de interesse mundial, elevou ao teto as curvas de audiência e interesse do público. Previsivelmente, as entrincheiradas redes sociais não perdoaram. Foram inundadas por memes, piadas, sarcasmos e ironias. Mas até onde vai tudo isso? Bolsonaro está com Covid-19, muito, provavelmente, por seu próprio risco, conta, retardo e insolência. Bater tambor à porta de enfermaria ou UTI só fará lembrar que quem faz política em corredor de hospital é pior do que o vírus – o micro organismo, pelo menos, não tem ideologia nem pede voto.

A política da estupidez

Antibolsonaristas têm, diante de si, uma bela chance de mostrar que a política deve acontecer da porta de hospital para fora. O debate, civilizado, deve ser nas ruas, nas redes e nas urnas. Sob pena de mostrarem ao Brasil que sofrem de uma pandemia igualmente ou mais grave do que a Covid, com sintomas muito além da falta de ar, cansaço muscular e tosse seca. Insensibilidade humana, desprezo para com o próximo e vendeta não são próprios da política. A não ser que tenhamos optado por este estúpido novo normal.

Bolsonaro, sobre transposição: “é uma novela enorme, que está chegando ao fim”

Deputado André Fernandes (PSL) posa para foto com presidente

Sendo ele mesmo, o presidente Jair Bolsonaro não deixou passar a chance de seguir no tom de enfrentamento ao lulopetismo.

Na manhã desta sexta, 26, perguntado sobre a importância da transposição das águas do rio São Francisco, disse: “é uma novela enorme, que está chegando ao fim”.

Com a declaração, Bolsonaro fez uma referência indireta ao enredo de várias paralisações, atrasos no cronograma e redimensionamento orçamentário do empreendimento.

O presidente também mencionou o status de prioridade da transposição das águas, ainda no início de seu governo, em 2019.

A inauguração do trecho cearense das obras aconteceu em Penaforte, município no extremo Sul do Estado, para onde foram vários políticos alinhados com o bolsonarismo no Ceará.

Participaram da comitiva presidencial os deputados federais Capitão Wagner (Pros), Domingos Neto (PSD), os tucanos Roberto Pessoa (licenciado) e Danilo Forte e Jaziel Pereira (PL), entre outros.

Também chamou a atenção a desenvoltura do deputado estadual André Fernandes (PSL), que teve direito a self com o presidente.

Na mira do Conselho de Ética da Assembleia Legislativa, Fernandes está ameaçado de ter o mandato suspenso por 30 dias.

Transposição: obra do PT inaugurada por Bolsonaro

Pivô de disputas políticas, águas do Velho Chico chegam ao Ceará

Histórica, grandiosa e necessária, a transposição das águas do rio São Francisco é o novo front de batalha entre bolsonaristas e lulopetistas.

Iniciada há mais de 12 anos, com mais do dobro do orçamento original (de R$ 5 bilhões para 12 bilhões) e várias paralisações, o empreendimento resgata uma antiga dívida do Estado Brasileiro com o desenvolvimento regional.

Montado em Penaforte, no Extremo Sul do Ceará, o circo bolsonarista vai recepcionar o presidente.

Em circunstâncias normais e pelo marco que a obra representa, a maior autoridade do Ceará, o governador petista Camilo Santana, participaria do ato de chegada das águas do Velho Chico ao Ceará.

Camilo não foi. Recusou o convite. Oficialmente, para não promover aglomerações em tempos de pandemia de Covid-19.

Previsível, haverá guerra pela paternidade da grande obra. Já seria, se não fosse no Nordeste – região onde se travam as maiores batalhas eleitorais pela Presidência da República.

A transposição é uma obra de governos petistas, cujo trecho do Ceará está sendo inaugurada pelo governo Bolsonaro. Assim quiseram as circunstâncias.

Mas guerra é guerra, e quem vence tem o direito de contar como foi.